Estudo sobre Metro do Porto abre porta a metrobus na linha ISMAI-Trofa e 2ª linha da Maia

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imagem arquivo PM

Porto, 20 out 2020 (Lusa) – O presidente da Área Metropolitana do Porto (AMP) afirmou hoje que o estudo de expansão do Metro do Porto abre a porta a uma “solução híbrida” para a ligação ISMAI-Trofa, com metro e metrobus, apesar da pouca viabilidade financeira.

“Acho que vai ser possível, apesar dos resultados menos positivos [em termos de procura potencial], que parte da linha da Trofa seja em metro e possamos ter o resto eventualmente em metrobus”, revelou Eduardo Vítor Rodrigues, em declarações à Lusa, acrescentando, contudo, que esta solução dependerá de haver “mais ou menos dinheiro”.

O estudo encomendado ao Instituto da Construção da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto foi esta terça-feira, dia 20, apresentado aos autarcas que assinaram, em 21 de fevereiro, o protocolo para consolidação da expansão da rede de metro no Grande Porto e metrobus, tendo participado nesta reunião o secretário de Estado da Mobilidade, Eduardo Pinheiro, e o presidente da Metro do Porto, Tiago Braga.

Estudo aponta linha ISMAI-Trofa e 2ª linha da Maia com procura modesta

No documento, a que a Lusa teve acesso, refere-se que a ligação ISMAI-Trofa, assim como o eixo Maia II (continuação da linha D a partir do Hospital de São João com término e ligação da estação Parque Maia), encontram-se no último patamar em termos de procura potencial, apresentando valores “bastante modestos comparativamente com todos os outros eixos em análise”, pelo que se sugere, caso seja possível, a adoção de uma solução metrobus em vez de metro.

Recorde-se que a “2ª linha da Maia”, no estudo contempla onze novas estações (Enxurreiras, Giesta, São Gemil, Estação, Mosteiro, Arregadas, 5 de Outubro, Músicos, NorteCoop, Lavrador e Chantre).

“O que este estudo mostra é que apesar de não ser possível, por rentabilidade, assegurar a linha da Trofa, é hoje possível, por compromisso político da área metropolitana e negociação com o Governo, assegurar total ou parcialmente a linha da Trofa”, declarou Eduardo Vítor Rodrigues.

E acrescentou: “do ponto de vista do contributo para o sistema, a Trofa não contribui com rentabilidade, mas também o prejuízo não é nada do outro mundo”.

Eduardo Vítor Rodrigues, que lidera também a Câmara de Gaia, salientou que foi sempre o objetivo da Área Metropolitana do Porto (AMP) conseguir, através da atualização dos estudos de procura da Metro do Porto, financiamento para uma “verdadeira rede de metro” e não para linhas avulsas.

“O que eu digo, muito claramente, é que este estudo ajudou Matosinhos, ajudou a Maia, ajudou a Trofa. Não me ajudou a mim porque ninguém tinha a mínima dúvida sobre a segunda linha de Gaia, era óbvio”, disse, acrescentando que, ao contrário do que foi dito pelo presidente da Câmara da Trofa, Sérgio Humberto, na assinatura do protocolo para a consolidação da rede de metro, este concelho não ficou de fora.

O autarca salientou ainda que, tendo a linha de Santo Ovídio-Devesas-Campo Alegre, conhecida como “segunda linha de Gaia”, financiamento assegurado no Plano de Recuperação e Resiliência, há mais dotação financeira para outros investimentos, pelo que acredita estarem reunidas as condições para que a rede de metro, como está prevista, seja “cumprida”.

“Neste momento em vez de eu estar a lutar com o Governo por mais de 350 ou 400 milhões já só estou a lutar por mais 100 ou 150 [milhões de euros]”, disse.

No estudo foram analisados onze eixos de metro e quatro de metrobus, tendo-se destacado o desempenho da linha Santo Ovídio-Devesas-Campo Alegre, não só pelos ganhos globais de variações médias diárias anuais (VMDA), mas também pela vantagem de “oferecer uma efetiva alternativa à atual linha amarela que, como é sabido, apresenta já os mais elevados níveis de sobrecarga de toda a rede, sobretudo às horas de ponta”.

Num segundo patamar de procura potencial surge o eixo do Campo Alegre, ligação Galiza – Império, com seis novas estações, que se destaca dos restantes eixos pelo valor elevado do indicador VMDA por quilómetro.

Seguem-se os eixos Campanhã – Souto (versão com 9 estações), Circular (versão Casa da Música – Roberto Frias), a linha de São Mamede, em Matosinhos, via Fonte do Cuco ou via Senhora da hora, e a linha Aeroporto-Maia que apresentam indicadores de procura “muito interessantes”.