Desafios da Educação para a União Europeia

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Desafios da educação em Portugal
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“Precisamos de conteúdos programáticos mais perenes para que os docentes fixem modos eficazes de construir a aprendizagem dos seus alunos. Precisamos também de avaliações que permitam uma avaliação prévia e contínua da comunidade escolar, porque a avaliação faz-se na escola, mas prepara-se também em casa”. A análise é de Felisbela Lopes, investigadora da Universidade do Minho e foi apresentada no dia 18, no auditório do Colégio Novo da Maia.

No âmbito de uma seminário sobre os “Desafios da Educação e do Conhecimento para a União Europeia”, que contou ainda com José Luís Carneiro, secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Felisbela Lopes abordou algumas problemáticas na educação em Portugal relacionadas com o ambiente de “instabilidade” ao nível de programas (ou de conteúdos) e de avaliações.

Especificou alguns aspetos negativos: “os anos letivos não podem e não devem ser continuamente pontuados por sobressaltos nas datas de exames ou nos formatos de avaliação. Precisamos também da estabilidade dos docentes desde o pré-escolar ao ensino superior, pois os estudantes não devem ser continuamente surpreendidos por novos docentes, que fazem da sala de aula o laboratório de experiências quase sempre com maus resultados”.

A fórmula mágica

Felisbela Lopes expressou o que considera ser o sentimento geral dos professores de todos os graus de ensino: “sentimos que ainda não foi encontrada uma forma eficaz de avaliação e era importante que essa fórmula mágica fosse descoberta, porque todo este processo retira-nos do essencial das nossas funções – ensinar a aprender”.

José Luís Carneiro recordou algumas linhas estratégicas na União Europeia (UE) no que respeita à Educação, que é encarada “entre as diversas famílias políticas europeias enquanto factor de valorização humana”, portanto, uma visão que vai mais além de um olhar simplista da qualificação das pessoas como factor de desenvolvimento da economia.

O governante salientou também que a “Europa procurou com a declaração de Lisboa 2000 afirmar algumas linhas que visavam a vontade de assumir a Europa como uma economia baseada no conhecimento, que fosse simultaneamente sustentável em termos ambientais e sociais, visando a integração social”.

Cidadania global

Assim, José Luís Carneiro olha para o presente e futuro indicando que o desafio europeu é “preparar as crianças para uma cidadania global”. O paradigma de sociedade alterou-se de forma rápida nos últimos anos, refletiu, “veja-se a revolução que foi o fax no comércio internacional” e a mobilidade facilitada que existe, hoje, proporcionada pelos transportes e pelos meios de telecomunicações.

Ainda assim, essa cidadania global deve continuar a “alicerçar nos padrões dos valores fundamentais dos direitos de humanidade, entretanto aperfeiçoados, nos direitos ambientais, nos direitos sociais e numa consciência coletiva de que apenas poderemos evoluir, se evoluirmos sem profundas assimetrias, que são indutoras de grandes conflitos sociais e, por vezes, militares”, defendeu José Luís Carneiro perante uma plateia atenta de jovens estudantes e encarregados de educação.

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