Contribuintes da Maia no “corredor da morte”

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Há quem lhe chame “corredor da morte”, mas que se saiba ainda ninguém morreu lá. A não ser que seja em sentido figurado. O epíteto partiu do presidente da Distrital do Porto do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos, José Moreno, e classifica a repartição de finanças da Maia, situada no Parque Central, bem no centro da cidade. Não há luz natural. A ventilação é escassa e carece de manutenção. Queixam-se os trabalhadores. Queixam-se os contribuintes. A assessora de imprensa do Ministério das Finanças, Rita Tamagnini, já se pronunciou e garante que as condições actuais vão mudar.

Em tempos, as finanças da Maia estavam na Rua Dr. Carlos Felgueiras, onde hoje está a empresa Espaço Municipal, num espaço que foi recentemente remodelado e inaugurado. Quando lá estavam as finanças, as condições eram “deploráveis”, no entender de José Moreno. Agora é melhor, mas ainda não chega. Porque o mínimo que se exige, nas palavras do responsável sindical, é que “todos os edifícios públicos tenham a dignidade e as condições necessárias ao bom funcionamento”. Requisito não cumprido no “fisco” da Maia, pelo menos para já, apesar do espaço ter sofrido uma remodelação há relativamente pouco tempo, em Dezembro de 2008. No entanto, a representante do Ministério das Finanças, Rita Tamagnini, considera que “as condições actuais podem não ser consideradas as ideais pelos trabalhadores”.
Os problemas relatados até já provocaram algo mais do que mau estar. As más condições das finanças da Maia já obrigaram pelo menos a duas baixas médicas. Porque “cada caso é um caso”, diz José Moreno que “cada pessoa tem a sua sensibilidade e essas duas pessoas sentiram-se mal, e é prova de que algo está mal”. No rol de problemas de saúde estão algumas alergias e problemas respiratórios. Porque é difícil respirar “num aquário”, outro dos baptismos de José Moreno à actual repartição de finanças maiata. Cenário que vai mudar a curto prazo. De acordo com a assessora de imprensa do Ministério das Finanças, Rita Tamagnini, já está em curso “a concretização do arrendamento de algumas lojas disponíveis no espaço” contíguo às actuais finanças.

Além dos problemas de saúde dos colaboradores, há outros. Os problemas no “corredor da morte” são alguns. “A luz do dia não se vê e todos os aparelhos de ventilação que lá existem estão a precisar de manutenção”, alerta José Moreno. “Isso tem de existir. Essa manutenção é necessária. Não sei como é que são feitos os contratos na Direcção-Geral de Impostos, mas a manutenção não está a ser feita”, denuncia o sindicalista. E como se o cenário não fosse suficientemente obscuro, “começaram a aparecer também algumas infiltrações e rachadelas na parede”, revela José Moreno. Recorde-se que no espaço actual a repartição de finanças da Maia vive paredes-meias, literalmente, com o parque de estacionamento central da Maia que, na opinião do responsável sindical, é o culpado por esses danos estruturais. Em defesa do Ministério das Finanças, Rita Tamagnini garante que esse problema de falta de luz natural vai ser solucionado com a já referida aquisição das lojas, viradas para o exterior, e que vão permitir a entrada de luz natural. Mas por enquanto, a qualidade do ar, como já foi dito, é outro problema. Lembra José Moreno que “em tempos foi encomendado um estudo ao ar respirado nas Finanças da Maia mas os resultados foram positivos”. No entanto, critica a altura do dia em que as medições foram feitas, bem cedo, de manhã, e lamenta que o estudo não tenha ido avante em horas de maior fluxo, no pico de funcionamento da repartição de finanças maiata.

Postos todos estes problemas, garante o representante a norte do Sindicato dos Trabalhadores de Impostos que vão continuar a lutar para que todas as condições mínimas de trabalho sejam cumpridas. Para o bem-estar dos trabalhadores das finanças mas, lembra José Moreno, também para os contribuintes que utilizam todos os dias as repartições. Problema a ser solucionado em breve. O executivo promete obras, cujos projectos já estão em análise pelos próprios serviços de finanças e de instalações da Direcção-Geral de Impostos.

Pedro Póvoas

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