Natal: Mudam-se os tempos, mudam-se os costumes

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A tradição já não é o que era. E no que se refere à árvore de Natal, não há excepção. Ao contrário do que acontecia há alguns anos atrás, o verde do pinheiro natural, deu lugar ao pinheiro artificial. Até porque a lei assim obrigou. Cortar um pinheiro pode dar direito a uma multa pesada. O verde é a cor mais tradicional do pinheiro de Natal. Para gostos mais arrojados ou sofisticados, começaram a surgir no mercado árvores de “quase” todas as cores, como o branco, o preto, o vermelho, os dourados e prateados.

No que se refere à decoração, as coisas também foram mudando ao longo dos tempos.

No tempo dos romanos, as árvores eram decoradas em honra de Saturno, deus da agricultura. Este costume acontecia mais ou menos na mesma época em que hoje preparamos a árvore de Natal.

Os egípcios traziam galhos verdes de palmeiras para dentro das suas casas no dia mais curto do ano (21 de Dezembro), como símbolo do triunfo da vida sobre a morte.

Nas culturas célticas, os druidas tinham por costume, decorar velhos carvalhos com maçãs douradas. Mais tarde, o carvalho, considerado símbolo divino, acabaria por ser substituído pelo abeto de forma triangular, símbolo da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo).

A primeira referência a uma “árvore de Natal” surgiu no século XVI e foi nesta altura que ela se vulgarizou na Europa Central. Registos históricos dão conta da existência de árvores de Natal na Lituânia em 1510.

Diz-se que foi Lutero (1483-1546), autor da reforma protestante, que após um passeio, pela floresta no Inverno, numa noite de céu limpo e de estrelas brilhantes trouxe essa imagem à família sob a forma de árvore de Natal, com uma estrela brilhante no topo e decorada com velas. Para ele, o céu estaria assim, no dia do nascimento do Menino Jesus.

Na Alemanha, as famílias ricas e pobres, decoravam as suas árvores com frutos, doces e flores de papel. Este costume enraizou-se de tal forma nas populações, que obrigou à criação de indústrias especializadas na criação de ornamentos natalícios.

Na Grã-Bretanha, a tradição da árvore de Natal chegaria no século XVII pelas mãos dos monarcas de Hannover. Mas os ingleses só se renderam a esta tradição, no Natal de 1846, após a publicação de uma imagem da Rainha Vitória e Alberto com os seus filhos, junto a uma árvore de Natal, no Castelo de Windsor. A foto da família real foi publicada pela “Illustrated London News”.

Esta tradição espalhou-se por toda a Europa, tendo chegado aos Estados Unidos por altura da guerra da independência, através dos soldados alemães. Em 1856, a Casa Branca foi enfeitada com uma árvore de Natal. A tradição mantém-se desde 1923.

Árvore de Natal em Portugal

De origem pagã, o uso da árvore de Natal predomina, sobretudo, nos países nórdicos e no mundo anglo-saxónico. Nos países católicos, como Portugal, a tradição da árvore de Natal foi surgindo pouco a pouco ao lado dos tradicionais presépios.

A sua aceitação, no nosso país, é recente quando comparada com os restantes países. Até aos anos 50, o presépio era a única decoração de Natal.

Nos dias de hoje, a árvore de Natal é uma presença assídua no período natalício, fazendo as delícias dos mais novos que se divertem com a sua decoração e com a cor do piscar das luzes.

Azevinho

O Azevinho é um dos símbolos do Natal, sendo utilizado nas decorações natalícias. A procura pelos seus ramos, de cor verde e os seus frutos vermelhos, tornaram-na rara enquanto planta espontânea, sendo actualmente uma espécie em risco de extinção. Daí, a proibição da sua recolha, em Portugal.

Para evitar o corte do azevinho, já é possível encontrar azevinho artificial, em várias superfícies comerciais.

Fernanda Alves