Combater a mistura de água

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Cumprindo a legislação para o sector, os Serviços Municipalizados de Água e Sanamento da Maia (SMAS) realizam análises frequentes à água fornecida à população. Para analisar diversos parâmetros, incluindo a presença (ou não) de pesticidas. Algo que “a água distribuída na Maia não tem”, assegura o director-delegado dos serviços, Albertino Silva. O mesmo não se pode dizer de quem consome água de poços – as chamadas águas friáticas – com elevados e até “perigosos” teores de pesticidas. Só não se aplica esta conclusão à zona do Aeródromo de Vilar de Luz, em Folgosa da Maia:

[audio:PESTICIDAS.mp3]

Além deste alerta para a presença de pesticidas na água de captação própria, Albertino Silva chama a atenção para a ilegalidade inerente à mistura de água proveniente dos dois sistemas: poços e rede pública. No âmbito da campanha de sensibilização em curso, os SMAS já enviaram para habitações do concelho mais de duas mil cartas, desde Janeiro, tendo recebido das pessoas “muito bom senso” e “colaboração”, até para serem melhor esclarecidas:

[audio:MISTURA.mp3]

Apesar da reconhecida qualidade desde a sua captação, o SMAS realiza as análises a que estão obrigados os serviços, todas as semanas, em dez pontos da rede, de forma aleatória, sendo essa água analisada pelo Instituto da Água da Região Norte (IAREN). Trata-se de uma forma de assegurar que não há contaminação em nenhum ponto da rede. E que permitem aos serviços reiterar o apelo para o consumo de água da torneira em detrimento da água engarrafada.

Água facturada

Todos os meses, os SMAS da Maia compram cerca de um milhão de metros cúbicos de água, mas vendem apenas 850 mil metros cúbicos mensais, correspondendo a 85 por cento da facturação. Mas a quem é vendida e em que quantidades? Os dados mais recentes fornecidos pelo director-delegado dos serviços, Albertino Silva, apontam para um consumo diário de milhões de metros cúbicos de água, mostrando os estudos quem, em média, cada habitante consome cerca de 175 litros de água, por dia.

E se, no caso da Maia, o consumo comercial “caiu imenso”, o mesmo não se pode dizer do consumo industrial, que se tem mantido. Para isso têm contribuído aqueles que o responsável pelos SMAS define como “50 grandes consumidores”. São exemplos a Bial, a Siderurgia, a Sonae, a CIN, a Lipor ou o Aeroporto Francisco Sá Carneiro, entre outros.

Marta Costa

1 COMENTÁRIO

  1. Concordo com tudo o que é dito e que estes poços deverão ser alvo de fiscalização para que tais não interfiram com as águas públicas.
    Apesar disso não posso deixar de me indignar com o conteúdo das cartas que são enviadas aos munícipes em tais situações. Quando me mostraram tal carta fiquei indignado pela forma como fôra escrita, tratando o destinatário como um “delinquente” que aceita livremente atentar contra a saúde pública. Nem uma intimação judicial remetida a hipotéticos criminosos vem redigida da forma que o SMAS o faz a munícipes que, por sinal, possam mal informados.
    Sou munícipe da Maia. Não recebi esta carta pessoalmente. Estou envergonhado com o tipo de linguagem escrita que o responsável dos SMAS utiliza no Séc. XXI e que ainda por cima é enviado em série para mais de 2000 pessoas.

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