E se um avião caísse perto de nós?

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Não aconteceu, mas podia ter acontecido. A zona envolvente à estação do Metro do Porto de Modivas Sul foi o palco escolhido para um simulacro que recriou a queda de uma aeronave de grandes dimensões. A tarde ventosa do passado sábado serviu como ensaio para uma possível catástrofe. Para o exercício "Águia 10", do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) do Porto, foram movimentados todos os meios possíveis para socorrer os "sinistrados" do "acidente".

 

Porque o seguro morreu de velho, o simulacro realizou-se na zona de protecção do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no local mais provável de sofrer com a queda de uma aeronave. O local, que não foi escolhido ao acaso, situa-se a cerca de três quilómetros da principal pista de aviação do Norte do país e foi invadido por meios de socorro logo após o início do exercício, alguns minutos depois das 15h00. De todo o distrito vieram cerca de quatro centenas de operacionais, que se movimentaram em mais de uma centena de viaturas de socorro.

Além do contingente de socorro, estiveram no local os "feridos". Ao todo, foram cerca de centena e meia os figurantes que se distribuíram à volta do "avião" acidentado. Entre aspas porque a aeronave consistia numa fileira de três autocarros antigos, cedidos pela Sociedade de Transportes Colectivos do Porto. Mas os pormenores não foram deixados ao acaso. Junto ao "corpo" dos autocarros, foram improvisadas as duas asas e os "flaps" traseiros. Nem o pormenor do código de registo do "avião" ficou esquecido: CS-1303, numa alusão à data do simulacro.

Tudo se assemelhava a um acidente real. Nem os mirones faltavam. A princípio, alguns assistiam calados. Mas com a chegada da comunicação social, o cenário mudou. Gritos, salvas, "filma aqui, quero aparecer na televisão". Ao aparato também não ficavam alheios os passageiros do Metro do Porto, que passava mesmo ao lado do "sinistro", ainda que a velocidade reduzida, por razões de segurança.

Como o "acidente" ocorreu numa área com alguma florestação, foram também simulados, de forma controlada, pequenos focos de incêndios florestais. Não tardou muito para que a envolvente ao avião improvisado estivesse coberta de fumo. Quem não queria ajudar era o vento. Soprava de Norte, como é habitual por aquelas paragens. E com muita intensidade. O fumo não levantou e "cobriu" toda a gente num espesso manto. Caso para dizer que o fumo quando não levanta é para todos. A situação acabou por gerar cuidados acrescidos para os presentes, principalmente na zona de triagem em tendas montadas pelo Instituto Nacional de Emergência Médica, que estava a ser flagelada pelos fumos intensos, tanto dos pequenos fogos florestais como do próprio "avião".

E enquanto muitas ambulâncias de pontos mais remotos do distrito do Porto, como Lousada, Vila Meã, Baltar, entre outras localidades do limite do distrito se "amontoavam" nas estreitas vias de acesso ao local do acidente, o coronel Teixeira Leite, garantia que tudo estava a correr "na normalidade", não fosse o que já foi escrito. "Houve um congestionamento temporário nas artérias que nos conduzem até ao local do acidente, mas isso foi prontamente resolvido", contou o responsável pelo "Águia 10". Aproveitou também para esclarecer dúvidas sobre a escolha do local: "A maior probabilidade de ocorrer uma queda de uma aeronave é à descolagem". Teixeira Leite pediu "desculpa" aos habitantes de Vila do Conde, mas adiantou que "se tiver que ocorrer um acidente que seja aqui, porque a urbanização é reduzida e dispersa". O mesmo não acontece na zona Sul do Aeroporto do Porto, "onde a urbanização é bastante mais densa".

Atenta ao teatro de operações estava também a Governadora Civil do Porto, Isabel Santos. "Tudo aconteceu dentro do previsto e da normalidade, sem falhas, mas é natural que se o acidente fosse real, pudesse acontecer uma ou outra falha. Temos que fazer a distinção entre uma situação simulada e uma real", acautelou Isabel Santos. Para a Governadora Civil, "este exercício é [foi] de extrema importância, porque os meios têm de estar preparados para fazer face a estas situações. Esperemos que nunca aconteça na realidade, mas se acontecer espera-se uma reposta atempada, rápida e eficaz", concluiu Isabel Santos.

A meio da tarde, quando o ponteiro das horas já se aproximava das 17h00, sensivelmente duas horas depois do "sinistro", o CDOS do Porto revelou também que o INEM já tinha encaminhado 32 feridos para os hospitais, num transporte que começou vinte minutos depois do início do sinistro, que se deu quando faltavam 10 minutos para as 16h00.

3 COMENTÁRIOS

  1. Os simulacros são importantes para testarem a capacidade de resposta e a aplicação na prática do conhecimento de planos préviamente elaborados para responder a determinados possiveis acidentes. E a queda de um avião é sempre tão possivel quanto indesejável. Por isso a oportunidade da realização do simulacro. O que já não se compreende bem é o facto de terem sido mobilizados 47 Cortpos de Bombeiros do Distrito do Porto, alguns de bem longe com por exemplo Baião, e não tivessem sido mobilizados Bombeiros de Espinho mesmo ali ao lado e só por serem de outro Distrito. As quintas têm que acabar e os acidentes acontecem quando têm que acontecer e nos locais por vezes mais inverossimeis, não olhando naturalmente a fronteiras. Por outro lado seria bom que este tipo de simulacro não fosse pré anunciado para se testarem mesmo na realidade a capacidade de resposta das mesmas forças. Alguém imagina como é que a Cruz Vermelha foi a 1ª a chegar. Será que ia a passar? E o INEM tão rápido a montar o Hospital de Triagem. Se fosse a sério seria mesmo assim? Até o Exército se comportou exemplarmente como é seu apanágio. Mas se fosse a sério, sem aviso, será que a sua prontidão era a mesma? Façam outro teste, no Verão, sim porque no Verão há mais aviões a operar, não avisem as várias forças intervenientes e logo verão a realidade dos factos. Isso é que era serviço.

  2. Gostaria de expressar aqui os meu apreço a todos os participantes neste simulacro, desde os agentes de protecção civil até aos figurantes, dando um voto de elogio à participação dos Núcleos da FNA de Região do Porto que assim responderam ao chamamento de participação, nem todos estivemos no teatro de operações, mas não nos devemos esquecer que a missão da FNA na Protecção Civil é ajudar a libertar os agentes para as suas missões e nós devemos dar apoio, acolhimento de vitimas, distribuição de bens, enfim, solidariedade. Uma forte canhota para todos, João Areias Deixo aqui um link caso queiram ver fotos do simulacro, fotos efectuadas por elementos da FNA.

  3. Fiquei estupefacto com o fórum ” bombeiros-portugal.net será permitido!? ” no qual se vê 1 foto do sr Teixeira Leite a passear a família num carro de serviço, caracterizado. Em vez de se concentrar nas suas obrigações como entidade da ANPC, usa o veículo de serviço (pago com os nossos impostos) para levar a família a ver a prova Red Bull Air Race. Já estamos habituados a ouvir e ler comentários sobre a sua incompetência como cmdt mas este abuso já é demais. Será que não há responsáveis que ponham termo a este (e outros) abusos? Será que também levou a família a ver o Carnaval que foi o simulacro?

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