Das cantinas aos cabazes, Misericórdia da Maia pronta a ajudar

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O governo anunciou o fim das cantinas e a sua substituição pela distribuição de cabazes, com carne, peixe e legumes congelados. Na Maia, a Misericórdia vai continuar a dar apoio alimentar a quem precisa.

De qualquer forma, a secretária de Estado da Segurança Social, Cláudia Joaquim, assegurou que os idosos e os sem-abrigo vão pode continuar a contar com a ajuda alimentar. Quem provar que não tem condições para a confeção das refeições em suas casas poderá continuar a usufruir da cantina.

A Provedora da Santa Casa da Misericórdia da Maia diz que é uma questão da instituição se adaptar a novas regras e não vê qualquer problema na alteração do método de apoio aos mais carenciados.

Medida “dignificante”

O presidente da CNIS – Confederação das Instituições de Solidariedade, padre Lino Maia, considera que esta é “uma boa medida”. A substituição das cantinas sociais por distribuição de cabazes alimentares torna o apoio “mais dignificante”, pois as pessoas podem confecionar refeições em casa. Lembra que “era um programa de emergência, situado no tempo, não era para se eternizar”, até porque “é mais dignificante que quem pode confecionar a refeição o faça”, pois é também uma maneira de a pessoa “se ir valorizando”.
A distribuição de alimentos será feita através do Fundo Europeu de Auxílio a Carenciados (FEAC) e irá beneficiar cerca de 60 mil pessoas.
Os beneficiários vão receber cabazes alimentares, que integram na sua composição carne, peixe e legumes congelados, com o objetivo de cobrir as suas necessidades nutricionais diárias em 50%, de acordo com a informação fornecida pela secretária de Estado da Segurança Social.

Misericórdia da Maia tem duas cantinas

Maria de Lurdes Maia, Provedora da Misericórdia da Maia, lembra que há vários anos que a instituição tem em funcionamento duas cantinas sociais nos centros comunitários de Vermoim/Sobreiro e de Vila Nova da Telha, “de forma a servir os dois extremos do concelho, pelo que, quando o Centro Distrital de Segurança Social quis implementar o Programa de Emergência Social e questionou as instituições se poderiam participar, nós dissemos que sim, porque já tínhamos cantinas em funcionamento e é nossa política a disponibilidade para ajudar em qualquer projeto dentro das nossas possibilidades”.

Assim, recordou a Provedora, foi feito um protocolo em que se começou por servir refeições a 70 utentes no CC de Vermoim/Sobreiro e 65 no de Vila Nova da Telha. O protocolo já foi renovado e, nesta altura, continuam a ser servidas 69 refeições na cantina de Vermoim/Sobreiro, enquanto que em Vila Nova da Telha já são servidas 71.

Maria de Lurdes Maia

Misericórdia não terá dificuldades de se adaptar à mudança

A Santa Casa da Maia vai continuar a servir refeições até receber novas indicações, tendo em conta que o protocolo com o CDSS está em vigor até junho deste ano. Ainda assim, Maria de Lurdes Maia refere que já se informou pela comunicação social de que está previsto abrirem em março concursos para as instituições se candidatarem à distribuição de alimentos.

Assim, “vamos aguardar sendo certo que estamos sempre disponíveis para ajudar dentro das nossas possibilidades”, tratando-se agora de “uma questão de adaptação a novas regras, porque estamos sempre abertos para ajudar a população”.

A Provedora da Misericórdia da Maia refere que a maioria das pessoas que recorria às cantinas da instituição sempre foi gente que “em 99,9% dos casos não tinha condições para confecionar a sua refeição em casa”. E confirma que, com a abertura do programa de emergência alimentar pelo Estado, as cantinas começaram a ter uma maior afluência de utentes, embora não possa precisar os números.

No que respeita à vertente qualitativa da alteração do apoio alimentar para cabazes, a Provedora concorda com a ideia da dignificação da pessoa, que é um princípio que a Misericórdia da Maia “sempre teve no apoio que prestou: sempre tivemos muita cautela para preservar as pessoas, a sua dignidade e a sua privacidade”.

Instituição tem experiência na distribuição de cabazes alimentares

Por outro lado, a Provedora considera que não haverá qualquer impacto na instituição com esta mudança nos sistemas de apoio alimentar, dado que a Misericórdia tem vindo a atuar, nos últimos tempos, precisamente nas duas modalidades. Lurdes Maia explica que, “em parceria com o Banco Alimentar, sempre distribuímos cabazes, e ultimamente, com o reforço financeiro concedido pela Câmara Municipal, foi aumentada essa distribuição de cabazes de alimentos. Isto sempre a par da distribuição de refeições nas cantinas. Assim sendo, já há muito que trabalhamos nos dois sistemas e não teremos problema algum em nos posicionarmos em qualquer um deles daqui para a frente”.

Misericórdia espera compensações pelo aumento do Salário Mínimo

O aumento do salário mínimo é outra medida a que as Misericórdias e as IPSS (Instituições Particulares de Solidariedade Social) estão atentas, dado que implica um esforço acrescido muito difícil e “complicado”.

A Misericórdia da Maia tem 400 colaboradores e a atualização de salários, tendo em conta a subida do Salário Mínimo, implica “custos muito elevados que não temos condições para suportar”, refere Maria de Lurdes Maia.

A Provedora confirmou ao Primeira Mão que a Misericórdia da Maia já está a “cumprir com esta alteração no mês de janeiro, o que acarreta um aumento significativo da despesa”. Ainda assim, não há razões para pessimismo, explica a Provedora, “até porque o padre Lino Maia, presidente da CNIS, e Manuel Lemos, o presidente da União das Misericórdias Portuguesas, já vieram a público defender a posição das instituições e já tiveram reuniões com o Ministro da tutela”.

Destas diligências, diz “vai havendo sinais de que poderá ser estudada uma possibilidade de nos protocolos de cooperação o governo fazer uma atualização extraordinária para transferir mais verbas e assim compensar as instituições como a nossa”.

Lurdes Maia adianta que a informação que tem, neste âmbito, é que “no final da primeira semana de fevereiro, poderá já estar pronto um novo modelo de protocolo com as instituições de solidariedade”.

Angélica Santos

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