Cine-conferência “As Maltratadas” no Dia pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres

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No Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres, que se assinala a 25 de Novembro, o auditório Venepor recebeu uma Cine-Conferência intitulada “As Maltratadas”. O espaço de conferência da manhã foi dedicado ao “Estado, Lei e Sociedade” no âmbito da violência contra as mulheres.

Contou com as intervenções de Teresa Carvalho, jurista da Delegação Norte da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género; da subcomissária Telma Fernandes, chefe do núcleo de informações policiais e formadora interna do programa integrado de policiamento de proximidade; Ilda Afonso, directora técnica do P’RA TI – Centro de Atendimento e Acompanhamento a Mulheres Vítima de Violência da União Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR); e de Gonçalo Eleutério Silva, procurador da República e coordenador do ciclo judicial de Gondomar.

Na parte da tarde, foi exibida a curta-metragem “As Maltratadas” de Ana Campina, que aborda os vários tipos de violência contra a mulher, desde a doméstica até ao tráfico de mulheres para a prostituição. Seguiu-se uma nova conferência, que tinha como objectivo abordar o papel e a influência do cinema, media e sociedade, nesta problemática.
A iniciativa partiu da Santa Casa da Misericórdia da Maia, que no âmbito do projecto Lidador está a gerir o Contrato Local de Desenvolvimento Social (CLDS) nas freguesias de Águas Santas e Pedrouços. E que contou ainda com o apoio da Câmara Municipal da Maia.

Mais do que falar da violência contra a mulher em contexto familiar, esta cine-conferência pretendia ainda abordar outras formas de violência. “Queríamos que as pessoas pudessem debater mais outros tipos de violência contra as mulheres, e não só em contexto conjugal. Mas é sem dúvida a face mais visível”, sublinhou Helena Ribeiro, coordenadora do CLDS.

A cine-conferência aconteceu no dia em que o Governo apresentou o IV Plano Nacional Contra a Violência Doméstica, que aposta em mais medidas para o agressor e no alargamento da rede de apoio às vítimas, e poucos dias depois da UMAR anunciar o número de mulheres assassinadas por violência doméstica e de género. O ano ainda não terminou e já foram assassinadas 39 mulheres, mais 10 do que em 2009.

Catorze casos, três mulheres encaminhadas para casa-abrigo

A violência doméstica é uma das áreas de intervenção do CLDS. Em ano e meio de existência, “fizemos várias sinalizações, já encaminhamos três senhoras para casa-abrigo e estamos a desenvolver um grupo de ajuda mútua para mulheres que decidem manter-se num cenário de violência, manterem-se com os companheiros”, adiantou Helena Ribeiro. “Não podemos obrigar ninguém a sair. Podemos tentar apoiar a pessoa, enquanto ela se encontra nessa situação por vontade própria”, acrescentou a coordenadora do CLDS para Águas Santas e Pedrouços. Este grupo é constituído por oito mulheres. Até agora, o CLDS sinalizou 14 situações de violência doméstica. Situações “complicadas” associadas “a uma elevada precariedade económica”. “Quando isso acontece, é mais difícil a mulher tomar a iniciativa de sair, pegar nos filhos e sair, porque a dependência económica é muito forte”, referiu Helena Ribeiro.

Fernanda Alves