Maiambiente assume objectivo “ambicioso”

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Já tem aumentado, ano após ano, mas a Maiambiente quer mais. Para este ano, o objectivo da Empresa Municipal de Ambiente da Maia passa por “aumentar consideravelmente o envio de resíduos para valorização por reciclagem e compostagem”.

A meta é definida a propósito da divulgação dos quantitativos referentes a 2009. Mostram que, no ano passado, a quantidade de resíduos recolhidos aumentou 0,24 por cento (%), em relação a 2008.

Percorridos mais de 500 mil quilómetros, em cerca de 12 mil circuitos, os serviços da Maiambiente recolheram 61 mil 791 toneladas de resíduos. A maioria (46 mil 365 toneladas) na recolha indiferenciada e o restante (15 mil 426) através da recolha selectiva. Com base nestes números, a Maiambiente conclui que cada maiato – numa população equivalente a 135 mil habitantes – produziu cerca de 450 quilos (kg) de resíduos urbanos, correspondendo a uma média diária de 1,25 kg.

Metal, objectos volumosos, embalagens, resíduos orgânicos, Resíduos de Construção e Demolição (RC&D) e Resíduos de Equipamentos Eléctricos e Electrónicos (REEE) foram as fracções que, segundo a empresa, mais cresceram em 2009, em termos relativos.

Por tipo de materiais, a recolha selectiva de papel / cartão continua a ser a mais significativa no concelho. No ano passado, foram encaminhadas para reciclagem 3 355 toneladas, evitando o abate de entre 50 mil a 70 mil árvores. Logo a seguir, aparece o vidro, com 2 465 toneladas de resíduos recolhidos pela empresa municipal. Neste caso, sublinha a Maiambiente, permitindo poupar cerca de três mil toneladas de recursos naturais e 370 mil litros de petróleo.

Seguem-se os RC&D, os resíduos, os resíduos verdes (de jardins), as embalagens, a madeira, os resíduos verdes de cemitérios, o plástico, os objectos volumosos, os REEE e, por último, o metal. Importa ainda referir que, além destas fracções, a Maiambiente também recolhe pilhas e baterias, esferovite e tampinhas.

Sensibilidade crescente

Quando comparados com o anterior, os quantitativos da Maiambiente referentes a 2009 mostram um ligeiro aumento inferior a 1% do total de resíduos recolhidos. Isto porque, enquanto a recolha selectiva aumentou 11,03%, na recolha indiferenciada verificou-se uma redução de 2,90%.

O aumento dos resíduos recolhidos selectivamente – e que, em 2009, representaram 25% do total – coloca a Maia entre os municípios portugueses com o valor mais elevado, ainda que a empresa não disponha os dados de todos os concelhos. Pelo menos no Grande Porto, “somos claramente o município onde este rácio é mais elevado, o que naturalmente nos enche de satisfação”, admite o director-geral da Maiambiente, Carlos Mendes. Este rácio de 25 por cento faz também parte do contrato de gestão celebrado com a Câmara Municipal da Maia, e que vigora até ao final do corrente ano.

Conclui a Empresa Municipal de Ambiente da Maia que estes resultados “evidenciam a crescente sensibilidade de população para com a temática dos resíduos e a sustentabilidade dos recursos, indutora de comportamentos ambientalmente mais responsáveis”. Seja na sequência da acção da Maiambiente ou das abordagens frequentes na sociedade em geral.

Para isso têm também contribuído o alargamento dos serviços existentes e a criação de novos serviços, no âmbito do plano estratégico de alargamento da recolha selectiva porta-a-porta, que passou a abarcar mais cerca de 500 fogos (de um total de 700 identificados pela Maiambiente). Soma-se o aumento do número de ecopontos na via pública e o alargamento de serviços de recolha junto do comércio, serviços ou indústria.

Recolha limitada

A estratégia é para manter, até porque o referido plano estratégico prevê, até 2011, alargamento da recolha selectiva porta-a-porta a todo o concelho. Porque já foi feito um levantamento do número de fogos de habitação colectiva que dispõem de compartimentos para a deposição dos resíduos, Carlos Mendes sabe que a Maiambiente vai encontrar dificuldades para atingir essa meta. Em alguns casos, admite, “nem sequer é possível, por limitações, até, urbanísticas”. Nuns casos, porque as artérias não têm condições para acolher as viaturas usadas para a recolha selectiva (de maior dimensão e peso superior às da recolha indiferenciada) e noutros onde não há compartimentos para a recolha de resíduos ou, embora existindo, não têm capacidade para garantir a implementação de todos os serviços. Por isso, a empresa está a contactar os respectivos condomínios, no sentido de definir quais os serviços prioritários para cada um dos edifícios.

Para que nestes locais os maiatos não deixem de ter recolha selectiva, a solução deverá passar pela colocação nestes locais de “contentores de proximidade”:

[audio:RESIDUOS_CARLOS.mp3]

Diz o director-geral da empresa municipal que se trata de “um projecto muito ambicioso” e que não é aplicado em nenhum outro município. Além disso, conclui, “vai conferir ao serviço que a empresa presta uma qualidade dificilmente atingível”.

Marta Costa