Monitores com máscara e equipamentos espaçados são nova realidade dos ginásios

0
335

Monitores com máscara, equipamentos espaçados e mesas com desinfetante espalhadas pelo espaço são a nova realidade dos ginásios do Norte, que reabriram na segunda-feira depois de cerca de três meses de pausa forçada devido à pandemia da covid-19.

Diogo Cunha, de 19 anos, tinha saudades do ginásio porque, para este estudante de Educação Física, “treinar é uma parte importante” do seu “bem-estar psicológico”. Não hesitou em regressar mal ouviu na televisão que a Direção-Geral da Saúde (DGS) ia permitir “com regras seguras” a reabertura destes espaços.

“Fiz alguns [exercícios com] elásticos em casa, mas não é a mesma coisa”, disse Diogo Cunha à agência Lusa, enquanto com um borrifador e papel absorvente desinfetava as pegas dos alteres que ia utilizar no ginásio que frequenta na Maia.

“Desinfeto eu próprio antes e depois de utilizar por uma questão de segurança, mas também de civismo, pensando no próximo utilizador”, contou.

Diogo decidiu deixar a máscara que trazia até à entrada do ginásio na mochila, no cacifo, mas poderia usá-la no treino caso preferisse. Já à monitora Inês Mendes, que trabalha no Fitness Up de Moreira da Maia, isso não é permitido. Usa máscara e viseira e circula pela sala de borrifador de desinfetante numa mão e papel absorvente na outra. De cada vez que um cliente deixa um equipamento cabe-lhe “desinfetar tudo”, uma tarefa nova para uma instrutora que, até março, tinha por hábito aproximar-se dos clientes para dar dicas de exercícios e agora soma à conversa pedidos para que mantenham o afastamento entre si.

“É que às vezes chegam em dupla, dois amigos ou um casal, e estavam habituados a partilhar equipamento e a treinar perto. Temos de sensibilizar para que evitem fazê-lo. Pedir-lhes que mantenham a distância”, referiu Inês Mendes à Lusa.

Num ginásio de Moreira da Maia, um dos 18 ginásios de uma conhecida cadeia que tem espaços em vários concelhos do Norte e Centro e planeia expandir-se para o Sul, “além das normas impostas pela DGS, foram instituídas mais de forma a garantir que o cliente treina em segurança”, descreveu o responsável técnico, Vítor Santos.

“A viseira não é obrigatória para os colaboradores, mas, à exceção dos ‘PT’ [treinadores pessoais], todos a usam do balcão de entrada aos gabinetes de avaliação e consulta de nutrição. Colocámos pontos de desinfeção em todos os cantos e borrifadores pendurados nas paredes junto às máquinas. Nos balneários, o acesso aos chuveiros está vedado e estamos a pedir aos sócios que não tragam objetos de valor de forma a evitarem usar cacifo”, enumerou.

Nesta cadeia de ginásios foi decidido adiar uma semana as aulas de grupo para que os calendários possam ser ajustados. O objetivo é reduzir as aulas em simultâneo para evitar cruzamentos nos corredores e nos balneários.

Na Maia há máquinas desativadas e muitas foram deslocadas para garantir a regra de afastamento de três metros. E num estúdio que recebia 20 alunos só podem estar ao mesmo tempo oito pessoas. Já um estúdio preparado para 40 clientes tem agora marcadas no chão 14 cruzes, mostrando aos amantes das aulas de GAP [Glúteos, Abdominais e Pernas] ou de ‘bodypump’ [ginástica de academia feita com pesos], entre outras, onde poderão estar.

Os torniquetes de admissão ao espaço bloqueiam quando a lotação está esgotada. Neste espaço da Maia não poderão estar mais de 70 clientes ao mesmo tempo. Antes, a capacidade era de 140.

O uso de toalha já era obrigatório e agora o pedido para que seja escolhida uma toalha grande que cubra todo o colchão ou equipamento está a ser reforçado. Os caixotes do lixo estão abertos ou são de pedal, para evitar contacto manual. As balanças estão a ser desinfetadas e na avaliação foi abolida a medição de perímetros com fita métrica, para evitar contacto entre monitor e cliente. O ringue de boxe também está vedado “para já”.

(com Agência Lusa)