Caso de violência doméstica ao longo de 42 anos

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Um homem está a ser julgado por agredir a mulher durante 42 anos, na Maia. A vítima terá sido inúmeras vezes alvo de agressões a soco e pontapé, pois o agressor desconfiava que a mulher o traía.

A mulher foi alvo de maus-tratos físicos e psicológicos durante 42 anos de união. O Correio da Manhã noticiou esta segunda-feira, dia 3, que a acusação do Ministério Público refere que «a vítima foi inúmeras vezes alvo de agressões a soco e pontapé, mesmo quando se encontrava, num dos episódios, com o filho bebé ao colo. Chegou ainda a ser presa dentro de sua casa, na Maia, e alvo de uma tentativa de asfixia».

O agressor foi denunciado no ano passado e está agora a ser julgado no Tribunal de Matosinhos por violência doméstica e detenção de arma proibida.

De acordo com o mesmo jornal, o agressor passou, numa fase mais recente, a controlar o conta-quilómetros do carro e perguntava por onde tinha andado para ver se batia certo. “Trazia também pão ao final do dia e, se eu não comesse no dia seguinte, dizia que eu tinha ido ter com amantes”, contou a vítima, de 64 anos, que já falou também em tribunal.

Tudo começou, segundo o Ministério Público, um mês após o casamento. A vítima levou uma bofetada. “Batia-me muitas vezes com a cabeça contra as portas, ia trabalhar sempre com nódoas negras e dizia às pessoas que tinha sido sozinha. Na festa dos 10 anos do meu filho, parti, por exemplo, um copo, e só por isso ele bateu-me tanto, tanto…”, recorda a vítima, que em 2017 foi agredida na cara com uma varinha mágica quando dava o almoço ao neto.

A vítima lLigou para a APAV, mas só fez queixa em 2019, altura em que chegou à conclusão que “ninguém merece viver assim”.
O suspeito é contabilista e negou os factos em tribunal.