Maia já tem sete famílias que “dão abraços”

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No âmbito da Campanha “Procuram-se Abraços”, da Associação Mundos de Vida, a Maia poderá contar em breve com 12 famílias de acolhimento temporário. Sete já fazem parte da bolsa, esta terça-feira mais cinco começaram a sua formação. A campanha começou há cerca de três meses no concelho da Maia, por isso os números agora apresentados deixam satisfeito o presidente da Mundos de Vida, Manuel Araújo. “Fizemos a campanha aqui na Maia e em outros quatro concelhos vizinhos e a receptividade foi grande. Passados três meses estamos a prestar contas à comunidade, a valorizar o papel que a comunidade teve nesta campanha porque conseguimos não só interessar muita gente pelo tema do acolhimento familiar pela importância que as crianças têm e pelo direito que têm de crescer numa família mas também conseguimos interessar uma série de famílias”.

E na terça-feira passada aproveitaram para certificar sete dessas famílias de acolhimento. “Temos já famílias aptas para serem famílias de acolhimento”, afirmou o presidente da associação. No mesmo dia começou a formação de mais cinco, que estarão aptas a curto prazo. Sendo assim, “12 famílias é um número extraordinário em termos de acolhimento familiar”, acrescentou Manuel Araújo.

Satisfeita com os números apresentados ficou também a vereador da Acção Social da Câmara Municipal da Maia, Ana Miguel Vieira de Carvalho. Até porque a campanha começou há pouco tempo. “Eu acho que a Maia reagiu muito bem a esta campanha e mostrou o seu lado mais solidário, sobretudo neste ano em que tanto falamos que a sociedade civil deve intervir e ter responsabilidades também nesta área”, afirma.
Ana Miguel recorda que foram contactados no final do ano passado pela Mundos de Vida para levar a cabo a campanha, este ano, na Maia e a autarquia juntou-se a esta causa porque entende que as famílias de acolhimento são “uma nova solução para a qual devemos caminhar”. “Pelos menos, experiências a nível europeu dizem-nos que o modelo tem resultado e todos sabemos que ter uma criança num ambiente familiar é diferente, por muito boa que seja a instituição de acolhimento onde ela esteja”, acrescenta.

Sofia Macedo, Mário Rui e os três filhos, o André e o Miguel de 15 anos e o Diogo de 11 anos, são uma família que integra a bolsa da Maia. São de Milheirós e já tiveram outras pessoas a viver com eles. Uma jovem, que morou com eles durante quatro anos, depois uma pessoa de idade “que não tinha com quem ficar”. A dada altura, o filho mais novo levou para casa um folheto da Mundos de Vida e mostrou vontade em ser família de acolhimento. “Como os irmãos são gémeos, ele gostaria de ter alguém mais próximo da idade dele e nós achamos isso interessante e candidatamo-nos”, conta Sofia Macedo.
De acordo com Mário Rui o processo até serem uma família de acolhimento foi longo. “Mas temos a consciência de que assim é que deve ser porque tem que ser feita uma selecção das famílias e tem que se ter o cuidado de saber a quem é que se entregam as crianças”.

Mas verdade é que isso não aconteceu. Há cerca de um mês e meio acolheram um menino de dois anos. A adaptação não foi fácil, no início, porque não estavam habituados. “Apesar de tudo, estamos a falar de novas rotinas, uma série de coisas que tivemos que alterar mas com o tempo, com certeza, vai ser mais fácil tanto para ele como para nós”, acrescenta Mário Rui.
O menino, reconhecem, adaptou-se com mais facilidade. O que custou mais foi o adormecer, mas “aos poucos as coisas têm sido mais calmas”. Quando vai visitar a mãe e os irmãos, semanalmente, é que o regresso à família de acolhimento se torna mais difícil. “É sempre mais complicado ele adormecer, mas acaba por ser compreensível”. A família não esconde que teve algum receio inicial por se tratar de uma criança pequena contudo, a adaptação corre melhor a cada dia que passa.

De acordo com o presidente da Mundos de Vida, em Portugal cerca de 10 mil crianças vivem fora das famílias. A viver em centros de acolhimento estão cerca de nove mil e só 500 vivem em famílias de acolhimento. O responsável refere ainda que em muitos países europeus acontece o contrário e que as boas práticas internacionais têm vindo a implementar a medida de acolhimento familiar. “Viver numa família o ambiente é mais terno, mais positivo e seguro para as crianças, só que é preciso encontrar uma solução para conseguir captar na sociedade famílias de qualidade que queiram ser famílias de acolhimento”.
Para já são sete as famílias da Maia aptas a acolher crianças em risco, que integram esta bolsa de acolhimento. Em breve será aumentada com mais cinco famílias.

Isabel Fernandes Moreira