Comunidade de etnia cigana de Moreira ainda sem destino

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A Câmara Municipal da Maia continua a tentar encontrar uma solução para a comunidade de etnia cigana despejada do terreno que ocupavam ilegalmente desde há 29 anos.
Francisco Lemos, do departamento de Educação, Acção Social e Juventude afirmou que apesar das reuniões que decorrem desde a tarde de quarta-feira entre elementos do executivo, técnicos e representantes das famílias, ainda não se conseguiu uma solução. “Abordaram-se diversas hipóteses e não se conseguiu chegar a uma conclusão definitiva”, conta. “Realojar dez famílias não é o mesmo que realojar uma família. É necessário, primeiro, criar condições para que seja efectivamente possível o realojamento das dez famílias uma vez que não é vontade delas e isso foi um princípio de vivência que têm, virem a ser separadas”, acrescentou.

No que toca ao apoio social das famílias, Francisco Lemos adianta que a câmara está a promover um conjunto de acções no sentido de minimizar a situação, nomeadamente através de fornecimento de, pelo menos, uma refeição quente diária e outras acções de apoio social. “Toda a câmara está a fazer esforços no sentido de minimizar toda essa situação desumana”.

Ao que PRIMEIRA MÃO apurou a edilidade maiata teria já sinalizado cinco famílias para realojar e que as restantes cinco se juntaram mais tarde aos familiares. Francisco Lemos confirma que essa era a informação que tinham inicialmente mas, depois, da recolha de alguma informação e do cruzamento de dados com outras instituições públicas chegaram à conclusão os dados que tinham não correspondiam à situação real. “Há, de facto, dois ou três agregados cuja residência é de Vila do Conde,sendo que um desses agregados, há cerca de um mês e meio, dois meses, transferiu a sua residência para a Maia. Em boa verdade, não seriam apenas cinco as famílias conforme informação que nós tínhamos, mas serão mais”.

Recorde-se que no passado mês de Março, em entrevista a PRIMEIRA MÃO, o presidente da Junta de Freguesia de Moreira da Maia lamentava mesmo não ver um fim à vista para o problema da comunidade cigana. Albino Maia lamentava também a falta de humanidade do tribunal que decretou o despejo sem tomar providências. “Não tem que tomar”, afirmava. No entanto, recordava que “estamos a falar de humanos que vão ser despejados e não existe nenhuma protecção. Será que não têm direito por serem ciganos? Mas para não ter, nunca o Governo e as nossas instituições os deveriam reconhecer como cidadãos portugueses. Ao dar-lhes assistência médica, rendimento mínimo, estão a dar-lhes as mesmas condições que dão às outras pessoas. Não há protecção em termos de habitação, crie-se algo que os defenda”, defendia, relembrando que as competências e os meios da junta de freguesia também são parcos.

Isabel Fernandes Moreira