Epilepsia em discussão no Porto

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O Porto está a receber a 12ª Conferência Europeia sobre Epilepsia e Sociedade. Numa altura em que cerca de seis milhões de pessoas por todo o velho continente sofrem de epilepsia, a apresentação dos dados mais recentes sobre a doença por parte da Organização Mundial de Saúde aconteceu ontem, no Hotel Sheraton, no Porto.
Em destaque vai estar “a partilha de experiências das diversas organizações que tentam fazer o seu trabalho”, avança o presidente da Associação Nacional de Epilepsia, Nélson Ruão. O responsável alerta também para a necessidade de divulgação dos problemas da epilepsia, flagelo que considera estar “muito mais presente na sociedade do que se imagina”. Fruto desta necessidade, surgiu mais um encontro entre especialistas no Hotel Sheraton, que não se centrou meramente em aspectos clínicos, mas sim na vertente social da doença.
Embora os últimos anos tenham registado “uma melhoria enorme a nível da indústria farmacêutica”, Nélson Ruão considera que “ainda estamos muito longe de atingir ou de dizermos que a epilepsia está bem tratada”.
Mas o primeiro lugar em importância do congresso vai mesmo para o doente. “O que é importante para o paciente, o que pode ser feito para melhorar a sua qualidade de vida” é o mais significativo a ser discutido”. De acordo com Nélson Ruão o tratamento ideal para a epilepsia é a cura, mas há muitos casos em que as crises subsistem. Esta é a prioridade da ordem de trabalhos do encontro.

Números

Na Europa, há cerca de seis milhões de pessoas que sofrem de epilepsia, ou seja, cinco a sete por cada mil habitantes. É uma das desordens neurológicas mais comuns e cerca de 15 milhões de europeus vão ter ou já tiveram pelo menos uma crise epiléptica durante toda a vida. Por solo nacional, existem cerca de 50 mil casos registados de pessoas com epilepsia. No que diz respeito a gastos, a doença implica uma despesa de 20 mil milhões de euros anuais nas verbas dos sistemas nacionais de saúde por toda a Europa.

Pedro Póvoas