Diana Ferreira a jovem maiata apaixonada pelo cérebro

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A jovem cientista maiata, Diana Ferreira, está envolvida num processo de doutoramento e, nesse âmbito, faz parte de uma equipa cujo trabalho científico já deu resultados muito promissores para a humanidade, sobretudo para pessoas que sofrem da doença de Parkinson, que é muito incapacitante.

Diana Ferreira e a equipa que integra no Instituto de Medicina Molecular em Lisboa foram responsáveis por uma importante descoberta, que já foi alvo de um artigo publicado na revista “Nature Neuroscience”. Diana Ferreira explicou que o estudo prende-se com o facto de terem “descoberto a via de sinalização, isto é, um dos mecanismos que estão por trás do défice cognitivo da doença de Parkinson”.

Em criança Diana queria ser “cientista louca”

O percurso de Diana Ferreira ligado à investigação científica, começou desde muito pequenina, como contou em entrevista à Rádio 5: “desde pequenina que me lembro de apanhar ervinhas e cogumelos e de gostar de os estudar e dissecar, ou seja, desde novinha que dizia que gostava de ser cientista, e acrescentava que queria ser cientista maluca, porque achava que ser cientista não bastava, tinha que haver ali uma dose de loucura para a coisa funcionar.

Aqui a loucura significa sermos bastante curiosos e arriscarmos um pouco por caminhos que, por vezes, podem parecer um bocadinho escuros e não se sabe onde vão desembocar”.

E é preciso persistência, frisa Diana Ferreira, “toda a gente que faz o doutoramento nestas áreas sente isso na pele, estamos a desbravar um terreno que não é com conhecido, pois nós começamos e achamos que é por ali, fazemos aos testes com aquela proteína, os resultados dão todos negativos, muitas vezes temos que voltar à estaca zero para encontrar o caminho certo”.

Mas os jovens cientistas vão aprendendo a não desanimar e entendem que “resultados negativos, são efetivamente resultados”.

Trabalho científico também implica criatividade

Assim, o trabalho científico é um trabalho criativo, admite Diana Ferreira, “temos que nos preparar muito bem antes, pois temos que conhecer a literatura científica, mas à medida que a história vai sendo construída e que vamos descobrindo novos personagens, a história vai mudando. Às vezes é preciso muita criatividade para tentar imaginar se podemos ir por ali por esse caminho.

Há muitas perguntas que surgem e, por isso, temos que fazer o chamado ‘brainstorming’, em que juntamos o grupo todo e tudo é posto em causa, toda a gente vai dando opinião e surgem coisas muito interessantes deste turbilhão de ideias”.


O cérebro é apaixonante

Diana Ferreira fala com verdadeiro entusiasmo do seu trabalho e afirma mesmo que “quem está nesta área tem que ter muita paixão”.

Para ela, o cérebro humano é o que sempre a seduziu: “sabia que queria estudar neurociências, porque se perguntar como funciona o coração ou os pulmões, toda a gente tem uma explicação simples, mas se perguntar como funciona o cérebro já não será tão unânime. Por outro lado, se tiver um problema cardíaco e receber um coração novo, eu serei a mesma Diana, mas se tiver que substituir o meu cérebro, onde é que fico… a questão da consciência é muito curiosa…”

A jovem encara como um grande desafio para os cientistas o diálogo entre os investigadores científicos e a sociedade, o que pode levar “a uma descrença na ciência, por falta de conhecimento do trabalho que é feito na investigação”, afirma Diana Ferreira. As coisas começam a mudar e os próprios cientistas têm vindo a procurar comunicar mais e de forma mais eficaz.

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