"Não prescindimos da segurança"

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Moradores da Rua das Oliveiras queixam-se de insegurança por causa das obras

Câmara assinala intervenção de excelência e propõe-se corrigir os erros existentes

As obras do Metro do Porto nas imediações da Rua das Oliveiras, na freguesia de Moreira da Maia, estão a provocar muitas preocupações aos habitantes desta artéria moreirense. Nos últimos tempos, as intervenções levadas a cabo perto da rua em causa, paredes-meias com a linha B do Metro do Porto, transformaram por completo a paisagem desta zona, essencialmente verde e pouco urbanizada. A caminho está a construção em altura, numa área compreendida entre a Estrada Nacional 107 e a Rua Dr. Farinhote. No entanto, o vereador do urbanismo da Câmara da Maia, António Silva Tiago, avança que a autarquia está à espera do fim das obras levadas a cabo pela empresa do Metro para "tomar conta" dos novos arruamentos.

Moradores e autarquia já chegaram a um acordo pacífico, mas até há algum tempo nem tudo eram rosas. Os moradores da Rua das Oliveiras apontavam vários erros às obras desenvolvidas pelo Metro do Porto, com sinal verde da Câmara da Maia. Erros que ainda não foram corrigidos. No terreno, agora um labirinto de alcatrão, ainda sem habitações construídas, os moradores mostram cartão vermelho ao actual "estado de sítio". António Sá é um deles e em nome dos moradores da Rua das Oliveiras reclama a implantação de semáforos na entrada da nova urbanização, tanto na Nacional 107 como na Rua Dr. Farinhote. Tudo em nome da segurança, que é o que exige outro dos moradores da artéria moreirense, Luís Santos. Acrescenta este habitante que os contactos com a Câmara Municipal da Maia se têm revelado infrutíferos, com o morador a acusar a autarquia de ser "ignorante em termos técnicos". Luís Santos diz mesmo que chegou "a ficar assustado com a incompetência técnica do pessoal da Câmara". No entanto, o vereador do urbanismo da Câmara da Maia já adiantou que vão ser implantados semáforos nos novos arruamentos.

A autarquia já se prontificou para corrigir o que está mal. Um dos erros mais graves, dizem os moradores, é o acesso a um pontão que faz a ligação entre a Rua da Botica e o acesso à Rua das Oliveiras. Na aproximação à última artéria, a via descreve uma curva de 180 graus à esquerda, logo após a uma descida. Entendem os moradores que a curva está mal sinalizada. "Meteram uma placa sinalizadora de curva à esquerda em cima da curva. É difícil de ver, principalmente à noite. E se algum carro, por lapso, falhar a travagem, encontra um fosso com seis metros de profundidade". As críticas sobem de tom e Luís Santos chega mesmo a dizer que "uma queda a essa altura pode provocar lesões cervicais e até mesmo morte".

Num dos segmentos da "nova" Rua das Oliveiras, nota-se a ausência de protecção na lateral dos passeios. A falta destas infra-estruturas pode provocar quedas graves, já que imediatamente ao lado dos passeios, onde futuramente vão nascer novas urbanizações, agora se encontram apenas desníveis com vários metros de altura. Mais uma vez, está em causa da segurança dos que atravessam esta via a pé, "principalmente crianças e deficientes visuais e motores", acrescenta Luís Santos.

Apesar das contrariedades, os moradores da Rua das Oliveiras já apresentaram um plano "inovador e prestigiante para a Câmara Municipal", mas que foi mal recebido pela autarquia. "Quase que nos trataram como tolos". Nos contactos com a Câmara, os moradores tentaram falar com o presidente da autarquia, Bragança Fernandes, com o presidente da Assembleia Municipal, Luciano Gomes e com o vice-presidente da câmara, António Silva Tiago. No entanto, "apenas o presidente da Assembleia Municipal se dignou a responder aos nossos contactos". Seguiu-se uma reunião com técnicos camarários e com o presidente da Junta de Freguesia de Moreira da Maia, Albino Maia. Os resultados não foram animadores. "Percebemos que o presidente da junta sabe muito pouco e isso preocupa-nos", avança Luís Santos.

Problema a caminho da resolução

Noutra reunião, os resultados foram mais positivos. Segundo o vereador do urbanismo, António Silva Tiago, "os resultados dessa reunião foram plenamente satisfatórios". Os moradores consideraram que a intervenção feita no local é "de excelência" mas, como já foi referido, ainda há arestas por limar. "A única coisa que preocupa os moradores e também a Câmara Municipal da Maia é o mau uso que as pessoas podem dar à obra", confessa o vereador. Como se tratam de vias recém-pavimentadas e com rectas de alguma extensão, a segurança vem, mais uma vez, à baila. "Se aquilo estivesse cheio de buracos, como já esteve antes, os moradores não estavam preocupados porque não iam existir abusos" por parte dos "aceleras", acrescenta António Silva Tiago.

Para melhorar a segurança do local, António Silva Tiago revela que "vão ser colocados semáforos num entroncamento a sul da Rua de Matos para regular o entroncamento existente. E ao mesmo tempo que vão regular o entroncamento, obriga as pessoas a andar devagar". Outra das medidas propostas e aceites pela Câmara Municipal da Maia passa pela limitação de velocidade na Rua das Oliveiras que, adianta António Silva Tiago, vai passar a ter como limite de velocidade 30 quilómetros por hora.

Uma redução de velocidade também vai conhecer a "raquete" à saída do viaduto que encima a linha B do Metro do Porto. O "gancho", que já foi referido neste artigo, vai ser antecedido por bandas sonoras a fim de desencorajar quaisquer excessos que possam ser cometidos. Estas bandas sonoras vão ser acompanhadas por sinais luminosos, "para complementar os alertas e se tornarem mais expressivos", avança António Silva Tiago.

"Nós não queremos andar a fazer coisas bonitas e boas para depois darem em mortos", garante António Silva Tiago. No entanto, avança o autarca que "não podemos lutar contra loucos", referindo-se a cidadãos que podem cometer excessos. "Esses não podemos controlar, era preciso um polícia em cada esquina", acrescenta o autarca.

Os problemas vão ser totalmente sanados no futuro. Garante António Silva Tiago que isso acontecerá quando a Metro do Porto entregar a obra à Câmara da Maia, algo que vai acontecer no final dos trabalhos. "A partir desse momento, a obra passa a ser gerida e preservada pela câmara".