Folgosa “preferida pelos assassinos do ambiente”

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É certo que não se conseguiu limpar toda a lixeira, mas o teste foi útil para melhor preparar o Dia L (20 de Março). Da limpeza-piloto de uma lixeira na Rua da Serra, em Folgosa, promovida no passado sábado pelo grupo da Maia do Projecto Limpar Portugal (PLP) saíram diversas sugestões para limpar as restantes referenciadas no concelho. Por exemplo, saber distinguir os resíduos, nomeadamente os que podem ser reciclados, e usar o mínimo de sacos plásticos possível.

Depois do adiamento justificado pelo alerta vermelho do Instituto de Meteorologia, a 27 de Fevereiro, mais de dezena e meia de pessoas concentraram-se no sábado em frente à Câmara Municipal da Maia. Entre elas, o elenco coordenativo do PLP na Maia, mas também voluntários, executivo da Junta de Freguesia de Folgosa e Jaime Pinho, na qualidade de interlocutor da câmara com as juntas do concelho. Tal como se tinha apelado, chegaram vestidos a rigor para entrar na mata, preparados com luvas e4 alguns já com utensílios como ancinhos e pás. Em frente ao edifício estava já também já uma viatura da Maiambiente, com dois elementos prontos a ajudar.

Depois de um breve briefing a cargo do coordenador do grupo, João Guimarães, distribuíram-se os voluntários pelas viaturas necessárias e rumou-se a Folgosa. Ao chegar ao local da lixeira, já lá estavam uma carrinha de caixa aberta da Junta de Freguesia de Folgosa e uma retro-escavadora conseguida pela junta, assim como uma roçadora e respectivo operador para desbastar o mato necessário e, assim facilitar a remoção dos resíduos.

Para garantir a segurança dos voluntários, a estrada foi sinalizada. E já equipados a rigor – com as luvas e coletes reflectores – puseram mãos à obra obra. Os relógios marcavam cerca de 10h00. Nesta lixeira classificada como média, mas com diversos pontos de deposição, impunha-se separar os resíduos. Plásticos e metal para um lado, papel e cartão para outro, mais uma pilha com resíduos de borracha, outra para madeira, uma outra para os chamados monstros e ainda os equipamentos eléctricos. Mas foi aqui que se despertaram algumas dúvidas, de imediato esclarecidas pelos funcionários da Maiambiente. O estado de grande parte dos resíduos ali depositados inviabilizava já a reciclagem dos mesmos, sendo o seu fim o mesmo do lixo orgânico.

Não bastando o estado desses resíduos, a quantidade acabou por surpreender os voluntários. Nomeadamente os que descobriram sob a terra e a vegetação resmas de folhetos de um supermercado, ainda com as respectivas cintas plásticas. Cedidos pela Maiambiente, encheram-se sacos, sacos e sacos… Juntou-se madeira e monstros não metálicos. O suficiente para encher, por três vezes, a carrinha da Empresa Municipal de Ambiente.

Entretanto, já bem perto do meio-dia, pôde entrar na lixeira a retro-escavadora conseguida pela Junta de Freguesia de Folgosa. Por duas vezes, carregou o entulho de obras do local e ainda lá ficou algum, que o presidente da junta se comprometeu a tentar remover no decorrer desta semana. Assim como a começar a limpeza de uma lixeira de maiores dimensões na freguesia, referenciada na Rua Central da Camposa.

Enaltecendo o trabalho do PLP, Luís Cândido confessou-se no sábado “surpreendido com o número de lixeiras e com a dimensão de algumas”, sentindo o autarca que Folgosa é “preferida pelos assassinos do ambiente, por ser uma freguesia limite do concelho”:

[audio:FOLGOSA_PLP.mp3]

O coordenador do grupo da Maia do PLP reconhece que “foi pouca gente” aquela que se disponibilizou para colaborar na limpeza-piloto. Mas admitindo também que o trabalho poderia ser mais difícil se fossem muitos mais, olhando ao espaço disponível. Das sugestões e problemas levantados no final da actividade, João Guimarães reconhece que, até ao dia 20, é preciso ficar bem definido que tipo de resíduos podem ser encaminhados para reciclagem, contando para isso com o responsável por cada lixeira, já que cada uma é um caso.

[audio:VALIDAR_LIXO.mp3]

É isso também que fica definido no próximo fim-de-semana, com a validação completa de todas as lixeiras, com a ajuda de técnicos de ambiente.

E “se nós numa lixeira destas precisamos entre 15 a 20 pessoas”, adverte João Guimarães, “quanto mais gente tivermos para o Dia L, mais rápido será feito o processo de remoção e com um nível de sucesso maior”. Esse sucesso está também dependente dos meios materiais que sejam disponibilizados para este dia 20 de Março, voltando o grupo a apelar às empresas da Maia para cederem “aquilo que puderem”. E reiterando o pedido às juntas de freguesia, por exemplo, no sentido de “facilitarem os locais de depósito temporário” dos resíduos.

No que a Folgosa diz respeito, Luís Cândido incumbiu-se a si mesmo, e à junta de freguesia, tentar garantir uma melhor forma de escoar os resíduos separados, para tornar o processo de limpeza mais rápido. E aproveita para sugerir que, nos locais limpos no Dia L se coloque um marco do projecto, “para evitar que estes prevaricadores do ambiente se continuem a manifestar desta maneira”.

Todas estas questões, e dúvidas dos membros do grupo, deverão ser abordadas na reunião geral do grupo da Maia do PLP, marcada para a próxima quinta-feira, 18 de Março, a partir das 21h00, em espaço que aguarda ainda confirmação. Será, certamente, divulgado na plataforma do movimento cívico na Internet ou o blog do grupo da Maia.

Marta Costa