Mónica Oliveira teve “experiência traumática de parto” em pandemia

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Fonte: Canva
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Mónica mora na Trofa e, em fevereiro de 2020, descobriu que estava grávida. Depois de ultrapassar uma  “experiência traumática de parto”, ficou infetada com covid-19.

A entrevistada começa por explicar ao Primeira Mão, que contraiu o vírus, “15 dias após ter o bebé”. Assim, novembro de 2020 foi para ela, “muito complicado”.

“Tinha medo de o infetar, constantemente, mas não deixei de o amamentar, fazia-o com máscara e estava sempre a desinfetar as mãos e o peito, porque tinha medo de transmitir alguma partícula de vírus”, explica.

Com um recém-nascido em mãos, Monica não conseguiu “cheirar o meu filho, porque fiquei sem paladar e olfato durante quase três meses”. Lidar com tudo isso demonstrou-se avassalador, pois nem pôde “dar-lhe um beijinho durante o primeiro mês de vida”.

A nível emocional, a entrevistada confessa que a conexão ao filho foi tardia. “Acho que demorei algum tempo a sentir aquela relação emocional mãe-filho. Se calhar mais tempo do que normalmente levaria, se tivesse tido uma condição normal. Foi mais difícil ter logo uma relação imediata e o amor incondicional de mãe fez-se sentir mais tarde para mim”.

“Não tive tanta ajuda da parte dos médicos e dos enfermeiros, pois eles evitavam estar comigo e entrar no quarto”

Quando Mónica estava em trabalho de parto teve de permanecer “sozinha e em isolamento no hospital”, pois “estava negativa, mas o meu parceiro acusou positivo”. Assim, o pai do bebé, não pôde assistir ao nascimento do filho.

Mónica Oliveira admite que a sua experiência de parto foi “muito traumática: fui tratada como doente covid no hospital, porque me disseram que mesmo estando negativa, poderia acusar positivo, entretanto. Não tive tanta ajuda da parte dos médicos e dos enfermeiros, pois eles evitavam estar comigo e entrar no quarto”.

Apesar de tudo, Mónica conseguiu agarrar o seu filho logo no primeiro momento. “Amamentar e colocá-lo logo junto a mim foi uma exigência minha. Mas também escolhi um hospital em que sabia que o fariam”, explica. “Acho que isso é uma opção de cada mãe”. E como “ninguém pode tirar um filho a uma mãe, estando positiva ou não”, a recém-mamã esteve “sempre de máscara e com todos os cuidados” na hora de segurar a criança. “Ninguém me ia separar do menino”, acrescenta.

Agora que já ultrapassou a “má experiência” dos primeiros meses, Mónica faz uma retrospetiva e afirma que, de certa forma, foi negligenciada no hospital em que deu à luz. “Eles não me deram os cuidados necessários, porque, acho, era por terem medo de poderem ser infetados”. No entanto, “isto foi em outubro e já não havia muitas razões para fazerem o que fizeram, coisa que acredito que ainda hoje façam”. Mónica afirma ter “riscado aquele hospital, porque realmente estiveram muito mal”.

A entrevistada revelou também, grande consideração pela forma como está a ser atendida pelos profissionais de saúde que a acompanham atualmente. “Não tenho queixa nenhuma do meu centro de saúde nem da minha médica de saúde. Mónica afirma que “até escrevi um elogio no livro de reclamações o mês passado, porque eu tenho ouvido tantas queixas da parte de colegas minhas que tiveram bebés também, em relação a consultas, atrasos e cancelamentos, e a mim nunca me cancelaram uma consulta no centro de saúde e fui sempre atendida”.

Mesmo quando “estive em quarentena, os enfermeiros vieram ter comigo e com o bebé a casa com todos os cuidados e claro, com os equipamentos de proteção individual. Há coisas que são extremamente importantes no primeiro mês de vida, como por exemplo, o teste do pezinho e eles fizeram isso tudo mesmo eu estando em quarentena”.

Este é o testemunho de uma mãe que conseguiu enfrentar todas as adversidades e estabelecer uma ligação inquebrável com o filho.

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