“Eu gostaria de deixar ficar a freguesia com um cemitério circundado a toda a volta por rua e uma casa mortuária”

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A construção de uma casa mortuária, a par do alargamento do cemitério continua a ser uma ambição do presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria de Avioso. Hamilton Prata é candidato a um quarto mandato e não esconde que esta empreitada seria a conclusão de um ciclo.

PRIMEIRA MÃO – Estamos na recta final deste mandato, podemos fazer um balanço deste seu terceiro mandato. Foi positivo? Foi negativo?

Hamilton Prata – Eu penso que este mandato se pode considerar positivo e isto tendo em conta a vertente social e a vertente das obras. No campo social e no âmbito do emprego, a Junta de Freguesia de Avioso – Santa Maria disponibiliza um Gabinete de Atendimento, no qual se efectua o registo informático da apresentação quinzenal dos desempregados beneficiários das prestações de desemprego. Disponibilizamos um espaço de acesso ao NETempregos, existe um computador ao dispor de todos os utentes que queiram aceder à informação das ofertas de emprego disponíveis no site do www.netemprego.pt/IEFP., podendo proceder ao registo neste site, disponibilizando o seu Curriculum Vitae. Disponibilizamos um espaço da informação sobre ofertas de emprego, designadamente, através de brochuras e folhetos, anúncios de concursos públicos, anúncios de empregos para o estrangeiro e listagem das ofertas de emprego. Disponibilizamos informação da realização de cursos e acções de formação a decorrer. Prestamos apoio e orientação na elaboração de “Cartas de Apresentação” e “Curriculum Vitae”. Em síntese, funcionamos como um local de informação e de disponibilização de instrumentos de apoio à procura de emprego, bem como pontos de acompanhamento dos beneficiários das prestações de desemprego, no cumprimento da apresentação quinzenal. Passaram por cá 620 pessoas, o que por mês, uma vez que as apresentações são quinzenais, faz 1240 pessoas.

Em termos sociais foi desenvolvido mais algum projecto?

Ainda na acção social, no âmbito da Rede Social do Concelho da Maia, foram criados os Gabinetes de Atendimento Integrado Local (GAIL), especialmente direccionados para a acção social directa, transversal a outras áreas como a habitação, a saúde, a educação e o emprego. Os Gail permitem a definição de metodologias de apoio e acompanhamento de indivíduos e famílias em dificuldades, dirigidas tanto para a prevenção como para a resolução de situações geradoras ou geradas por fenómenos de exclusão social, visando sempre a promoção de condições facilitadoras de inserção. O Gail da Vila do Castelo engloba as cinco freguesias, Aviso – Santa Maria, Gondim, Gemunde, Avioso – S. Pedro e Barca e tem a sua sede em Santa Maria, estando aberta três dias por semana, registando um número aproximado de 16 atendimentos por semana, o que perfaz em média 75 atendimentos/mês, em seguimento destes atendimentos quando necessário, os técnicos fazem visitas domiciliárias. As problemáticas com maior número de pedidos são o apoio na medicação, apoio nas rendas, apoio na alimentação e emprego. As problemáticas elencadas são mais ou menos resolvidas com as várias parcerias que existem no terreno, nomeadamente com as Conferências Vicentinas de Santa Maria de Avioso e com a Santa Casa da Misericórdia ao nível da alimentação. A medicação e as rendas vão sendo cobertas com as verbas disponíveis pela Segurança Social; o emprego em parceria com o Gabinete de Atendimento Quinzenal que existe na Junta de Freguesia. Semanalmente o coordenador do GAIL dinamiza um grupo de auto-ajuda para a problemática do álcool. Na área da saúde, nesta freguesia e em parceria com várias instituições, funciona o Projecto de Prevenção Primária das Toxicodependências nas escolas EB2,3 e secundária do Castelo. A partir de Setembro, irá funcionar, nas instalações da Junta de Freguesia, um Grupo de Pais, que irá reunir quinzenalmente para discutir esta problemática. Existem ainda projectos a desenvolver em Julho, Agosto e Setembro, nomeadamente o Apoio Domiciliário a Idosos, levantamento de reformas, de medicamentos, o apoio a consultas no Centro de Saúde e apoio na alimentação. E também temos a candidatura a um projecto para cabaz de alimentos.

E na parte social, digamos que foram as duas apostas?

É verdade, foram e estão a correr bem porque há muita gente que já conseguiu arranjar emprego. Mas também há quem não queira, e preferem, continuar com o Fundo de Desemprego. Ainda há dias, havia uma firma lá que precisava de duas pessoas para trabalhar, e dei a direcção da empresa a duas pessoas e elas nunca lá apareceram.

No caso do GAIL notou-se mais procurar no último ano com o agravar da crise económica?

Aumentou, aumentou. Neste momento, há um certo nível da população que sente muitas dificuldades.

E no que toca então às obras?

As obras deste mandato não são muitas porque na parte económica tivemos também de reduzir um pouco, embora deva agradecer ao presidente da câmara, que está sempre disponível mas a autarquia também tem os seus problemas. São 17 freguesias e ele não pode ajudar todas as freguesias, embora uma parte emblemática de Santa Maria de Avioso, que é a ligação do centro cívico à igreja. Aquela praça é para estar pronta neste mandato. Fez parte da nossa promessa e que vai ser inaugurada em final de Agosto, princípio de Setembro.

Já está então a decorrer a empreitada?

Está a decorrer e já está perto do fim. Não estamos atrasados. A obra está a comparticipada e muito pela Câmara Municipal, mas também pela junta de freguesia. O projecto é da Junta de Freguesia, foi apresentado à Câmara, os seus técnicos viram, o presidente aprovou e vamos caminhando com os pés firmes no chão, tanto da parte da câmara como da nossa parte. O Monte de Santo Ovídio tinha um bar, que está a ser todo remodelado porque estava sem condições nenhumas. Agora, queremos dar dignidade ao local e a quem lá vai. Se não ficar pronto no final de Agosto, em Setembro deve ficar pronto. Temos também um parque infantil, que também é a Câmara Municipal que o está a colocar em Cidadelha porque faz falta lá um parque infantil para as crianças daquela zona. Penso que a inauguração estará mesmo para muito breve. Temos estado a arranjar e iremos continuar a arranjar porque as ruas onde há muito paralelo e de vez em quando há buracos e, neste momento, estamos a arranjar a Rua António Sá Leite, que vai até Cidadelha. Junto ao centro de saúde estamos a começar com o complemento do passeio que vai até à rotunda do Castelo, na Via Diagonal. Há ali uma falta de passeio que devia ter sido feito quando foi construído o Centro de Saúde. Não foi e agora vamos então completá-lo para que fique condigno das pessoas que lá passam. Estamos também a abrir uma rua, junto ao ecocentro, apenas falta asfaltar e queria ver se ela ficava pronta ainda este mandato. Senão ficar, que fiquei pronta logo no início do próximo. Temos um polidesportivo em Ferreiró., que vai ser começado pela Câmara Municipal ainda este ano. São estas as obras que, neste momento, estão a ser feitas, isto em colaboração com a câmara municipal.

Alguma coisa que tenha ficado ainda por fazer neste mandato e que fizesse parte dos seus objectivos?

Tenho duas situações. Uma é o alargamento do cemitério. O dono quer o dinheiro mas também quer ficar com o terreno. Eu gostaria de deixar ficar a freguesia com um cemitério circundado a toda a volta por rua e uma casa mortuária porque não são só os católicos que têm direito a casa mortuária, as pessoas que não são católicas também têm direito a isso mesmo. Será a prioridade número um para o próximo mandato. A outra obra é uma ligação, que é uma coisa pequena mas está enredado por causa dos donos de uma bouça, porque eu queria cortar três metros de uma bouça para fazer um passeio, para fazer a ligação entre a Avenida Estevão Oliveira Maia com a Via Diagonal porque passam lá muito alunos e principalmente no Inverno, com guarda-chuvas abertos, torna-se mais difícil a circulação segura.

A negociação com os proprietários está difícil?

Sim. Se não formos pela via do diálogo tem que ser pela via da expropriação porque tanto um caso como outro é de extrema importância e necessário.

São essas duas obras que o fazem candidatar-se a um quarto mandato?

São esses restos que me fazem concorrer a mais um mandato, já agora para fechar o ciclo dos quatro mandatos, se a população assim o entender. Penso que a população me irá dar votos para isso. Será o quarto e último mandato. Vamos ver se fechamos com chave de ouro e vamos dar a vez a outros.

A questão da lei da paridade vai trazer-lhe alguma dificuldade na elaboração da lista?

Sempre tive na assembleia de freguesia três, quatro senhoras, embora os quatro primeiros lugares fossem ocupados por homens e depois é que vinham as senhoras, mas agora entra conforme a nova lei e eu não me dou mal com as senhoras na assembleia. Nunca tive problemas, nem tenho. A lista de 19 pessoas que eu vou apresentar terá quatro, cinco senhoras.

Isabel Fernandes Moreira