Maia com Casa do Professor

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A Maia já tem uma “Casa do Professor”. Não é propriamente uma casa, mas uma associação constituída por professores, que se encontram no activo ou que já estão aposentados. A sua criação “nasceu da conversa de meia dúzia de professores”, de acordo com um dos seus fundadores, o professor António Carneiro. Então, resolveram convocar os professores do concelho para uma reunião, a 28 de Fevereiro, para discutir o assunto. Compareceram cerca de 35 professores, um número que António Carneiro considerou “bom”. E foi precisamente nessa reunião que ficou decidida a constituição de uma associação de e para os professores.
No passado dia 15 de Junho, foi realizada a primeira assembleia-geral, onde foram aprovados os estatutos e projecto da associação. E foram ainda eleitos os órgãos sociais da associação, tendo António Carneiro assumido as funções de presidente. Entretanto, foi também formalizada a denominação da associação – Domus Lidador Casa do Professor da Maia.

A associação tem como objectivo, de acordo com os estatutos, “a valorização profissional, social e humana dos docentes, através da promoção cultural, desportiva e recreativa dos associados e seus familiares”, explica António Carneiro.

Os associados terão ainda a possibilidade de participar em “acções de carácter formativo, científico, formativo e de integração social” e de beneficiar da “prestação de cuidados médicos e profilácticos, apoio em situação de carência e actividades de tempos livres”. Esta é a “súmula” do trabalho que a Casa do Professor pretende desenvolver no concelho da Maia.

Sem sede social, a associação vai funcionar, para já, nas escolas do município. O presidente diz que a sede terá de ser “uma coisa em condições”. “Somos demasiado exigentes para termos uma pequena sede. Quando a tivermos, vamos ter uma sede digna daquilo que nós somos na Maia”, sublinha. “Entre aqueles que vivem cá, que trabalham cá ou fora, são à volta de 7500. É muito professor”, acrescenta António Carneiro (na imagem).
Ainda sem qualquer campanha de divulgação, a associação já tem algumas dezenas de sócios, que a partir de Setembro começarão a pagar as quotas, altura em que deverá ser apresentado o plano de actividades e o portal da associação na internet.

Entretanto, para dar a conhecer a nova associação da Maia, está já agendada uma actividade para 16 de Julho. Trata-se de um peddy-paper e piquenique, no Parque Urbano de Avioso, e que estará aberto a todos os professores e familiares.
Ainda de acordo com o presidente da direcção, António Carneiro, está também a ser preparada com a Câmara da Maia a recepção ao professor, marcada para 9 de Setembro. E a 5 de Outubro, Dia Mundial do Professor, será plantada uma árvore em homenagem à classe.

Uma associação “diferente”

Aposentado, António Carneiro foi professor durante 34 anos. É, desde Julho do ano passado, assessor da Câmara da Maia para assuntos relacionados com a educação. E mais recentemente, passou a ser um dos responsáveis pelo lançamento da Casa do Professor. Uma associação que pretende desenvolver um trabalho de carácter social e formativo direccionado exclusivamente para os professores no activo ou aposentados, e seus familiares.

A PRIMEIRA MÃO diz que a Casa do Professor pretende ser uma “associação diferente” das restantes. Para além do trabalho de carácter social e formativo, outro dos objectivos passa pela realização de parcerias que permitam aos professores usufruir de serviços a preços mais reduzidos, como seguros de vida e ginásios. O combate à solidão é também outro dos objectivos da associação, que pretende oferecer aos professores um conjunto de actividades ocupacionais. “Não podemos esquecer que há muitos professores que estão sozinhos, e a solidão é terrível em qualquer área social. Essa é também uma das missões da Casa do Professor”, revela António Carneiro.

Conhecidos que são os objectivos da associação, uma questão que os leitores poderão colocar será o porquê da criação de uma associação que estará vocacionada apenas para uma classe profissional que, geralmente é bem remunerada, mesmo quando passam para a aposentação. A PRIMEIRA MÃO, António Carneiro, admite que há de facto professores com uma “reforma relativamente alta”, mas há também docentes com “reformas relativamente baixas”. E com as novas regras de descontos dos docentes aposentados, a partir de Janeiro, António Carneiro diz que, “a partir dessa altura vão ganhar menos”.
“Não quero dizer com isso que os professores vão ficar mal, mas também não quero dizer que os professores estão bem na vida”, afirma o presidente da direcção da Casa do Professor.

Fernanda Alves