Lojas de Juventude da Maia com balanço positivo

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As próximas vão abrir em Milheirós e Águas Santas

Na Maia há muitas realidades distintas, afirma o vereador da juventude

Desde Outubro de 2008 que existem cinco Lojas de Juventude na Maia. As primeiras, em Gemunde e São Pedro Fins, iniciaram as actividades em 2002. Mais recentemente juntaram-se à lista as lojas de São Pedro de Avioso, Vermoim e Vila Nova da Telha.

O balanço dos últimos anos de actividade das lojas é positivo. Quem o diz é o vereador da juventude da Câmara Municipal da Maia, Hernâni Ribeiro. "Têm correspondido a todas as expectativas, desde que reformulamos o conceito das lojas de juventude. Todos os objectivos têm sido concretizados, quer em termos de visitas, quer em relação ao objectivo que queremos que elas cumpram". Objectivo que passa pela promoção da igualdade de oportunidades para todos os jovens maiatos. Em números, pelas lojas de juventude da Maia passam cerca de 16 000 jovens todos os anos, número com tendência para aumentar com a abertura das novas extensões do projecto. Neste momento são cinco, número que pode alargar, mas não a curto prazo. "Milheirós e Águas Santas são as duas próximas freguesias que podem receber infra-estruturas deste tipo", adianta Hernâni Ribeiro.

A acção das lojas da juventude prende-se, essencialmente, em três vectores, como revela Hernâni Ribeiro. O primeiro pretende disponibilizar a toda a população jovem o acesso fácil e célere a todas as valências que as novas tecnologias oferecem, "para que os utentes consigam fazer as suas pesquisas e trabalhos necessários aos seus estudos e à vida do quotidiano". Outro dos braços de acção das lojas contempla o Gabinete de Acompanhamento e Aconselhamento Psicológico e Pedagógico do Pelouro da Juventude (GAAPP), assim como a disponibilização de salas de estudo aos que delas possam necessitar. "A somar a isto tudo", acrescenta o vereador da juventude, "há também a parte lúdica, que também temos explorado através de vários programas que, além de promover o intercâmbio entre lojas, promove também o conhecimento do concelho da Maia". É esse o objectivo primordial do programa "Conheces?", levado a cabo pelas várias lojas de juventude do concelho e que acontece sempre por ocasião das pausas escolares. E além dos programas levados a cabo pelos monitores das lojas de juventude e Câmara Municipal da Maia, as iniciativas partem, por vezes, dos próprios frequentadores das lojas, como foi o caso de uma Lan Party que durou toda a noite, na loja de Gemunde. Mas sempre sob o olhar atento dos pais e dos monitores.

O concelho da Maia "não é muito extenso", considera Hernâni Ribeiro, mas, no entanto, cada loja de juventude responde especificamente às necessidades da área em que se insere. "É importante termos estes espaços descentralizados e não concentrar tudo num ou noutro espaço centralizado como acontece noutros concelhos", adianta o vereador da juventude. "Mesmo num concelho como a Maia, há muitas realidades distintas", acrescenta o autarca. Assim sendo, se numa loja da juventude os meios informáticos assumem um lugar de destaque, noutras zonas menos favorecidas do concelho as intervenções do GAAPP ganham acrescida importância. E, mais recentemente, surge a loja de juventude de São Pedro de Avioso, mais orientada para o público do ensino superior, devido à proximidade com o ISMAI. Com recém-licenciados à procura do primeiro emprego, esta seria uma loja ideal para uma das pretensões passadas do Pelouro da Juventude, a inclusão de um Gabinete de Inserção Profissional no espaço das lojas. Tal não foi possível com o aparecimento dos GIPs. Mesmo assim, a nova loja de São Pedro "abraça" a população estudantil do ISMAI, "principalmente a que está deslocada" da sua zona de residência.

A educação é, de resto, uma das prioridades das lojas de juventude maiatas. "Há estatísticas que o comprovam. As lojas têm todas as condições para um estudo adequado e isso melhora a prestação académica dos utentes", avança Hernâni Ribeiro, referindo-se a estudos que confirmam a descida do insucesso escolar nas áreas de actuação das diferentes lojas. "Quatro destas lojas inserem-se em empreendimentos de acção social, e muitas vezes as condições que são oferecidas nas lojas, os jovens não as tinham em casa e, assim sendo, eram prejudicados no estudo. E as lojas vieram acabar com essa carência", acrescenta Hernâni Ribeiro. Além das melhorias na educação, as lojas desempenham um papel social mais profundo, principalmente as que estão inseridas, como já foi dito, em urbanizações de cariz social. "Temos workshops a falar de drogas e dependência, educação sexual… portanto, há um conjunto de matérias que são tratadas e através desses workshops podemos sensibilizar os jovens para a adopção de estilos de vida saudáveis".

"O rumo correcto para estas lojas é este modelo", considera Hernâni Ribeiro. Ainda segundo o autarca, referindo-se a planos futuros para as lojas de juventude. "No fundo, queremos continuar o trabalho desenvolvido até agora, com o GAAPP a continuar os seus workshops". Outra das pretensões do pelouro da cultura prende-se com as salas de estudo assistidas. "Gostávamos que elas em grande parte do tempo tivessem pessoas disponíveis para ajudar os jovens nas dificuldades que possam surgir. Não com contratados, mas sim com voluntários". No entanto, e acrescenta Hernâni Ribeiro, ainda não está a ser possível levar a cabo essa iniciativa. Não vê este facto "como uma lacuna, mas sim como um futuro ‘upgrade’ às lojas de juventude maiatas".

A segunda casa

"Há uma característica que eu gosto de ver, é que os jovens assumiram estas casas como sendo suas", diz Hernâni Ribeiro, quanto à relação que os mais novos foram desenvolvendo com os espaços disponibilizados pela autarquia. "São espaços de proximidade, e também são reconhecidos pelas famílias", acrescenta o autarca. Característica que leva os pais a ficarem "satisfeitos e despreocupados" com os mais novos. "Esta confiança que os pais depositam nas lojas traz responsabilidade, mas é óbvio que nos deixa satisfeitos".

Este clima de proximidade observa-se na loja de Vermoim. De dimensões modestas, a loja está inserida na urbanização social da Ponte das Cabras, à semelhança de outras três lojas, também construídas em integração com pólos de habitação social. A animadora responsável pelo espaço, Ester Almeida, sublinha que a relação que estabelece com os utentes da loja "está alicerçada na confiança e no bem-fazer". Acrescenta ainda que "os jovens gostam de aqui estar, porque como sou uma pessoa bastante dinâmica puxo bastante por eles, estamos sempre a dinamizar a loja não só como um espaço para utilizar os computadores, mas para que possam crescer como pessoas". E as actividades multiplicam-se. Segundo Ester Almeida, "fazemos aqui inúmeras actividades de carácter lúdico e pedagógico. Todas essas actividades foram baseadas nos interesses e nas necessidades dos nossos jovens, que a procuram muito para os postos de internet e para a sala de estudo".

Nos primeiros dias deste ano, mesmo em tempo de aulas, a loja estava bastante preenchida. A preferência recaía, como seria de esperar, nos postos de internet. À frente dos computadores, os jovens fazem de tudo um pouco, mas os sites mais procurados são o YouTube, assim como os jogos em Flash. Um dos utentes da loja de Vermoim, o Tiago, estava concentrado em frente ao computador. O Tiago não deixa esconder o entusiasmo e revela que "gosta muito" de estar na loja. Tanto que, adianta Ester Almeida, "é um dos utilizadores mais assíduos". Tem como actividades de eleição "jogar no computador", mas sem esquecer a participação nas actividades que classifica como "bonitas", orientadas pela animadora do espaço.