Feira da Amizade em Águas Santas para angariar fundos

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A Comissão de Festas em Honra de Nossa Senhora do Ó realizou recentemente no adro do Mosteiro de Águas Santas, uma Feira da Amizade. O objectivo era angariar verbas para se poderem realizar as festas em honra daquela que é a padroeira da freguesia.

A iniciativa partiu do pároco de Águas Santas. Augusto Vieira decidiu convidar um grupo de paroquianos para integrarem a Comissão de Festas em Honra de Nossa Senhora do Ó, padroeira da freguesia, festividade que “nunca foi realizada”, afirma o presidente da Comissão de Festas, Joaquim Costa. “Há mais de 30 anos, acrescenta, comemorava-se um outro santo”, acrescenta. O padre de Águas Santas conseguiu assim reunir um grupo de pessoas que nem sequer conhecia mas que acabou por formar um grupo de trabalho que “é uma autêntica família”, ressalva o responsável.

Os encontros de trabalho têm acontecido na casa de Joaquim Costa, onde também fabricam pão e pão-de-ló que vendem, ao fim-de-semana, com o mesmo fim. E não vão ficar por aqui. A comissão de festas tem em agenda a realização de actividades com o mesmo fim. O próximo evento será “um mini santoinho”, numa casa de lavradores. “Queremos aproveitar ao máximo o tempo de Verão para chamar a população”. Mas para o Inverno já estão pensadas outras actividades.

No adro do mosteiro venderam-se então produtos que resultaram da oferta de empresas e particulares quer da freguesia de Águas Santas como também do concelho da Maia. “Visitamos as pessoas que é o que é preciso. Sentado numa cadeira dentro de casa ou a fazer reuniões não se vai a lado nenhum. Temos que andar no terreno, de uns ouvimos o não, dos outros sim, mas sempre com a cara levantada”.

A população pode assim comprar enchidos, vinhos, flores, bolos, produtos de mercearia, hortícolas e animais. “Uma série de produtos variados e bons”.
Este ano, as festas em honra de Nossa Senhora do Ó começam a 4 de Julho, vão-se ficar pela com a realização de uma procissão devidamente acompanhada de uma banda de música. Para o ano, “se calhar, vamos pensar numa estratégia diferente porque não queremos ser iguais aos outros festeiros, é preciso mudar”, afirma Joaquim Costa.

O culto a Nossa Senhora do Ó

A devoção a Nossa Senhora do Ó surgiu em Toledo, Espanha, e remonta à época do X Concílio, presidido pelo arcebispo Santo Eugénio, quando se estipulou que a festa da Anunciação fosse transferida para o dia 18 de Dezembro. Sucedido no cargo pelo sobrinho, Santo Ildefonso, este determinou, que essa festa se celebrasse no mesmo dia, mas com o título de Expectação do Parto da Virgem Maria. Pelo facto de, nas vésperas, se proferirem as antífonas maiores, iniciadas pela exclamação (ou suspiro) “Oh!”, o povo teria passado a denominar essa solenidade como Nossa Senhora do Ó.

Em Portugal, o culto à Expectação do Parto, ou a Nossa Senhora do Ó, teria começado em Torres Novas, onde uma antiga imagem da Senhora era venerada na Capela-mor da Igreja Matriz de Santa Maria do Castelo. A imagem era conhecida na época de D. Afonso Henriques por Nossa Senhora de Almonda, na época de D. Sancho I por Nossa Senhora da Alcáçova e a partir de 1212, quando se lhe reedificou a igreja, por Nossa Senhora do Ó.
Registam-se outras imagens da Senhora do Ó em Águas Santas, em Elvas, em Tomar, em Viseu e em Sobral da Adiça. É a padroeira de 17 freguesias portuguesas, entre as quais a freguesia de Águas Santas.

Isabel Fernandes Moreira