Milheirós inaugura monumento de homenagem aos professores

0
319

Já está inaugurado o monumento de homenagem aos professores de Milheirós. Uma homenagem que é personificada na pessoa da professora Alice Ângela Lima Silva. Foi professora na freguesia durante 46 anos e, desde sábado, tem o seu nome perpetuado num arranjo urbanístico numa Praceta, com direito a busto, e na Alameda, junto à Rotunda 2+1 e rua 5 de Outubro. A escultura e a arquitectura são da autoria de dois ex-alunos da professora, Ilídio Fontes e Alfredo Ascenção.

De acordo com o presidente da Junta de Freguesia de Milheirós, Mário Gouveia, Alice Ângela Lima Silva terá sido “a professora” da freguesia. “Não a conheci pessoalmente mas pelos testemunhos de várias gerações de pessoas de Milheirós que foram alunas dela, todos são unânimes em reconhecer que foi uma mestra e uma pessoa muito dedicada aos seus alunos, muito empenhada, manteve uma relação muito estreita com a comunidade, o que é fundamental nos tempos de hoje que a escola e a comunidade estejam interligados e, portanto, a junta de freguesia achou que a D. Alice deveria ter uma homenagem que ficasse para sempre registada na freguesia”, sublinhou.

Mas Mário Gouveia entende que esta acaba por ser uma homenagem a todos os professores que trabalham e trabalharam na freguesia. “Estas homenagens devem ser o mais alargadas possível porque provavelmente já existiram outros professores – e há outros professores – que são muito empenhados, muito dedicados e que estão ao serviço da comunidade e a ajudar a formar novos cidadãos e, portanto, acho que as homenagens, devem ser mais plurais e é essa a nossa intenção”.

A escultura e o projecto de arranjo urbanístico foram oferecidos pelos dois ex-alunos à autarquia de Milheirós, que recorreu à Câmara Municipal da Maia para conseguir financiamento para a empreitada. De acordo com o autarca, Bragança Fernandes, a obra custou cerca “de 50 mil euros”.

O edil da Maia apela agora para que não “destruam” o monumento, “não o grafitem”, “nem o tentem vender para a sucata” porque “seria um desgosto”. E reiterou o respeito pelos professores primários “que são os nosso pedagogos, quase os nossos segundos pais”.

Foi com grande emoção que Maria Eduarda, filha da professora, assistiu a toda a cerimónia. “E para me aguentar foi difícil, muito difícil”. Já no ano passado, na altura do 25 de Abril, altura em que a Junta de Freguesia de Milheirós fez uma homenagem aos professores reformados, foi convidada para estar na localidade, o que aceitou “de bom grado”.

Em relação à homenagem que agora foi feita, a filha recorda que já há uns anos estava a ser programada e que até chegou a pensar que já estaria esquecida”. Mas no passado fim-de-semana chegou então o momento. E no dia, “a emoção era ilimitada porque é um reconhecimento ao trabalho que a minha mãe levou a cabo aqui na freguesia e nada do que se disse na cerimónia é exagerado”, afirmou.

A escultura foi criada pelo escultor Ilídio Fontes, também seu ex-aluno, a partir de duas fotografias que Maria Eduarda lhe cedeu. A filha não esconde que gostou “muito” do resultado final “porque das fotografias ele apenas tirou alguma coisa”. “O mais importante que ali está”, acrescentou, “não é a fotografia mas sim aquilo que ele tirou das suas recordações enquanto aluno da mãe”. O resultado final “está realmente muito bem e está aqui o tributo”, referiu.

Na cerimónia marcaram também presença alguns antigos alunos de Alice Ângela Lima Silva. Entre eles, o juiz conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça. Artur Costa foi seu aluno entre 1953 e 1956. Aceitou o convite para falar em nome de todos os ex-alunos porque entendeu ser um dever cívico essa incumbência. Por outro lado, “era uma dívida que tinha que satisfazer”. E acabou por explicar que a dívida se prendia com uma visita à antiga “mestra” que foi adiando. Alice Silva acabou por falecer antes de realizar essa sua vontade. “Foi mais do que uma professora. Foi uma verdadeira mestre, que nos deu bases de educação cívica e soube despertar o interesse dos alunos”, justificou o juiz conselheiro.

Isabel Fernandes Moreira