Mais qualidade e inovação na Primavera do Teatro 2010

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A qualidade foi um dos aspectos a salientar na quarta edição da Primavera do Teatro e da segunda edição da mostra de teatro amador – Maia ao Palco, que decorreu na Maia, entre 23 e 28 de Março. “Houve um salto bastante grande na qualidade dos espectáculos, e pareceu-me que os grupos e as associações tiveram mais cuidado na preparação dos seus espectáculos”, sublinha José Leitão, director do Teatro Art’Imagem.
A mostra “Maia ao Palco” contou com a participação de oito associações, mais duas do que na edição do ano passado. Os noviços desta mostra foram os grupos Pé no Charco e O Fantocheiro, ambos constituídos por jovens actores.
A iniciativa é da responsabilidade do pelouro da Cultura da Câmara Municipal da Maia em colaboração com a companhia de Teatro Art’Imagem. Mais uma vez, o objectivo era assinalar o Dia Mundial do Teatro que se celebrou no passado sábado.
Para os grupos de teatro, esta foi também uma oportunidade de darem a conhecer o seu trabalho. A diversidade dos trabalhos apresentados é também de salientar. Houve espaço para representações mais actuais, que abordaram a violência e a guerra; para as mais tradicionais, como a revista, a sátira e a comédia; e para pequenas representações que misturavam o teatro, a música e a dança.
Apesar de amadores, os grupos levam cada vez mais a sério a arte de representar, tendo inclusive convidado actores profissionais para dirigirem os seus espectáculos. “É muito bom. Mostra que eles querem aprender”, diz José Leitão. Pelo menos quatro grupos eram dirigidos por actores com experiência, o que acabou por se reflectir no trabalho que apresentaram no palco. Alguns deles já passaram pela Oficina de Teatro da Maia, “o que mostra que a oficina está a dar os seus frutos”. “Muita gente que tem passado pela Oficina de Teatro da Maia, hoje é actor profissional”, acrescenta o director teatral e encenador.
A inovação dos trabalhos apresentados foi outro dos pontos fortes da mostra de teatro amador. “Falavam da guerra, da violência, e eram espectáculos já de concepções bastantes profissionais na forma de serem apresentados”, explica.
A qualidade dos trabalhos e a aposta dos grupos na inovação levam José Leitão a afirmar que, cada vez mais, a Primavera do Teatro se centrará na mostra de teatro amador, “porque é bastante trabalhosa”. “Organizar oito grupos, onde há pessoas que têm os seus trabalhos, é muito complicado. Mas foi tudo muito interessante. Foi tudo feito com bastante profissionalismo da parte deles”, destaca o director do Art’Imagem.
Pelos oito espectáculos, passaram cerca de 1200 pessoas, com uma média de 120 por cada representação. Este ano, a Maia ao Palco decorreu no auditório Venepor, uma vez que o Fórum da Maia está em obras de remodelação. Uma mudança que acabou por ser “interessante”, diz José Leitão, uma vez que muitos ainda não conheciam o espaço do antigo cinema Venepor. “Foi também uma forma de mostrar mais um equipamento cultural que a Câmara da Maia tem e que as pessoas puderam usufruir”, salienta.
Para além das palmas do público, os grupos participantes na segunda mostra de teatro amador Maia ao Palco, receberam um diploma de participação, entregue pelo presidente da Câmara Municipal da Maia, Bragança Fernandes, no passado domingo.

Levar o teatro a outros públicos

Uma das condições impostas aos grupos que participam na mostra de teatro amador é assistirem ao trabalho dos outros grupos, de forma a apurar a qualidade das representações. “Isso tem acontecido, mas são apenas duas ou três pessoas que vêm, e não os actores em geral”, lamenta. Por outro lado, são também muitas as associações que ainda trabalham para o público da casa. O ideal, na opinião de José Leitão, seria que esse público se disseminasse pelas outras associações, de forma a conhecerem o trabalho que desenvolvem dentro da sua comunidade, isto no que diz respeito à arte de representar. Apesar disso, a Primavera do Teatro veio para ficar, embora cada vez mais centrada no teatro amador.

Fernanda Alves