Constrangimentos no trânsito inviabilizam creche/infantário

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A inviabilização pela Câmara Municipal da Maia de um projecto que visava a criação de uma creche/infantário na Rua Augusto Simões, a poucos metros da Torre Lidador, motivou a criação de uma petição online e de uma conta no Facebook, em protesto pela decisão.
Um parecer negativo do Departamento de Trânsito (DT) ditou o chumbo do projecto promovido por um casal que se encontra desempregado e com dois filhos.

Ricardo Henriques, um dos elementos do casal promotor, lamenta a demora na apreciação do projecto, e acusa a autarquia de não ajudar na criação de um serviço que faz falta no centro da cidade e que ia criar postos de trabalho. “Tanto eu como a minha mulher somos desempregados. Já empatamos cerca de 15 mil euros em investimentos, perdemos em subsídios de desemprego cerca de 17 mil euros, e neste momento não temos nada. Daí a nossa angústia e o nosso protesto”, refere o promotor.
Já o vice-presidente da Câmara da Maia, António da Silva Tiago, garante que o município continua empenhado em contribuir para o empreendedorismo jovem, e felicita o casal pela iniciativa. No entanto, diz que todas as questões relacionadas com a gestão de uma cidade, devem ser analisadas de forma “isenta e objectiva”. Por isso, existindo indicações de que o serviço iria criar complicações no trânsito, a câmara teve de inviabilizar o projecto. E a decisão é definitiva.

Com isto, o casal está já a equacionar avançar com o projecto noutro local, possivelmente, num concelho vizinho.
“As informações que eu tive de uma outra câmara, é que as situações são bem diferentes. Seguem PDM’s, mas não são tão exigentes como foi a Maia. Neste 10 meses perdemos tudo à espera que a câmara emitisse um parecer que contávamos ser positivo, conforme nos disseram verbalmente”, lamenta Ricardo Henriques.

Processo começou em Abril

Desempregados, Ricardo Henriques e a esposa Iolanda, apresentaram na câmara, em Abril do ano passado, um projecto de criação de uma creche com berçário e jardim-de-infância para 59 crianças, na Rua Augusto Simões, a poucos metros do edifício camarário. Trata-se de uma moradia que se encontra desabitada há mais de dois anos, e que iria ser adaptada para o novo serviço.

Em termos de construção, não havia qualquer problema, “havia sim um problema de estacionamento”, indica o promotor. Foram então encetadas reuniões com o responsável pelo DT, “onde foram expostas diversas soluções para facilitar o correcto movimento de trânsito na rua”, recorda. Entre as quais, “o aluguer de dois lugares de estacionamento em frente à creche, uma hora gratuita de estacionamento Status, recolha e entrega das crianças por educadoras, policiamento nas horas de ponta, e exigência de cumprimento do Regulamento Interno da Instituição”.

Perante as propostas apresentadas, “obtivemos um parecer verbal positivo e a solicitação de entrada do projecto na câmara”, recorda.
O DT analisou o processo, e em Agosto, Ricardo Henriques recebeu da câmara da Maia um parecer negativo “com base nas informações técnicas do DT, apontando possíveis problemas de estacionamento.
Os promotores do projecto voltaram a contestar o parecer, e em Outubro foi marcada nova reunião. Ricardo e Iolanda disponibilizaram-se a alugar sete lugares de estacionamento.
Mesmo assim, em Dezembro do ano passado, o projecto voltaria a ser indeferido, mais uma vez apontando problemas no trânsito.

No mesmo mês, Ricardo Henriques solicitou uma audiência com o presidente da Câmara da Maia, Bragança Fernandes. Sem resposta ao pedido, deslocou-se à reunião pública do executivo camarário de Janeiro passado, para abordar o assunto. “Estávamos a expor o nosso problema e, literalmente, fui mandado calar pelo presidente da câmara, porque estava a ser muito extenso, que tinha conhecimento do que se estava a passar, e quando fosse possível eu teria uma resposta, já que, dito por ele, tinha lá uma carta para responder ao gabinete da Presidência da República, na qual eu fazia queixinhas da câmara, porque não ajudava. Foi a gota de água na revolta que sentimos”, lamenta Ricardo Henriques. “Temos um projecto há 10 meses na Câmara da Maia, e pelos visto, nós é que estamos a fazer queixinhas de a câmara não ter ajudado. E não ajudou absolutamente nada, só criou problemas”, acrescenta.

António da Silva Tiago elogia a “coragem” do casal, “todavia, há coisas que são possíveis e outras que não são. Essa é possível, noutro sítio. Diz o DT, que naquele sítio, naquelas condições, sem aparcamento dentro de muros para apoiar a actividade, criaria uma perturbação excessiva, em termos de mobilidade”. “Não se pode resolver um problema, a situação do casal que está desempregado, e criar outros problemas”, adverte o vice-presidente.
É que, de acordo com o número dois da autarquia, naquele arruamento existem apenas oito lugares de estacionamento, que servem de apoio às agências bancárias, companhias de seguros e outros estabelecimentos da zona. Ao alugarem sete lugares, “os outros ficavam sem nada”. Ou seja, iria restar apenas um lugar de estacionamento, o que de acordo com António da Silva Tiago, criaria outro problema. “Eu percebo a ansiedade deles, respeito-a e valorizo, mas isto tem de ser visto de uma forma isenta e objectiva”, diz o vice-presidente da Câmara da Maia.

Fernanda Alves

5 COMENTÁRIOS

  1. Mais vale não fazer comentários!
    Ainda assim, de admirar a falta de coragem e hipocrisia desta Câmara, principalmente quando o número dois vem dizer que “o vosso projecto é muito querido e acarinhado por esta Câmara”.
    Enfim, é o PORTUGALITO que temos!!!

  2. Questiono porque razão o Engº Tiago não deu esta resposta em Outubro, tendo pelo contrario alimentado ainda mais a proposta de viabilidade…!?

  3. estes senhores da divisao de transito da maia se levantassem o traseiro da cadeira e fossem ao local veriam com toda a certeza que os que vao aos bancos NUNCA estacionam nos lugares mas sim em 2ª fila ou na paragem do autocarro existente.
    devem existir outros interesses por tras desta recusa na abertura da creche.
    sera que nenhum desses senhores tem algum familiar com um negocio igual nas redondesas?

  4. É obvio que nunca foram equacionados os 7 lugares de estacionamento na rua unicamente em direção à Câmara, mas sim repartidos na Rua Augusto Simões a norte e a sul da mesma, algo que foi mesmo sugerido pelo próprio Vice Presidente, mas aparentemente esqueceu-se…
    Assim como os próprio “técnicos” advertem que este problema coloca-se unicamente por duas horas diárias, uma de manhã e outra à tarde, não justificando o aluguer pela câmara de 7 lugares unicamente por estes dois períodos, dado que retiraria a oferta ao publico. Se o problema se coloca só por duas horas, então qual a confusão? Porque não alugam os lugares só para essas horas?
    Quando não existem argumentos, inventa-se.
    O PODER SERVE PARA AJUDAR OS AMIGOS, PREJUDICAR OS INIMIGOS E FAZER CUMPRIR OS INDIFERENTES.

  5. Como residente na Cidade da Maia lamento a atitude da Camara neste caso onde demonstra a descoordenação, falta de ligação entre vereadores,pouca flexibilidade no cumprimento da legislação e de vontade da construir uma Maia melhor.
    Serão precisos sete lugares para a paragem momentânea das viaturas dos pais que transportam as crianças.
    Quem conhece o local sabe perfeitamente que dois lugares chegariam, tanto mais que a sua ocupação só seria em cerca de uma hora de manhã e outra à tarde.
    Será que as entidades publicas e privadas que se localizam na mesma rua e próximas,também têm essas exigências. E elas estão lá.
    Porque não mudam a paragem dos autocarros.Está a impedir a fluidez do transito.
    Quantas creches/infantários têm na Maia sete lugares de estacionamento ?
    Que saudades do Dr. Vieira de Carvalho!

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