Menos 36% de consultas presenciais no primeiro semestre de 2020

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imagem DR

As consultas presenciais diminuíram em 36% relativamente ao primeiro semestre de 2019.

Os dados foram divulgados em Lisboa, no âmbito do lançamento do Movimento Saúde em Dia, promovida pela Ordem dos Médicos e a Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH).

Segundo os dados oficiais, o número de teleconsultas aumentou 40% no primeiro semestre deste ano.

No primeiro semestre de 2020 foram feitas menos de 3,8 milhões de consultas presenciais nos centros de saúde comparativamente ao mesmo período de 2019. Nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) foram realizadas menos 902 mil consultas.

Estes números provocam preocupação às duas entidades devido ao número de doentes que ficou sem acesso a consultas, cirurgias, exames médicos, internamento ou serviços de urgência devido ao surto da Covid-19.

Miguel Guimarães, bastonário da OE alerta ainda que a situação “se pode agravar nos próximos meses, uma vez que existem doentes sem acesso a consultas desde março, que ainda não começaram a ser tratados e não há um verdadeiro plano de retoma”.

Segundo os dados apresentados, a diminuição de 902 mil consultas hospitalares resultou numa quebra de 22% nas primeiras consultas no hospital e de 11% nas consultas seguintes.

Nas urgências foi verificada uma redução de 27% de ocorrências nos primeiros 6 meses do ano, o que se traduz em menos 839,436 episódios do que em 2019.

As cirurgias também foram drasticamente reduzidas, com uma concretização de menos de 27%.

Os dados denotam ainda uma diminuição de 30% das cirurgias programas e de 10% das operações urgentes.

Para o presidente da APAH, Alexandre Lourenço, é necessário olhar com atenção para as consultas presenciais que não foram realizadas, alertando que “não é apenas com uma chamada telefónica” que se podem “realizar rastreios, diagnósticos, conhecer o doente e referenciá-lo adequadamente para os cuidados especializados”.

Miguel Guimarães concorda com esta ideia e refere ainda que “os centros de saúde continuam com atividade limitada pela covid-19” e que o contacto diretos com o utente tem sido baseado na tele-medicina e em contactos breves, o que não permite ter acesso à imagem completa do doente.

De forma a tentar contrariar esta situação, as duas entendidades, juntamente com Roche, lançaram esta semana o vídeo “Saúde em Dia – Não mascare a sua saúde”, onde existe o objetivo de se sensibilizar “a população para a importância de se manterem alerta em relação à sua saúde, não mascarar sintomas e não adiar visitas ao médico perante sinais de alerta de qualquer doença”.

A APAH e a Ordem dos Médicos afirmam que “não se deve descurar a covid-19”, mas reforçam que “a saúde é muito mais do que a pandemia”, pelo que existe necessidade de atenção a outros problemas e doenças.