Chineses acusados de cultivarem e traficarem cannabis à escala internacional

0
400

O Ministério Público já acusou os detidos em julho, na Maia, por cultivarem uma autêntica “fábrica” de cannabis.
Um casal e um outro detido, que se suspeita ser vítima de tráfico humano, foram detidos e recentemente o Ministério Público deduziu a acusação.

O casal é acusado de liderar um esquema de produção de droga numa antiga tinturaria. Faziam depósitos milionários e declaravam rendimentos de 173 euros mensais. O homem tinha visto “gold”.

Tinham uma autêntica “fábrica” de cultivo intensivo de cannabis, montada num armazém da Maia, onde foi apreendida mais de uma tonelada de droga. Era uma mina de ouro para um casal de nacionalidade chinesa, de 51 e 35 anos.

Apesar de declararem tostões ao Fisco – salário de 173 euros por mês -, pelas suas contas bancárias passaram, nos últimos quatro anos, 675 mil euros. O Ministério Público (MP) acusou de tráfico de droga o casal e um terceiro indivíduo que vivia no armazém e exige a entrega daquela quantia ao Estado.

Em julho do ano passado os investigadores da PSP depararam com material sofisticado num armazém da Maia: centenas de lâmpadas, de extratores de ar, de medidores de temperaturas e de plantas de cannabis.

O lucro obtido era quase total porque, para além do investimento inicial em lâmpadas e tecnologias para a produção intensiva de cannabis, que consome bastante energia, os indivíduos não gastavam um cêntimo em eletricidade. O equipamento era alimentado através de uma ligação ilegal, a partir de um posto de transformação. A EDP estima o prejuízo em cerca de três milhões de euros. Este processo será julgado à parte.

O terceiro indivíduo, responsável pela manutenção da estufa, terá estado mais de um ano trancado no armazém, onde comia e dormia. Quando foi detido, declarou que levava uma vida de escravo e pensava que estava em Espanha. Apesar de ser considerada uma possível vítima de tráfico de ser humano, foi colocado em prisão preventiva, tal como os líderes, e também vai ser julgado.

As autoridades acreditam que o casal pertence a uma rede internacional que também atua em Espanha e noutros pontos do país. O caso de outros detidos (também chineses), em novembro, suspeitos de explorarem duas superestufas em Santa Maria da Feira e Vila Nova de Gaia poderá estar ligado a este caso da Maia.

A Polícia Judiciária explicou que os suspeitos colhiam as plantas, embalavam-nas em vácuo para as enviar em pacotes de oito a dez quilos, através de transportadoras, para França, Alemanha, Holanda, Inglaterra e Bélgica. Os recetores eram todos cidadãos chineses.