Maia luta contra o cancro

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“Não vamos parar até encontrarmos a cura!” e “Contamos consigo!” são frases comuns ao projecto “Um Dia Pela Vida”. A iniciativa da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC), promovida a nível regional e local, tem como lemas “Celebrar. Recordar. Lutar”. Chegou oficialmente à Maia no sábado, com a apresentação da equipa coordenadora no antigo Cinema Venepor.

Alguns problemas técnicos relacionados com o computador obrigaram a uma alteração no programa, passando o colóquio dedicado ao tema “Vamos Falar de Cancro” a ser o segundo ponto do encontro. Primeiro, subiu ao palco Conceição Clavel, coordenadora regional, chamando para o seu lado outra coordenadora, Mariana Vale. Em conjunto, assumiram que a iniciativa já presente em 19 concelhos do país “vai alterar completamente a vida das pessoas que o fazem e a vida da cidade”. Acrescentou Mariana Vale que a intenção é “deixar de ter medo de falar do cancro” e mostrar que “é algo que é possível vencer”.

E porque “falar de cancro é alertar para a prevenção”, lembrou Conceição Clavel, deu-se início ao prometido colóquio médico, cabendo a primeira intervenção a Maria Helena Marques Teixeira. A médica de saúde pública e coordenadora de Educação para a Saúde no Centro de Saúde da Maia abordou a temática “Prevenção Oncológica em Saúde Pública”, começando por afirmar que “cancro não é necessariamente morte”. A esse propósito, sublinhou as possibilidades de se minorarem os riscos, sendo a prevenção a palavra de ordem.

Depois da médica elencar alguns tipos de tumores e o que se pode / deve fazer para evitar ou minorar as suas consequências, falou-se especificamente de “Cancro da Mama”. Foi a intervenção de Fernando Castro, médico do Instituto Português de Oncologia (IPO) Francisco Gentil e colaborador do programa de rastreios da LPCC. Aliás, realçou que esta prevenção secundária “é a grande arma” para combater o número de mortes de mulheres por cancro da mama, aliada à vigilância médica e ao auto-exame. Porque “é uma luta que temos condições para vencer”, acredita Fernando Castro.

Para terminar o colóquio médico coube a Rui Medeiros, do Centro de Oncologia Molecular do IPO, explicar o que é o “HPV e o Cancro do Colo do Útero”. Por exemplo, para transmitir a ideia de que o processo que leva ao cancro – denominado carcinogése – por demorar entre dez a 15 anos. Ao mesmo tempo que afirmou que, à semelhança do que acontece com o cancro da mama, “os hábitos da mulher podem condicionar a evolução para cancro”.

“Acredito na Maia”

Com uma vertente pedagógica e outra de angariação de fundos para a LPCC, este “Um Dia Pela Vida” chegou oficialmente à Maia no dia 12, com a apresentação da equipa de coordenação local, liderada por Jaime Gonçalves, apresentado pelas coordenadoras regionais como o primeiro homem responsável local da iniciativa. Assumindo-se “enredado nas malhas”, está disposto a alertar para o cancro, que definiu como “inimigo forte, perigoso e traiçoeiro”. Está nessa luta com Irene Vicente, António Azevedo, Edite Azevedo, Helena Teixeira, Carlos Frazão e Inocêncio Vidal, os restantes elementos da equipa local.

“Um Dia Pela Vida” vai prolongar-se até 17 de Abril de 2010, data da festa de encerramento. Pretende-se que seja um momento de festa para “homenagear os que venceram, recordar os que partiram e apoiar os que se encontram a lutar contra o cancro”. O apelo lançado por Jaime Gonçalves foi para que este dia seja para “caminhar pela vida”. Mas que não seja o fim, defendeu. O coordenador local manifestou também o desejo de que “esta iniciativa sirva para desenvolver o espírito de voluntariado, como forma natural de estar na vida”.

Mas “porque há muita gente a semear nesta quadra”, afirmou Jaime Gonçalves no Venepor, a equipa local de “Um Dia Pela Vida” receia ser vista como “mais uns” a querer aproveitar o espírito solidário. Daí que tenha optado por aguardar “que a sementeira de hoje produza alguma coisa”, no sentido de surgirem equipas de voluntários, avançando apenas com actividades no início de 2010. E “eu acredito na Maia”, afirmou, incluindo todos no grupo de possíveis voluntários para este projecto. Para que a Maia possa “demonstrar que também é a melhor na solidariedade para com aqueles que mais precisam”.

Marta Costa