EducarAfrica, ONG com sede na Maia, ajuda populações africanas há cinco anos

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Mário Gouveia é fundador e um dos responsáveis atualmente pela gestão da ONG (Organização Não Governamental) EducarAfrica, com sede na Maia. A organização foi fundada a 1 de Junho de 2011, Dia Mundial da Criança. E na raiz desta constituição da entidade sem fins lucrativos estiveram as preocupações com as lacunas no desenvolvimento e educação infanto-juvenil dos países africanos, em especial os de língua oficial portuguesa, a par do propósito de cooperar nas áreas da educação e da saúde materno-infantil.

Mário Gouveia referiu, em entrevista a Primeira Mão, que a aposta na Educação é fundamental em qualquer país, ainda mais quando se trata de um país africano, porque a ausência de apostas nesta área constitui “um dos grandes entraves ao desenvolvimento”.

E explica que a situação que constatou na Guiné-Bissau foi a de famílias completamente desamparadas no que respeita à educação dos seus filhos. O “Estado não presta qualquer apoio e não paga nem sequer aos professores, assiste-se a famílias que procuram, com esforço, pagar o salário do professor para que os seus filhos possam frequentar a escola”.

Governos alheios às necessidades do povo

A última vez que se deslocou àquele país africano, conta Mário Gouveia, foi em maio, altura em que o governo caiu. “Curiosamente, isso não teve grande impacto na população, apenas teve importância para os políticos. As pessoas continuaram com os mesmos problemas e a lutar por uma vida melhor. É que os governos na Guiné-Bissau não olham muito para o povo, não apostando em prioridades que vão de encontro às suas reais necessidades, como construir escolas, hospitais, e outras infraestruturas e equipamentos diversos”, acrescenta.

Em contrapartida, frisou o fundador da ONG da Maia, “vi a serem abertas valas para a colocação de fibra ótica, que era a grande prioridade do governo há uns meses”.

As populações vão sobrevivendo sem passar fome, referiu, porque “em África há sempre comida, felizmente, há muita fruta e todos vão aguentando”.

A EducarAfrica tem focalizado as suas ações de cooperação na Guiné-Bissau, especialmente em quatro aldeias ou “tabancas” (como são apelidadas naquele país). A ONG já conseguiu implementar alguns projetos simples, porém muito importantes para a subsistência e melhoria de qualidade de vida destas comunidades.

EducarAfrica melhorou a vida em quatro aldeias

Mário Gouveia adiantou que instalaram o projeto “Gota de Luz”; os desidratadores de alimentos; doação de medicamentos, mobiliário e manuais escolares; formação de médicos e enfermeiros; apadrinhamento de crianças; instalação de uma escola de formação profissional.

Neste momento está em curso precisamente a operacionalização de um protocolo já assinado entre a EducarAfrica e a Câmara de Comércio, Indústria e Serviços de Guiné-Bissau para a instalação em breve de uma escola de formação profissional, em Bissau. Mário Gouveia afirmou que há uma grande necessidade de formação a vários níveis, principalmente na área da Saúde e da Língua Portuguesa.

O ensino do português deve-se tornar uma prioridade, “pois a população fala na sua maioria e a grande parte do tempo em crioulo e deixa de parte o português”. Por outro lado, são observados casos de equipamentos, relatou Gouveia, como por exemplo, incubadoras doadas a hospitais, onde “ninguém sabe pô-las a funcionar e estão arrumadas a um canto”. Assim, a ONG já está em conversações com o Hospital de S. João para enviar médicos e enfermeiros para “darem formação e realizarem algumas cirurgias”.

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O responsável pela EducarAfrica acrescenta que o ensino de Medicina naquele país é ministrado à base de vídeos, como num sistema de telescola, deixando muitas lacunas. E recorda um estudante de medicina que “viu pela primeira vez um medidor de tensão arterial” aquando da entrega dos aparelhos pela ONG. A EducarAfrica apoia dois hospitais no norte da Guiné-Bissau, mas que ainda não têm bloco operatório, por isso, frisou Mário Gouveia, o apoio nesta área irá ser incrementado.

“Gota de Luz” e a iluminação gratuita nas casas

O projeto “Gota de Luz” foi muito fácil e simples de implemntar nas aldeias africanas, mas transformou por completo a vivência daquelas populações. Consiste em colocar uma garrafa de plástico transparente com água no telhado das casas, que, ficando metade de fora e outra metade no interior, consegue espalhar a luz solar e iluminar a casa, como se de uma lâmpada se tratasse. É uma forma simples e gratuita de ter luz, “porque as casas eram escuras para não deixar entrar o calor, mas esta singela ajuda que lhes demos, foi um salto qualitativo muito grande nas suas vidas”.

O desidratador de alimentos foi outro projeto muito importante para garantir a possibilidade de acesso aos alimentos durante a época das chuvas sem perderem qualidade. Foi “outro sucesso que deixou as pessoas mais felizes e com uma alimentação regular todo o ano”, frisou Mário Gouveia, que recorda ainda a entrega de medicamentos contra a malária e outro material de enfermagem, na Missão Católica de Susana, que tem um infantário, e que deu possibilidade de tratar as crianças e de evitar a propagação da doença.

Câmara da Maia apoiou com mobiliário escolar

Foram três as escolas já equipadas com mobiliário levado da Maia. Mário Gouveia revela que “a Câmara Municipal da Maia cedeu mobiliário excedente resultante da remodelação das escolas do 1º ciclo do município e que foi um apoio fantástico para as crianças guineenses”. Além deste apoio da autarquia, o responsável da ONG aproveitou para lembrar que a organização também é apoiada pela Unicer e pela Lipor, que têm contribuido para algumas campanhas em África.

Organizações e cooperantes devem ser mais apoiados

Este responsável lamenta, no entanto, que os cooperantes com os países africanos não sejam apoiados pelos consulados e embaixadas dos próprios países, “tendo que pagar as viagens, que são caras, os pacotes de vacinas ministrados (200€), bem como os vistos para viajar (60€)”.

O que vale para ajudar aos custos das viagens são os prémios que, por vezes, a ONG conquista com os seus projetos. A associação já foi finalista dos EWWR Awards em 2013 e 2014, com os projetos Gota de Luz e Educating with Energy, respetivamente.

Ser sócio da ONG custa apenas 1€ por mês

Todas as ajudas são bem recebidas pela EducarAfrica. Nesta altura decorre, por exemplo, uma campanha de apadrinhamento de crianças, em que a ONG pede 50€ anuais para custear a educação de uma criança na Guiné-Bissau. Qualquer pessoa pode ajudar. Por outro lado, também se aceitam parceiros e cooperantes  (particulares ou empresas) para a ONG. A adesão é simples, basta enviar uma mensagem pelo facebook da EducarAfrica e inscrever-se como associado, cuja quota anual custa 12€, uma média de 1€ por mês.

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