Maia tem uma mortalidade um pouco mais elevada por doenças respiratórias (áudio)

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“A Maia tem uma mortalidade um pouco mais elevada por doenças respiratórias, ou seja, cancro do pulmão, que justificam, nos próximos meses, o lançamento de uma campanha especial, por exemplo. contra o tabaco”. Esta foi uma das informações transmitidas ao secretário de Estado Adjunto e Saúde, durante a primeira reunião do conselho da comunidade.
Manuel Pizarro esteve na sexta-feira de manhã na Maia, para participar na reunião do Conselho da Comunidade dos Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES), um dos novos organismos introduzidos pela reforma dos cuidados de saúde primários com o objectivo de aumentar a ligação aos cidadãos.

O Conselho da Comunidade, presidido por um representante da câmara municipal da área geográfica do ACES integra representantes de cada concelho; do Centro Distrital de Segurança Social; das escolas ou agrupamentos de escolas; das instituições particulares de solidariedade social; da associação de utentes do ACES; das associações sindicais com assento na Comissão Permanente de Concertação Social; do hospital de referência; das equipas de voluntariado social e da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens.

O objectivo é aumentar a ligação dos cuidados de saúde primários aos cidadãos, centrando nestes, nas suas necessidades e aspirações, a actividade dos serviços de saúde. De acordo com o secretário de Estado é o local onde se faz uma reflexão sobre a situação do município e onde se discutem as iniciativas que vão ser promovidas para que a saúde continue a melhorar.
No final do encontro o secretário de Estado Adjunto e da Saúde apresentava as suas próprias conclusões. “A qualidade da resposta em matéria de cuidados de saúde primários da Maia é muito satisfatória, é a posição de todos os participantes mas, temos ainda ambição de melhorar”.
A preocupação, em primeiro lugar, vai para a taxa de mortalidade no concelho relacionada com as doenças respiratórias, o que justifica um trabalho de prevenção. “É este tipo de actividades que nós queremos valorizar a partir do conselho da comunidade”, sublinha o secretário de Estado Adjunto e da Saúde.

De acordo com a directora executiva do Agrupamento dos Centros de Saúde da Maia, Luísa Fontes, o diagnóstico do concelho está feito e mostra efectivamente que a principal causa de morte do concelho está relacionada com o cancro do pulmão e doenças pulmonares obstrutivas crónicas, que são as bronquites e similares que pode ter subjacente um problema de tabagismo. “Por exemplo, o maior problema a nível nacional são os acidentes vasculares cerebrais, enquanto que aqui no concelho esse problema não é um problema tão acutilante”, refere.
Por isso, acrescenta esta responsável, agora em sede do conselho da comunidade, é preciso definir intervenções concertadas para perceber como se pode intervir de forma a melhorar o panorama.

Manuel Pizarro adianta que há outras questões que vão levantando preocupações, no entanto, “esta era uma questão que distinguia a Maia dos municípios vizinhos e isso obriga a que façamos qualquer coisa para o evitar. Há uma prevalência da doença respiratória, quer bronquite crónica, quer cancro do pulmão, na Maia, superior àquilo que é a média nacional e a média da região norte. Aparentemente isso resultará de um excesso de hábito de fumar que tem que ser combatido”, acrescenta.

E o centro de saúde para Maia Leste?

Luísa Fontes considera também que a saúde da Maia está no bom caminho e que para isso tem contribuído o aumento das unidades de saúde familiar. “De facto, tem havido uma boa evolução em termos de resultados e é isso que nós queremos, mas a nossa ambição é sempre mais, melhorar ainda mais a saúde da população”, acrescenta.
Manuel Pizarro enalteceu ainda o “excelente” parceiro que encontrou na Câmara Municipal da Maia para poder dar resposta a alguns problemas dos cidadãos. “Isso fez com que nós na Maia tenhamos andado mais rápido do que em outros concelhos porque encontramos esta parceria, uma parceria que permitiu, por exemplo, que em matéria de instalações, nós pudéssemos ter sido muito rápidos a melhorar o parque das instalações de cuidados de saúde primários e isso resulta dessa parceria muito séria, muito leal entre a Câmara Municipal, a Administração Regional de Saúde do Norte e o ministério da Saúde”.

Apesar de considerar que a população da Maia tem uma boa rede de equipamentos de saúde, o secretário de Estado Adjunto e da Saúde reconhece que a população da zona Maia Leste, em Folgosa, S. Pedro Fins e Silva Escura, precisa de uma Unidade de Saúde, no sentido de uma maior proximidade. “É uma reclamação que nós vamos atender. Temos um compromisso e a Câmara Municipal já cedeu um terreno para construirmos uma unidade de saúde, nós vamos continuar esse esforço, tendo em conta aquilo que é a situação financeira do país, o que significa que não o podemos fazer de imediato, mas vamos desenvolver as iniciativas que têm a ver com a conclusão do projecto, na expectativa de, talvez em 2012, possamos lançar a obra”, espera Manuel Pizarro.

Ouça a declaração:

[audio:PIZARRO_MAIA_LESTE.mp3]

Isabel Fernandes Moreira