José Sousa Dias: “Acho que estava na hora da câmara também se lembrar da nossa freguesia”

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Em tempo de crise, o presidente da Junta de Freguesia de Silva Escura não é insensível às dificuldades da Câmara da Maia. No entanto, José Sousa Dias entende que chegou a hora da edilidade olhar para a sua freguesia. A habitação social e a conclusão da requalificação do Monte de Santo António assumem prioridade mas o autarca não gostava de ‘sair’ sem ver lançada a primeira pedra do novo Centro Cívico.

PRIMEIRA MÃO – Tomou posse há pouco mais de um ano, na altura assumiu compromissos eleitorais, quais foram e estão ou não a ser cumpridos?
José Sousa Dias – Eu vou começar pelo principal ponto que fez com que me candidatasse juntamente com o executivo a mais quatro anos de mandato. E a principal causa foi, de facto, que a nossa freguesia se desenvolvesse e fossem promovidas algumas valências de grande carência na freguesia. No mandato anterior conseguimos uma aquisição dos terrenos para que fosse possível construirmos um novo Centro Cívico com várias valências para a freguesia. A escritura foi feita em 2009 e em 2010 era nossa intenção iniciarmos o projecto. Penso que está bem encaminhado em termos de projecto, mas reconheço que devido à situação económica que o país está a atravessar, e como o país “arrasta” as autarquias, principalmente a nossa câmara municipal, vamos tentar, trabalhando em comunhão com a nossa câmara, ver se esse nosso objectivo, mesmo que não seja concluído, seja iniciado.

Durante este mandato?
Durante este mandato. Se forem iniciadas obras para nós, executivo, é um passo largo para o desenvolvimento da nossa freguesia e para o bem-estar da nossa população. A segunda obra que nós tínhamos idealizado para este mandato era, de facto, o alargamento do cemitério da freguesia. Também já conseguimos os terrenos para esse alargamento e penso que, neste mandato, iremos lançar a obra para que seja concluído o alargamento. Eram duas necessidades na freguesia que o povo já anseia há bastantes anos. O terceiro ponto que eu queria referir era a área social. Hoje, com as dificuldades económicas que as famílias, todas elas, até de classe média estão a sofrer. Queríamos tentar acabar o Programa Especial de Realojamento (PER) da freguesia de Silva Escura. Já fizemos algumas diligências com o nosso presidente da Câmara e ele, também, sabe perfeitamente que as famílias mais pobres, mais pobres se estão a tornar. Falámos com ele para que seja possível fazer mais 36 casas, das 72 habitações que faltam para as famílias mais carenciadas da freguesia.

O levantamento inicial que foi feito pela câmara foi de 72 habitações sociais para Silva Escura?
Sim. Foram feitas 36, faltam outras 36. Têm havido muitas pessoas que se deslocam à Junta de Freguesia a pedir ajuda para habitação social e eu tenho imensa pena que, numa situação como estão muitas famílias e o país, não se possa resolver essa carência.

Essas 36 casas que faltam dizem respeito a um levantamento antigo. Seriam agora as necessárias, não houve um aumento de famílias carenciadas?
Eu penso que, se de facto, conseguíssemos, pelo menos, mais 36 casas, já era um passo largo para podermos depois fazer um equilíbrio entre as mais necessitadas e as menos necessitadas. Mas, de facto, agora era preciso dar um abrigo às mais necessitadas, às pessoas mais pobres, àquelas que mais carecem, que muitas vezes, são reencaminhadas pela Junta de Freguesia, e especialmente por mim, para a câmara para que possam ter uma habitação numa outra freguesia do concelho da Maia.

E isso tem acontecido?
Tem acontecido. As pessoas têm habitações mais dignas e as pessoas sentem-se mais confortáveis com a sua vida privada e familiar. Mas reconheço que a própria câmara também tem essas dificuldades, neste momento. E, como tal, está a ser muito difícil numa freguesia como a de Silva Escura, bastante rural, pouco industrial, pouco comercial, manter essas famílias numa situação digna de viver. E, portanto, isso preocupa-me muito a mim e à Junta de Freguesia porque reconheço e conheço essas famílias e as necessidades que têm. Eu já solicitei isso ao senhor presidente da câmara e, ele tem conhecimento tenho a certeza que dentro das possibilidades financeiras poderá alargar o realojamento não só à freguesia de Silva Escura, com certeza haverá mais no concelho, para que essas pessoas tenham alguma dignidade e um melhor bem-estar para as suas famílias, uma vez que têm poucos rendimentos, poucos recursos financeiros, mas que tenham uma vida melhor.

Já falou com o presidente da câmara a propósito desta questão. Qual foi a receptividade dele a este pedido?
Foi boa. Disse que ia fazer o possível, ia fazer o projecto através do financiamento do Estado para arrancar com esse empreendimento e lembrou que esse empreendimento poderia contemplar duas freguesias que se unem: Barca e Silva Escura. Informou-me que estavam bem encaminhados na aquisição dos terrenos e que, na parte da freguesia de Silva Escura, provavelmente algumas famílias iriam para esse empreendimento. Agradeci e desejo que, de facto, esse investimento seja realizado o mais brevemente possível, dentro das hipóteses da câmara, e que o Governo se lembre das pessoas pobres, que no nosso país, cada vez mais, as famílias pobres, mais pobres estão e as juntas de freguesia e a câmara devem, em primeiro lugar, olhar mais para as pessoas, protegê-las, ajudá-las no seu bem-estar e, por vezes, sacrificar alguma obra que fosse necessária.

Monte Santo António

Há alguma no seu plano de actividades que poderia “sacrificar” em prol de um melhor bem-estar da população?
Como eu digo no programa “Consigo sempre ao seu lado”, quero dizer que estou sempre ao lado, primeiro, das pessoas. Gostaria muito que, neste meu último mandato, fossem concluídas algumas das promessas que fiz à população, uma vez que a população votou quase massivamente neste executivo. Gostaria de ver concluída a segunda fase do Monte de Santo António, que é uma promessa que a junta vem fazendo há vários anos. Foi inaugurada uma parte em 2009 e falta-nos a segunda fase que seria para 2010. Eu gostaria muito que se fizesse lá a área desportiva. A área desportiva, para mim, era fundamental para promover um pouco a freguesia e apoiar a juventude.

O que é que falta fazer no Monte de Santo António para se concluir?
Falta-nos fazer a obra física, porque já temos o terreno. Uma parte era o campo de futebol antigo é da junta de freguesia. Os outros terrenos são da câmara municipal. Foi-nos prometido, pelo presidente da câmara, e eu prometi ao povo da freguesia, um polidesportivo para dar apoio à juventude e ao nosso grupo desportivo, a quem queria deixar uma palavra de agradecimento por todo o empenho e esforço que a direcção tem feito para se manter pelo menos o grupo. De facto dá uma actividade desportiva para a nossa juventude. Gostaria muito que o nosso projecto, que já está feito, já está no papel, passasse para a obra. Neste meu último mandato, gostaria que concluíssemos a obra de requalificação total do Monte de Santo António assim como a cafetaria, que também está projectada, para dar apoio a todas as pessoas que quisessem visitar o espaço e até praticar desporto. Essa era uma das obras que, também, gostaria que fosse concluída. Gostava de ver iniciada a construção do Centro Cívico e concluída esta obra [Monte de Santo António] porque era uma das promessas que fiz à freguesia de Silva Escura. Gostava também de requalificar a antiga Escola de Sá para proporcionar alguma formação profissional para incentivar a população. Seria formação no âmbito das Novas Oportunidades e do combate ao analfabetismo.

Acha que alguma delas tem viabilidade financeira?
Acho que todas elas têm viabilidade. Sei perfeitamente que a freguesia de Silva Escura é uma das freguesias que até nem tem dado grande despesa em termos de obras substanciais à câmara e acho que estava na hora de esta também se lembrar da nossa freguesia. Concluir o Monte de Santo António. Fazer a obra prometida. Ia embelezar o Monte, engrandecer a freguesia e a população iria saber reconhecer, na hora devida, tudo aquilo que a câmara fizesse pela freguesia. Tenho a certeza que as pessoas têm memória e que sabem reconhecer tudo o que é feito.

Acha que a freguesia de Silva Escura tem sido esquecida pelo executivo camarário?
Politicamente não, acho que o nosso presidente da câmara e todo o executivo lembram-se muito da nossa freguesia. Mas em termos de investimento tem ficado um pouco para trás. Embora acha vontade e já tenha sido feita muita coisa, como estávamos muito atrasados no pelotão, e mesmo tendo recuperado ainda estamos atrasados em relação a outras freguesias. Eu gostaria e acho que não era pedir em demasia, que o Monte Santo António, que foi iniciado como projecto em 2003, e concluído parte dele em 2009, fosse concluído na totalidade a reconstrução daquele monte que eu considero um dos pontos mais bonitos do concelho da Maia.

Quando fala em que gostava de ver concluídas algumas obras e que a população iria reconhecer essa obra feita, isso quer dizer que tem algum receio que não havendo obra concluída em Silva Escura a população mude de cor, nas eleições?
Eu estou convicto que a população tem memória e penso que depende da pessoa que me irá substituir. Mas, também, entendo que a nossa câmara municipal não se vai esquecer de concluir algumas obras que nos foram prometidas. Sabendo que a dificuldade económica das autarquias é bastante grande, mas se não se fizer mais faz-se menos. E sendo elas de boa vontade são tão bem aceites como são as grandes obras. Acho que o nosso Presidente da câmara actual, irá reconhecer que a freguesia de Silva Escura precisa de mais algumas obras essenciais. Não são obras com custos muito elevados mas são obras primárias, para que o povo saiba reconhecer um dia e saiba manter esta cor política por muitos mais anos. Porque o povo de Silva Escura não pode ser esquecido e merece toda a nossa consideração, todo o meu respeito, todo o meu carinho. Prometemos trabalhar afincadamente junto da Câmara Municipal e dentro do esforço que nos for possível, entre as duas instituições, para que sejam feitas mais algumas valências na freguesia. Espero que o nosso Presidente da Câmara, assim como a vereação, reconheçam que nós não podemos ficar esquecidos. Temos de ser recordados.

Fala em obras ou obras, algumas delas com valores consideráveis.
Quando falo no Centro Cívico estou a pedir que, de facto, se inicie. Que se faça uma parte da obra ainda neste mandato. Que se lance, por exemplo, a primeira pedra. Na parte do Monte de Santo António, falo num polidesportivo simples, como existe noutras freguesias do concelho. Sei que não pode ser um polidesportivo completo, todo coberto e com todas as infra-estruturas e com bancadas. Mas dentro das possibilidades da Câmara. É uma situação de 250 mil euros.

Isabel Fernandes Moreira