‘Escola XXI em 61 minutos’ defende ideia de “trazer o verde para dentro”

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“Trazer o Verde para dentro” foi o mote principal do terceiro encontro digital ‘Escola XXI em 61 Minutos’.

Uma iniciativa que surge no âmbito do INEDIT MAIA, numa colaboração entre a Câmara Municipal da Maia e o SINCLab – Social Inclusion Laboratory da Faculdade de Psicologia da Universidade do Porto.

Esta conversa decorreu no dia 25 de março e teve como oradora, Mariana Roldão, coordenadora do serviço educativo do ambiente na Fundação de Serralves, e como moderadora, a aluna do 11º ano da Escola Básica e Secundária Dr. Vieira de Carvalho, Maria Antónia Pereira.

A aluna do curso de Ciências e Tecnologias começa por referir que o mundo precisa de uma mudança. E segundo ela, talvez essa mudança seja simples. “Neste caso, refere-se ao facto de vermos a natureza de uma forma diferente e a valorizarmos tudo aquilo que o ambiente nos dá”.

Questionada sobre a importância de falar sobre a conservação e a preservação do meio ambiente no período em que vivemos atualmente, Mariana Roldão reflete que “estamos a viver um grande constrangimento que mudou a vida do ser humano. Este constrangimento obrigou-nos a rever e repensar conceitos que, para nós, eram verdades absolutas, nomeadamente o conceito de liberdade”.

A oradora acrescenta que a pandemia trouxe para a discussão questões muito importantes e novas formas de “reinventar a comunicação e o nosso trabalho, levando-nos a pensar aquilo que é preciso fazer e aquilo que ainda não foi feito”.

Face à pouca liberdade que adveio do confinamento, a coordenadora do serviço educativo da Fundação de Serralves explica que criar atividades em contexto familiar para promover a conexão com a natureza “foi um desafio difícil e desconhecido, mas, por outro lado, muito enriquecedor”. Foram criadas atividades simples, experimentadas pela equipa em casa e que depois eram partilhadas com o resto da população. Segundo ela, o desafio foi pensar “como fazer isto chegar a casa de todos, sem condicionar a liberdade que cada um possui, na sua individualidade familiar e em casa”.

Maria Pereira afirma que, como aluna na Escola Básica e Secundária Dr. Vieira de Carvalho, está “verdadeiramente feliz” por ter acesso a bastantes espaços verdes. No entanto, urge a necessidade de “uma maior proximidade com a natureza e com o ambiente”.

O papel das instituições, como a Fundação de Serralves, é fundamental na criação de uma maior consciência em torno das questões ambientais e, segundo Mariana Roldão, existem alguns projetos no âmbito da dinâmica biológica.

Exemplo disso, é o projeto ‘Con(s)CienciaArte’, implementado pela Fundação e que reúne o conhecimento “de forma integrada e dirigida às escolas”. Segundo a oradora desta conversa virtual, “levar a linguagem ambiental aos estabelecimentos é um grande desafio, tanto para a Fundação, como para quem a está a receber. Existe uma troca, muito semelhante ao que acontece na natureza, e nesse processo entra a nossa missão de trabalhar a educação de forma diferenciada e respeitando sempre as especificidades do público”.

Mariana Roldão refere que a cidade da Maia é um dos grandes exemplos em Portugal, pois foi pioneira no tratamento das questões ambientais. “A Câmara Municipal da Maia teve um papel muito importante, no sentido de chamar o cidadão a entender para o que é que estava a ser sensibilizado a participar”, afirma. “Convida pessoas, envolvendo todos os nichos, como a comunidade educativa e a restauração, em estratégias ambientais muito importantes e que hoje marcam a diferença deste município em relação a outros”.

A moderadora aproveita também para elogiar o projeto ‘Escola XXI em 61 minutos’, dizendo que “este ciclo de conversas que tem sido comunicado e disponibilizado deu às pessoas a oportunidade de ouvir perspetivas completamente diferentes”. Perspetivas estas, que “são importantes e que acrescentam”, explica.

“Se o mundo acabasse amanhã e tivesse que lhe escrever uma carta, quais as principais palavras que lhe diria?”

À eventualidade de o mundo “acabar amanhã”, Mariana Roldão afirma que “agradecia o privilégio da experiência”, concluindo a sua reflexão com a palavra “gratidão”.

Segundo a oradora, “trazer o verde para dentro, é como tudo… só entramos, se nos permitirmos entrar. E quando permitimos que as coisas entrem, percebemos o quão significantes elas são e que estamos, assim, também a cuidar de nós. Esse é o primeiro passo para cuidarmos do resto”.

Mariana Roldão acredita que a pandemia veio transformar mentalidades, assegurando que “compete-nos a nós cuidar e ter precaução para não voltarmos a cometer erros. Percebemos que a ação humana tem um papel fundamental, pois nós somos responsáveis por vários constrangimentos que, atualmente, fazem as causas ambientais serem tão debatidas”.

Para Maria Pereira, a jovem moderadora deste debate, “como cidadãos devemos procurar a mudança. Devemos utilizar várias formas de expressão como motivação para nos aproximarmos mais das questões ambientais e da sustentabilidade, tal como o município da Maia procura fazer”.

A isto, Mariana Roldão acrescenta que “não existem constrangimentos à nossa liberdade de imaginação e que, por isso, todos devemos continuar a sonhar. Temos de encontrar recursos em nós e, depois, à nossa volta”.

Para rematar a conversa, a oradora faz um apelo à transformação. “Eu acho que a palavra para este momento é a transformação e, aqui, o processo criativo é determinante. É a enzima que vai despoletar o crescimento e aquilo que desejamos que aconteça”.

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