Cooperativa Agrícola da Maia: A cooperar há 40 anos com os agricultores

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Cooperativa Agrícola da Maia
Cooperativa Agrícola da Maia_Foto ASantos
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Américo Soares está ligado à Cooperativa Agrícola da Maia há nove anos. Foi vice-presidente durante dois mandatos. Nos últimos três anos tem desempenhado a função de presidente da direção. Conduziu a Cooperativa à modernização e proximidade a uma comunidade cada vez mais consciente da importância da agricultura e da qualidade dos produtos produzidos nas terras da Maia.

Um grande salto nestes últimos anos e que contribuiu para o franco desenvolvimento da instituição e consequente dinamização de serviços junto dos associados foi a inauguração, em 2009, da nova sede, na rua Agra da Portela.

“Foram as maiores obras jamais feitas na Cooperativa, que modernizaram a instituição e contribuíram para uma maior abertura à comunidade. A Cooperativa encontra-se numa cidade moderna e também tem que acompanhar essa modernização para crescer e ter negócios mais vantajosos entre sócios e não sócios. Desde aí houve um grande salto na imagem e na faturação desta Cooperativa que está a completar 40 anos”, recordou Américo Soares.

Um dos eventos que também ajudou a impulsionar a maior proximidade entre a Cooperativa e seus associados junto da comunidade maiata foi a Feira Agrícola. Este ano, realizou-se a quarta edição de uma “mostra inédita em que os produtores têm o seu espaço para exporem a tradição das casas agrícolas da Maia”.

Mostra Agrícola traz visibilidade para Cooperativa e produtores

“Ano após ano, a Mostra Agrícola tem sido um sucesso”, com “cada vez mais gente a visitar-nos” e as vendas já “pesam de forma significativa nos negócios dos nossos associados”, sublinhou o presidente da Cooperativa, que, desta forma, divulga cada vez mais a associação de cerca de 700 agricultores. “Não podemos ficar fechados dentro de portas, porque quanto mais visibilidade tivermos, mais negócios poderemos ter para a instituição e seus associados”, referiu.
Dezenas de agricultores expõem os seus produtos e serviços na Mostra Agrícola. No início, a forte componente era dos produtores de leite, sendo que, agora, já existem também muitos expositores de hortícolas e frutícolas, que são produções que já têm maior expressividade no concelho.

Interação com população com pingo direto e showcooking

Os produtores desenvolvem diversas atividades para promover os seus produtos. Já é uma tradição ser servido o pingo diretamente dos animais presentes na feira. As famílias podem ir tomar o pequeno-almoço e provar ou recordar, no caso dos mais velhos, o sabor do leite acabado de sair da ordenha da vaca. O leite é fervido na feira e depois servido às pessoas, simples ou com café. É uma iniciativa que costuma tem muitos adeptos com muitos avós a levarem os netos para verem de perto os animais e provarem o leite fresco. Américo Soares garante que o leite é “um produto excelente e dos mais controlados na nossa agricultura”.

Américo Soares

Os produtores hortícolas também tiveram atividades demonstrativas dos seus produtos, pois todos os dias houve showcooking. Os chefs confecionaram ao vivo diversas receitas para degustação, tendo por base os produtos da terra da Maia, pois “temos terras férteis e excelentes produtos”.

Uma novidade na Mostra Agrícola foi o aparecimento dos representantes da “nova vaga de agricultores, que produzem morangos, mirtilos, framboesas e kiwis”. Américo Soares apontou que se tratam de novos agricultores “com uma formação específica, dado que são produtos cultivados em estufa, que necessitam de cuidados mais sofisticados”.

Crise no leite deu lugar a nicho na produção frutícola

Este “novo nicho de produção agrícola surgiu na Maia nos últimos 10 anos”, com o declínio da produção leiteira que se verificou desde então. “Temos grandes produções de leite com alguma dimensão e tecnologia avançada, mas algumas das produções mais pequenas não conseguiram continuar a produzir e as pessoas tiveram que se adaptar, enveredando pelos hortícolas. Acontece ainda que alguns jovens, fruto da dificuldade de empregos, e que dispõem de algumas terras, que eram dos pais, resolveram avançar para produções de mirtilos ou morangos, já que 1 ou 2 hectares pode ser pouca área para produção de leite, mas já dá para receber produção frutícola”.

Este “nicho de mercado” tem condições para ter sucesso, de acordo com o presidente da Cooperativa Agrícola da Maia, que está convencido que poderá “ser criada uma dinâmica de negócio com uma boa feira de frescos, como em grandes cidades da Europa, que fazem feiras ao fim de semana. A IV Mostra Agrícola e a I Hortíssima são exemplos de que há uma dinâmica e uma nova mentalidade que podem alavancar esse projeto. Eu lembro que as pessoas chegavam à Hortíssima e cheiravam os produtos, por isso, as pessoas estão abertas a comprar produtos frescos, longe das luzes do supermercado”.

Américo Soares não tem ainda uma data definida para apontar para o arranque dessa feira regular de produtos hortícolas da Maia, porque depende da vontade da Câmara Municipal, sendo certo que a parte logística e de reunião de esforços da Cooperativa e seus associados para essa realização está preparada. “A Hortíssima foi a alavanca que faltava”, frisou.

Cooperativa prepara-se para lançar loja self-service

No que respeita aos serviços prestados pela Cooperativa aos associados, Américo Soares afirma com orgulho que é a “cooperativa da região de Entre Douro e Minho que pratica os preços mais baixos no fornecimento de produtos aos agricultores, fruto de uma política de gestão de preços muito apertada”. Diz o presidente da Cooperativa da Maia que “todos os associados recebem no fim do ano 2% daquilo que pagam a pronto pagamento ao longo do ano; distribuímos sempre 40 mil euros por ano pelos sócios”.

Outra vantagem dada aos agregados à Cooperativa é o escoamento dos seus produtos. A instituição vende produtos agrícolas a associados e público em geral e dá prioridade, nas compras, aos produtos dos sócios. A procura tem sido crescente e Américo Soares anuncia que está projetado para breve a abertura do sistema self-service na loja, nas instalações da Cooperativa, para que haja maior comodidade da comunidade na aquisição dos produtos, diminuindo o tempo de espera. “Ao sábado de manhã há um fluxo enorme”, frisou.

Algumas indústrias estão a “denegrir imagem do leite”

Américo Soares defende o incremento da profissionalização dos agricultores, salvaguardando que “o pior na crise do sector leiteiro já passou”.
O presidente da Cooperativa apontou os principais motivos dos problemas neste sector: fim das quotas leiteiras e embargo russo aos produtos lacticínios. Mas, acima de tudo, a grande arma apontada ao leite é a guerra aberta que é feita pelas indústrias diretamente concorrentes, que não fazem mais do que “denegrir a imagem do leite”. Campanhas idênticas, aponta, “aconteceram há alguns anos contra o azeite, quando certas indústrias de óleos vegetais se queriam implantar no mercado”.

Américo Soares não aceita a campanha de que o leite de soja vem substituir o leite de vaca. E explica que, por um lado, “o leite de vaca é uma produção de excelência, muito controlado e fiscalizado em termos de qualidade sanitária” e, por outro, “a maior parte do leite de soja que está a ser vendido é produzido a partir de soja, maioritariamente, de origem transgénica”. Assim, sublinha, “as pessoas, muitas vezes, desconhecem alguns factos e absorvem muitas campanhas negativas” que têm origem em guerras de indústrias.

Universo da Cooperativa da Maia

  • Funcionários: 15
  • Associados da Cooperativa: 700
  • Produtores de Leite: 40
  • Nível de produção de leite: 5 Milhões de euros

Serviços da Cooperativa

  • candidaturas aos subsídios das explorações
  • sanidade animal
  • inseminação artificial
  • formação profissional
  • palestras/visitas técnicas
  • análises laboratoriais
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