Maia ajuda a Limpar Portugal

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Movimento cívico conta com 141 maiatos

O desafio: Limpar Portugal. O momento: 20 de Março de 2010. É o que junta mais de 14 mil pessoas no Movimento Limpar Portugal (PLP). Trata-se de um movimento cívico que visa promover a educação ambiental, objectivo a que os maiatos não ficam alheios. Mesmo que ainda sejam poucos olhando ao número de habitantes no concelho.

A ideia surgiu de uma experiência bem sucedida na Estónia, que percorreu o Mundo através da Internet. No dia 3 de Maio do ano passado, em apenas cinco horas, 50 mil voluntários uniram-se para limpar dez toneladas de lixo. Por cá, a iniciativa levou um grupo de amigos a pôr “Mãos à Obra” com um objectivo bem definido: “Vamos limpar a floresta portuguesa num só dia”. A intenção é limpar todas as lixeiras ilegais existentes no espaço florestal a 20 de Março do próximo ano, data definida como o Dia L. A plataforma do Projecto Limpar Portugal (PLP) nasceu através de uma rede social na Internet (Ning) e já está também presente no Facebook e no Twitter. Logo, à distância de um clique.

Na plataforma instalada em são já 341 os grupos registados, incluindo o MAI – Maia. Criado por Marco Ascensão, um dos elementos da coordenação nacional do projecto, conta com 141 membros, sendo o coordenador concelhio João Carlos Cunha Guimarães. Definindo-se como amante da natureza e como “uma pessoa que faz tudo por um melhor ambiente”, João Guimarães não hesitou em aliar-se ao projecto, numa altura em que contava apenas com cerca de sete mil membros, confessando-se preocupado “com a insensibilidade das pessoas”. Em causa está o depósito de lixo em locais impróprios, como a floresta, mesmo havendo espaços próprios onde os poderiam deixar.

A Maia não escapa a esta insensibilidade, lamenta o coordenador concelhio do PLP, uma vez que coexistem no mesmo território área florestal e indústrias. “É preciso sensibilizar essas pessoas, chegar a elas para que possam dar apoio para reverter a situação que a maioria fez com que existisse”, considera João Guimarães. Sendo a sensibilização para a educação e o respeito pelo ambiente o objectivo primordial do projecto, o Dia L será apenas um exemplo do que pode ser feito.

Prova de que “o povo português ainda não está sensibilizado para isso” é o número de membros registados na plataforma. Mas o coordenador do grupo MAI acredita que adesão vai aumentar, incluindo na Maia. Porque “a ajuda de toda a gente é essencial”, adverte.

Aumentar a visibilidade

Para já, são 141 os membros do grupo. A maioria são cidadãos que, a título individual, se mostram preocupados com o ambiente que os rodeia. Mas há também instituições inscritas, de que são exemplos os “Escoteiros de Portugal – Grupo 235” e “Elos Vitais – Delegação do Distrito do Porto”, com sede na Maia. Neste caso, até já disponibilizaram para o Dia L (a data da limpeza da floresta nacional: 20 de Março de 2010) apoio sanitário às equipas envolvidas na recolha, através dos seus elementos socorristas, médicos, enfermeiros e operadores de comunicações.

Para tentar aumentar o número de membros e os parceiros, há que iniciar os contactos formais. Primeiro, com entidades públicas como a Câmara Municipal da Maia e as juntas de freguesia do concelho. As escolas são outros os alvos preferenciais do PLP, até porque os seus membros sabem que, através dos mais pequenos, se tem conseguido mudar a mentalidade ambiental dos portugueses. O aumento da visibilidade do grupo MAI no PLP deverá passar também pela promoção de acções de rua, na zona central da cidade. Além disso, para chamar também aqueles que não conhecem o projecto e não têm acesso à Internet, João Guimarães adiantou a PRIMEIRA MÃO a intenção de disponibilizar meios de acesso à plataforma ou até fichas de inscrição em papel para quem queira aderir à iniciativa.

Os contactos a estabelecer e as acções a desenvolver serão, certamente, assuntos a debater na próxima reunião, a terceira do grupo, a agendar assim que houver um espaço disponível para a sua realização. A intenção é fazer essas reuniões com a periodicidade de um mês. O próximo encontro é considerado decisivo na actual fase do projecto, no sentido de definir o elenco coordenativo do concelho e dividir tarefas consoante as actividades que for preciso desenvolver. De referir ainda que, apesar de não haver parcerias formalizadas, já foi contactada a Maiambiente e um elemento da Protecção Civil já manifestou a disponibilidade para apoiar o projecto.

Quanto a lixeiras, não estão ainda referenciadas as da Maia e esse é um dos passos que o coordenador do concelho da Maia considera mais importante. Ao mesmo tempo, descrever o tipo de resíduos existentes em cada uma delas, de forma a definir a forma de recolha e de actuação no Dia L. Exactamente a pensar nas incursões às lixeiras, João Guimarães abriu esta semana um tópico na plataforma onde desafia os membros do grupo que possuam veículos todo-o-terreno a identificarem o tipo de viatura, bem como o equipamento disponível, incluindo de GPS, de forma a referenciar as lixeiras ilegais a limpar a 20 de Março do próximo ano.

Marta Costa

 

 

Quem está no PLP?

A nível nacional, são 341 os grupos registados na plataforma do Projecto Limpar Portugal (PLP), sendo a maioria referente a concelhos portugueses. Mas há também, por exemplo, o grupo “Escolas – Agrupamentos Escolares” ou o grupo “Escuteiros Portugueses”. Juntam-se os grupos das coordenações concelhias e o da coordenação do projecto, que reúne os elementos da coordenação nacional e os 20 distritais. A este movimento cívico já se associaram, também, grupos temáticos como o “Amigos do Monte”, o “Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros” ou a “Sapiens – Associação de Protecção e Divulgação do Património Cultural”, entre outros.

Quem ainda não conhece o movimento, pode consultar o site do projecto, em www.limparportugal.org, ou ir directamente à plataforma – – onde se pode inscrever como membro e como voluntário para a limpeza do dia 20 de Março de 2010. No portal principal do projecto, estão também já elencadas – e mapeadas – algumas lixeiras já identificadas pelos membros dos diversos grupos.

No mesmo site, estão disponíveis as actas das reuniões já realizadas por cada um dos grupos, assim como os documentos de apoio para o desenvolvimento do projecto. Desde o material de divulgação do PLP aos manuais de apoio pedagógico e de apoio técnico ou até sobre a forma como se devem organizar os grupos locais. E até já está definido o manual de actuação para o Dia L, nomeadamente sobre o tipo de resíduos a recolher e de que forma o fazer.

Mas porque o sucesso desta acção não depende apenas dos elementos que se inscreveram como voluntários, o PLP tem apelado também a empresas e associações que possam também pôr “Mãos à obra” com o mesmo objectivo. Para além dos contactos ainda em curso, estão formalizados os protocolos de parceria com a Forevernet, LandMania Clube de Portugal, Pinguim Group, Horquim, 4×4 Portugal, Mais Automação e Pela Natureza.

Marta Costa