Maia com mais nascimentos em 2010

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Seguindo a tendência nacional, a Maia teve mais nascimentos em 2010. Os dados provisórios da Comissão Executiva do Programa Nacional de Diagnóstico Precoce apontam para 1320 os recém-nascidos da Maia rastreados com o “teste do pezinho”. Mais 83 que em 2009, mas menos 27 que o número de crianças rastreadas à nascença em 2008.
No total nacional, em 2010 foram efectuados 101 800 testes, correspondentes ao mesmo número de nascimentos. São mais 1900 do que em 2009.

As subidas mais significativas foram registadas nos distritos de Lisboa, Porto, Coimbra, Leiria e Setúbal. Nestes distritos, os aumentos foram na ordem dos 150 a 200 nascimentos. Em vários distritos do Norte, como Braga, verificou-se uma descida acentuada do número de nascimentos. A crise económica e o aumento do desemprego nestas regiões, poderá ser uma das explicações para este decréscimo.
Já os número do Instituto dos Registos e Notariado apontam para 873 nascimentos no município da Maia em 2010, mais 62 que no ano de 2009.

No total, no ano passado foram registados 102643 nascimentos, o que demonstra um crescimento do número de crianças nascidas em relação a 2009. Mais 1306 nascimentos.
Curiosamente, no último ano nasceram mais crianças do sexo masculino, ao certo, 52177. Com o sexo feminino, foram registados 50466 nados-vivos.
Já em 2009 o número de recém-nascidos do sexo masculino (51837) tinha já ultrapassado os de sexo feminino (49500).

Diagnóstico precoce

O diagnóstico precoce, conhecido como “teste do pezinho” é realizado entre o terceiro e o sexto dia de vida das crianças, no hospital ou maternidade onde nasceu ou no centro de saúde.
Através de uma picada no pé, é recolhida uma pequena amostra de sangue.
O teste serve para diagnosticar precocemente doenças metabólicas, infecciosas e genéticas. Doenças que podem causar alterações graves no bebé, se não forem diagnosticadas e tratadas. “São situações que podem ser relativas a um atraso mental, causa de coma, perturbações neuro-muscular, ou mesmo morte, e que podem ser evitadas”, adverte um dos responsáveis da Comissão Executiva do Programa Nacional de Diagnóstico Precoce.

Com o “teste do pezinho” são rastreadas 25 doenças, entre as quais o hipotiroidismo congénito, “que em Portugal tem uma prevalência de um caso para 3000 nascidos”, diz Vaz Osório. Mas as patologias mais frequentes são a fenilcetonúria (uma doença hereditária do metabolismo do aminoácido fenilalanina) e a MCAD (distúrbio genético causado pela deficiência de uma enzima mitocondrial essencial para a oxidação dos ácidos graxos, e que pode levar à morte súbita infantil). “As outras são menos frequentes. Mas no global, de todas as 25 doenças que rastreamos, a frequência global é de um caso por cada mil e qualquer coisa”, refere o médico.

A taxa de cobertura do diagnóstico precoce está muito próximo dos 100 por cento (99,7 por cento), em Portugal. Assim sendo, a estimativa do número de recém-nascidos rastreados no último ano tem uma margem de erro de 0,3 por cento. Esta poderá ser uma das explicações para a discrepância nos nascimentos registados pelo Diagnóstico Precoce e pelo Instituto dos Registos e Notariado. Embora a taxa de mortalidade infantil seja muito baixa em Portugal, de fora dos números do Diagnóstico Precoce poderão estar ainda crianças que acabaram por falecer antes do terceiro dia de vida. Refira-se que Portugal regista uma das taxas de mortalidade infantil (até aos cinco anos de idade) mais baixas do mundo: 3,32 mortes por cada mil nados-vivos.

Fernanda Alves