‘Facendo Caminho’ traz vantagens para a Maia e percursos concelhios do Caminho de Santiago

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O projeto ‘Facendo Caminho’, uma estratégia para a estruturação, proteção e valorização das rotas portuguesas dos Caminhos de Santiago na euro-região Galiza-Norte de Portugal, foi apresentado este mês, no Porto, numa cerimónia onde estiveram presentes os representantes das quatro entidades parceiras: Turismo do Porto e Norte de Portugal; Direção Regional da Cultura do Norte; Turismo da Galiza; e AECT – Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial Galiza/Norte de Portugal.

O projeto representa um investimento de cerca de 650 mil euros e tem por objetivo consolidar os Caminhos de Santiago como um produto estratégico, impulsionando-o como recurso patrimonial, cultural e natural transfronteiriço, capaz de gerar atividades turísticas e económicas que contribuam para o desenvolvimento socioeconómico do território.

O projeto, que decorre até dezembro de 2021, vai focar-se na melhoria das condições conjuntas e de afluência aos caminhos, reforçando a identidade transnacional e incrementando a participação das populações locais na proteção e conservação das rotas.

Destaque para uma série de ações tendentes à promoção e sinalização do património através das novas tecnologias e para a elaboração de um estudo rigoroso e documentação do património cultural transfronteiriço associado ao fenómeno Jacobeu, o Ano Santo que se celebra em 2021, já com a abertura da Porta Santa ainda em 2020.

Projeto valoriza Caminhos de Santiago logo valoriza a Maia

O vereador das Relações Internacionais e Economia, Paulo Ramalho, adiantou ao jornal Primeira Mão que este projeto trará vantagens para o território da Maia: “no âmbito deste projeto estão previstas ações de promoção, comunicação, a elaboração de guias de boas práticas da gestão dos caminhos de Santiago e também a criação de um software de produção de cartografia.

Ora, sendo o território da Maia atravessado por duas rotas do Caminho de Santiago, o Caminho pela Costa e o Caminho Central, é evidente que este projeto vai ter repercussões positivas, de valorização, na parte desses caminhos que passam pela Maia”.

Paulo Ramalho destaca o papel ativo dos municípios nesta matéria, lembrando que, “no passado mês de dezembro, diversos municípios do Norte de Portugal, reuniram precisamente na Maia com responsáveis da entidade regional Turismo do Porto e Norte de Portugal e da Direção Regional de Cultura do Norte, no sentido de discutirem sobre a melhor forma de se articularem relativamente a diversas ações com vista à promoção, certificação e gestão das diversas rotas dos caminhos de Santiago.

É importante que se reconheça que, muito do trabalho de promoção, comunicação, identificação e sinalização do Caminho de Santiago tem sido, até à data, essencialmente desenvolvido pelos diversos concelhos por onde passa o caminho e com recursos próprios”.

Mais de 650 mil euros de investimento ibérico

Neste caso do projeto ‘Facendo Caminho’, o investimento de mais de 650 mil euros é todo financiado pelo Programa Operativo de Cooperação Transfronteiriço Espanha Portugal (POCTEP).

Questionado sobre se o Caminho de Santiago tem sido um meio promotor de turismo para a Maia, Paulo Ramalho é direto: “sem dúvida”.

O vereador esclarece que analisando “os dados fornecidos pela Oficina do Peregrino de Santiago de Compostela, é possível perceber o quanto tem aumentado o número de peregrinos nos últimos anos a atravessar o território da Maia, vindos do Porto a caminho da Galiza e das mais diversas nacionalidades”.

Muitos dos peregrinos começam o caminho mesmo a partir do Aeroporto Internacional Francisco Sá-Carneiro. Relativamente ao Caminho Central, o número subiu de 22.335 peregrinos em 2017 para 27.924 em 2019. Quanto ao Caminho da Costa, o número de peregrinos aumentou de 2.634 em 2017 para 11.421 em 2019. E estes são dados com base apenas naqueles peregrinos que fazem o seu registo de chegada na Oficina de Santiago.

“Muitos destes peregrinos não se limitam apenas a fazer o caminho”, sublinha Paulo Ramalho, “durante o percurso, param para se alimentar e descansar, aproveitam para visitar outras realidades de interesse que vão encontrando no território. E são sempre potenciais promotores e divulgadores dos nossos municípios, da nossa cultura, da nossa gastronomia, das nossas paisagens e locais de interesse junto dos seus países de origem. Pelo que muitos deles acabam por regressar novamente a Portugal e aos nossos territórios com os amigos ou com as famílias como simples turistas”.

Caminhos milenares

Os Caminhos de Santiago são uma rota milenar seguida por milhões de peregrinos desde o início do século IX, quando foi descoberto o sepulcro do Apóstolo Santiago. Desde então, pessoas de todos os cantos do mundo percorrem os caminhos que conduzem à catedral onde se veneram as relíquias do Santo Apóstolo, dando origem a um fenómeno que se mantém e reforça de dia para dia.