Conversa sobre igualdade de género

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“A mulher nos Media” com Jorge Gabriel e Sónia Araújo, foi uma iniciativa online da Câmara da Maia para assinalar o dia internacional de mulher.
A conversa online transmitida, no dia 8, à noite, foi moderada pela vereadora com o pelouro da Igualdade de Género, Marta Peneda.

Sónia Araújo foi a primeira a abordar o tema e afirmou que, se há alguns anos, não considerava muito interessante a celebração deste dia, por parecer que a mulher estava a ter um estatuto especial e precisar de um dia para ser lembrada, a verdade é que, hoje em dia, entende que é uma data “importantíssima para, por um lado, lembrar tudo o que a mulher conseguiu ao longo dos últimos anos, e por outro, recordar tudo o que é preciso ainda conquistar para a igualdade de género”.

O facto de ser uma presença diária na televisão dá um poder e uma responsabilidade para o alerta para os direitos da mulher, “ou melhor, como gosto de lembrar, os direitos humanos”, frisou Sónia Araújo.

“Na verdade, se não houvesse este Dia, continuávamos a não discutir todas estas temáticas importantes para a igualdade, não havendo o alerta de consciências, pelo que é muito importante continuar a ter estes debates a nível mundial”, afirmou a co-apresentadora da “Praça da Alegria” na RTP.
Sónia Araújo lembrou que, se no mundo ocidental, “a mulher já conquistou muitos direitos, noutros países é preciso não esquecer que ainda se luta pelo respeito mais básico da vida humana, ainda se fala em mutilação genital, o acesso à educação, etc”.

Jorge Gabriel, o co-apresentador da “Praça da Alegria”, referiu-se a uma escolha para cargos pelas competências e não pelo género da pessoa como uma das suas lutas como cidadão. “Para além deste dia as mulheres devem manifestar-se com veemência”, defendeu Jorge Gabriel, que assume “uma grande tristeza” e “alguma estupefação” por isso não acontecer.

O convidado afirmou ainda que “o 25 de abril é muito mais significativo para as mulheres portuguesas do que por exemplo este dia 8 de março.
E explica porquê: “este 8 de março é um dia em que as mulheres russas foram para a rua pedindo direitos e número de horas de trabalho iguais relativamente aos homens, que exerciam exatamente a mesma função; que viria a dar origem uns anos mais tarde à revolução russa, em 1917”. Mas se compararmos os direitos das mulheres antes e depois do 25 de abril, há dados de comparação importantes.

Por exemplo, a mulher e seus filhos eram “propriedade do homem”; “o marido tinha direito de abrir a correspondência endereçada à mulher se assim o entendesse”. O próprio “direito de voto” foi conquistado pelas mulheres não há muito tempo, em 1931 (em Portugal).

Na opinião de Jorge Gabriel, “o mais importante espaço onde as mulheres têm de reivindicar os seus direitos é no seu dia-a-dia, tudo começa em casa, onde educam os seus filhos”. Em vez de uma educação diferenciada, deve existir uma educação para a igualdade de género, defendeu o convidado.

Um aspeto da conversa que recebeu o aval da colega de profissão. “A educação deve ser dada da mesma forma a filhos e filhas”.

De recordar que no dia 8 de março, também o presidente da Câmara da Maia, Silva Tiago, difundiu uma mensagem sobre esta data.

O autarca recordou que “na transição para a sociedade industrial foram as mulheres que correram às fábricas sem descuidar da casa e dos filhos, tarefas para si sagradas. Nos nossos dias, de transição para uma economia de serviços, de democratização do ensino, mais uma vez as mulheres assumiram a sua preponderância nas universidades, nos tribunais, na política e nas empresas sempre com uma energia inesgotável e inovadora.”

Silva Tiago diz não ignorar que o exemplo da Maia não é o retrato do mundo e que, mesmo por cá, ainda subsistem bolsas de ignorância e imbecilidade contra as quais é nosso dever lutar todos os dias. Por isso, assinalamos o Dia Internacional da Mulher”.

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