Maria Inês procura dador em Gueifães (áudio)

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São inúmeros os doentes à procura de um dador compatível de medula óssea. E alguns bem mediáticos, com campanhas que circulam inclusive pelas redes sociais da Internet. A nomes como Teresa, Afonso ou a Carmenzita, juntou-se recentemente a Maria Inês, filha de um casal de Gueifães, que agora reside em S. Félix da Marinha, no concelho de Vila Nova de Gaia. Mas é exactamente em Gueifães que se realiza já este domingo mais uma colheita de sangue e inscrição de novos dadores.

A acção vai decorrer na Cripta da Igreja de Gueifães, entre as 10h00 e as 16h00 de domingo, com o apoio do Didasa n – Dinamizadores para a Dádiva de Sangue da Paróquia de Gueifães. No mesmo dia, o Hotel Meia Lua, em Ovar, será o palco de uma outra colheita, também a favor da Maria Inês, entre as 9h00 e as 17h30.

Estas campanhas são promovidas por familiares e amigos, nomeadamente a tia e madrinha da Maria Inês, Andreia Miranda. Os pais agradecem, embora não estando directamente ligados à organização das colheitas, já que aguardam ainda a resposta do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto e do Centro de Histocompatibilidade do Norte para saberem se já existirá algum dador compatível no registo internacional de dadores de medula óssea.

O transplante é a cura possível para a Maria Inês, a quem foi diagnostica a 15 de Março uma leucemia mieloblástica aguda. Caso contrário, “a possibilidade de ter uma reincidência é grande”, esclarece o pai, José Filipe Silva.

[audio:LEUCEMIA_INES.mp3]

A notícia chegou depois de uma análise ao sangue, feita na sequência de alguns sintomas pouco comuns. Além da redução do apetite, “estava mais branquita, cansava-se com muita facilidade, alguma falta de ar e muitos calores”, recorda José Filipe Silva. Foi “como uma bomba que nos cai em cima”, acrescenta.

Apesar das dificuldades iniciais para lidarem com a situação, encontraram no IPO a ajuda e acompanhamento necessários, inclusive trocando experiências com outros pais que também têm os filhos com o mesmo tipo de patologia. No IPO tem estado, ultimamente, a Maria Inês, a cumprir o tratamento de quimioterapia. No sábado, terminou o segundo ciclo e regressou a casa depois do almoço, ao fim de 31 dias de internamento. Amanhã, deve efectuar algumas análises para saber se pode avançar para o terceiro ciclo de um total de quatro que estão previstos.

Tudo isto tem obrigado também a família a reorganizar-se. A mãe deixou de trabalhar para acompanhar a Maria Inês de perto, mas com o marido tenta “manter o dia a dia sem grandes alterações, de forma a que o irmão e a prima não sofressem com isso”. Admite José Filipe Silva que, “no primeiro mês, foi muito difícil”, apesar da ajuda dos amigos e familiares, “que se desdobraram em inúmeras tarefas para nos ajudar”. Depois, foram tentando retomar a rotina.

Quanto à Inês, e depois da primeira quimioterapia que “foi muito agressiva”, diz o pai que, “em termos psicológicos, ela tem estado bem”, mantendo a boa disposição e continuando a brincar. Em especial, porque gosta muito de pintar. Fisicamente, perdeu algum peso e sofreu a habitual consequência da quimioterapia, a queda do cabelo. Mas conclui José Filipe Silva que “conseguiu ultrapassar isso até muito mais facilmente do que, se calhar, eu e a mãe”.

Marta Costa