Maiambiente prepara alargamento da recolha selectiva a todo o concelho

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A Maiambiente recolheu mais de 31.132 toneladas de resíduos só nos primeiros seis meses deste ano. Desse total, 23.143 toneladas correspondem a resíduos indiferenciados (resíduos que não podem ser separados para reciclagem). O restante, 7989 toneladas, correspondem à recolha selectiva (materiais recicláveis ou reutilizáveis). Em comparação a igual período do ano passado, verificou-se um aumento de 3,77 por cento no total de resíduos recolhidos, com um aumento de 2, 34 por cento na recolha indiferenciada e um aumento de 8,14 por cento na recolha selectiva.

Com uma população de aproximadamente 140 mil habitantes, os resultados obtidos entre Janeiro e Junho de 2010 significam que, em média, cada maiato produziu cerca de 1,2 quilos de resíduos urbanos, por dia.
São vários os factores que contribuíram para o aumento da recolha de resíduos. Um deles, e talvez o mais importante, de acordo com o director-geral da Maiambiente, “o aumento de serviços ou alargamento dos serviços existentes”. “Hoje, fazemos mais serviços de recolha selectiva porta-a-porta do que fazemos no passado, temos uma maior diversidade de meios, e há com certeza, maior sensibilidade por parte da população para esta temática – estão a separar mais”, acrescenta Carlos Mendes. Para além de todos estes factores, terá tido também influência a aposta da empresa municipal num maior envolvimento com a população, “sensibilizando, criando soluções que vão ao encontro daquilo que a população pretende, quer em relação à diversidade de serviços, horários e informações em geral”.

Ainda de acordo com o relatório da Maiambiente, nos primeiros seis meses do ano registaram-se máximos históricos na Recolha de Resíduos de Construção e Demolições (RC&D), embalagens, objectos volumosos, resíduos orgânicos, papel/cartão, plástico e vidro. A população tem separado mais resíduos orgânicos. E no que se refere aos RC&D, contribuiu a mudança da legislação, que fez com que sejam as autarquias a gerir estes resíduos, nos casos das obras que não carecem de licenciamento municipal. “Passamos a ter mais afluência de pequenos resíduos de construção e demolição junto dos ecocentros. Também é verdade que temos divulgado a informação de que os resíduos de construção e demolição são encaminhados para reciclagem”, explica o director-geral da Maiambiente. Mas de um modo geral, o crescimento abrangeu todo o tipo de resíduos.
Março foi o mês que registou a maior quantidade de resíduos recolhidos selectivamente, tendo atingido as 1466 toneladas. Em termos absolutos, o material mais recolhido continua a ser o papel/cartão, que atingiu as 1656 toneladas, seguindo-se o vidro, com 1231 toneladas.

Entre as fracções que mais cresceram em termos relativos, destaque para os Objectos Volumosos, Resíduos Orgânicos e Embalagens, com taxas superiores a dois dígitos. Já no que se refere à recolha de Resíduos Verdes de Cemitério e Madeiras, registou-se uma “ligeira queda” face a igual período do ano passado.

Alargamento de serviços a todo o concelho

A aposta da Maiambiente passa por manter a estratégia até agora implementada, que é a recolha selectiva porta-a-porta. Nesse sentido, está em fase final de implementação a recolha de papel/cartão, embalagens e vidro em cerca de mil edifícios de habitação colectiva, “o que equivale a cerca de 40 mil habitantes”.
Ainda de acordo com o director geral da Maiambiente, o “grande projecto” para os próximos dois anos passa pelo alargamento da recolha selectiva porta-a-porta e a “contentorização” da recolha indiferenciada a todo o concelho. “É um projecto muito grande, em termos de volume de investimento e de meios. Está estimada a necessidade de adquirir e distribuir 100 mil contentores, e vamos fazer a recolha em contentor e porta-a-porta dos resíduos indiferenciados, papel, embalagens e do vidro”, adiantou Carlos Mendes. Um investimento que rondará os 3 milhões de euros, e que será co-financiado pelo QREN. O projecto deverá arrancar ainda este ano.
“Seremos com toda a certeza, o primeiro município do país, e se calhar além das fronteiras do país, a ter um serviço que está implementado em 100 por cento do concelho”, salientou o director-geral da Maiambiente, Carlos Mendes.

Mais reciclagem, melhor ambiente

As 1650 toneladas de papel/cartão recolhido e enviado para reciclagem permitiu evitar o abate de 25 a 35 mil árvores. O vidro enviado para reciclagem, 1231 toneladas, permitiu poupar 1500 toneladas de recursos naturais e 185 mil litros de petróleo.
Uma tonelada de papel reciclado poupa 15 a 20 árvores, economiza cerca de 70 por cento de energia eléctrica e polui menos 75 por cento do ar. Já uma tonelada de vidro permite poupar 1200 quilos de matéria-prima, economizar cerca de 30 por cento de energia eléctrica e 150 litros de petróleo.

Fernanda Alves