IPSS precisam de maior autonomia

0
178

“Este sector precisa de maior autonomia”, aumentando o investimento na “auto-sustentabilidade”. A ideia foi defendida pelo Padre Lino Maia, presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade, na abertura do seminário nacional intitulado sobre o tema “Caminhos para uma solidariedade sustentável”, no que respeita às Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS’s). O encontro foi promovido pela Câmara Municipal da Maia, em parceria com a XZ Consultores, SA., no âmbito da Rede Social.

Abordando a questão das fontes de financiamento do sector, o presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade referiu que o Estado suporta, em média, em 42 por cento os custos destas entidades, ficando o restante a expensas dos utentes e de ofertas da comunidade. Embora defendendo que o Estado “não deve alhear-se” desta comparticipação, o Padre Lino Maia salientou também que “não deve ser o único contribuinte”.

Por isso, e advertindo que o futuro do sector passa por uma maior autonomia, apontou três vias para o alcançar: fomento da solidariedade entre os utentes; promover iniciativas para “explorar” o sector, por exemplo, estimulando acordos / protocolos com empresas; rentabilizar equipamentos e meios das instituições. Desta forma, acredita o Padre Lino Maia, “economizaria e talvez se prestasse melhor serviço”.

Da parte da XZ Consultores, SA, Pedro Calheiros sublinhou que a questão da sustentabilidade se coloca a todos os sectores, admitindo também que a actual crise “vem agravar esta necessidade”.

Seguiu-se a intervenção do director distrital do Instituto da Segurança Social, I.P., concordando que “o Estado não pode, naturalmente, alhear-se do financiamento às instituições”. Mas Luís Cunha alertou para a dicotomia Rede de Solidariedade / Rede de Equipamentos Sociais, distinguindo o apoio ao funcionamento do apoio à construção de equipamentos. Foi neste contexto que se confessou também preocupado com o futuro das instituições que, trabalhando na rua, não têm qualquer tipo de receita. E é para estas que vê a maior vantagem do estabelecimento de parcerias.

Marta Costa

(Notícia desenvolvida na edição de amanhã de Primeira Mão)