Maia com mais ajuda do Banco Alimentar Contra a Fome

0
280

Tem crescido a ajuda do Banco Alimentar Contra a Fome às famílias e instituições de solidariedade social do concelho da Maia. O aumento do desemprego e das dificuldades económicas que têm afectado a maioria dos portugueses é uma das explicações para este crescimento. De acordo com Luísa Reimão, secretária geral do Banco Alimentar do Porto, “tem-se notado bastante o aumento de pedidos de ajuda. E é, obviamente, por causa do desemprego que existe e da crise em que estamos. Para muitas famílias, o dinheiro não chega até ao fim do mês”.

Essa ajuda chega às famílias através das instituições de solidariedade social. “Nós não apoiamos directamente as famílias carenciadas. Encaminhamos a ajuda para as instituições da área da residência”, explica.

Para além das campanhas habituais de recolha de alimentos nas grandes superfícies, o aumento de pedidos obriga o Banco Alimentar a um maior esforço para, junto das empresas, “angariar mais produtos e incentivar a angariação no sentido de fazer face às necessidades das pessoas”. Mas, confessa Luísa Reimão, “nem sempre é fácil, porque as próprias empresas estão com dificuldades. A crise está para todos”. Apesar de tudo, o Banco Alimentar Contra a Fome tem conseguido obter essa ajuda, admitindo que há alguns produtos que são mais difíceis de angariar. Junto dos consumidores, “a aceitação tem sido muito boa. De campanha para campanha as pessoas têm correspondido”, sublinha. Na Maia são 24 as instituições a receber este tipo de ajuda. De acordo com os dados do Banco Alimentar do Porto, em 2008 foram distribuídos 272 mil 375 quilos de alimentos, com o valor de 340 mil euros, aproximadamente. O projecto Novos Laços da Câmara Municipal da Maia foi o que mais apoio recebeu no ano transacto, 68 mil 661 quilos. Seguem-se a Associação de Solidariedade Social Mouta Azenha Nova (29 663) e a Santa Casa da Misericórdia da Maia (21 540).

Horta Solidária

Alimentos não perecíveis, como enlatados, conservas, feijão, arroz, massas, azeite, bolachas e muito leite. São alguns dos bens que o Banco Alimentar mais precisa para ajudar as famílias mais carenciadas. E também, legumes e frutas. A instituição desloca-se duas vezes por semana ao Mercado Abastecedor do Porto para abastecer-se destes produtos, e também a várias hortas do Grande Porto.

Entretanto, arrancou este mês um novo projecto do Banco Alimentar Contra a Fome. Chama-se Horta Solidária e será desenvolvida em conjunto com a Direcção Geral dos Serviços Prisionais. Consiste na plantação de hortas nos terrenos livres dos estabelecimentos prisionais contribuindo, desta forma, para a promoção de actividades laborais junto dos reclusos e para a produção de legumes e frutas. Os produtos hortícolas cultivados pelos reclusos serão encaminhados para o banco alimentar mais próximo do estabelecimento prisional. No caso do banco do Porto, os produtos serão cultivados em terrenos do Estabelecimento Prisional de Santa Cruz do Bispo.

O projecto deverá arrancar em breve, uma vez que já foram assinados, a 30 de Dezembro, os protocolos de colaboração entre a Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares e a Direcção Geral de Serviços Prisionais.

Mais de 19 mil toneladas em 2007

Combater a pobreza e a exclusão social , através do combate ao desperdício e da recolha de produtos alimentares para posterior distribuição pelos que mais necessitam desta ajuda, é a principal missão dos Bancos Alimentares Contra a Fome. Por todos o país, estão espalhados 13 bancos alimentares, e um na Ilha de São Miguel, no arquipélago dos Açores.

Em 2007, os 13 bancos do Continente, distribuíram um total de 19.919 toneladas de alimentos, com uma média de 19,7 toneladas por dia. Foram apoiadas 1542 instituições de solidariedade social e um total de 232 mil 754 pessoas. Em 2008 aumentarem os apoios, com 1618 instituições a serem abastecidas pelos bancos alimentares, abrangendo cerca de 245 mil pessoas. Na última campanha de recolha de alimentos, que decorreu nos dias 29 e 30 de Novembro, o Banco Alimentar Contra a Fome conseguiu reunir 1905 toneladas de alimentos.

Fernanda Alves