Núcleo da Maia do Pais em Rede procura parceiro

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Carmen Mendes é professora do ensino especial e mãe de uma criança especial. E é ainda a responsável pelo Núcleo da Maia do Movimento Pais em Rede, que é constituído, na sua maioria, por pais com filhos deficientes.

De acordo com aquela responsável, ainda estão a ser dados os primeiros passos para a constituição do núcleo maiato. Confessa que não tem tido muito tempo para se dedicar a este novo desafio na sua vida. “Irá ser gradual, porque tenho muitas actividades ao nível do meu trabalho, porque gosto daquilo que faço, e o meu filho também me ocupa muito tempo”. No entanto, vai tentando encontrar alguma disponibilidade para se dedicar ao núcleo. Um dos primeiros objectivos de Carmen Mendes, será chegar junto das famílias com crianças e jovens deficientes, que não têm a oportunidade de os integrar na sociedade.

“Preocupa-me aqueles meninos, jovens que estão escondidos em casa, que já estão fora da escolaridade, e que as instituições não recebem, porque já estão cheias”, diz. Um trabalho que a docente do ensino especial e mãe de uma criança especial gostaria de desenvolver, “quando tiver um pouco mais de tempo”. Falta também encontrar um parceiro disponível para desenvolver esse trabalho, e uma sede social. No encontro que decorreu recentemente, na Maia, a questão foi levantada na presença de um representante da acção social da Câmara da Maia. E por isso, Carmen Mendes tem esperança de que um dia poderá contar com a ajuda da autarquia na concretização do seu objectivo. Ajudar, informar, aconselhar e encaminhar, serão algumas das mais-valias que o núcleo poderá trazer para as famílias da Maia com crianças e jovens especiais.

O coração “um bocadinho mais apertado”

A entrada de Carmen Mendes no movimento Pais em Rede deu-se a partir de um convite para frequentar uma Escola de Pais, em Lisboa. “Aceitei e aprendi imenso. Todos nos estávamos lá com filhos deficientes, e havia uma sintonia muito grande”, lembra. “Lido com os pais, entendo os pais perfeitamente. Vêm falar comigo, muitos choram da tristeza que têm por ter um filho deficiente. Eu não choro, muito pelo contrário, gosto muito de ter o meu filho”, sublinha.

O filho, com 13 anos de idade, frequenta o 5º ano de escolaridade, numa outra escola e num outro agrupamento. Carmen Mendes preferiu não misturar os papéis. “Aqui sou professora e lá sou mãe”. E como mãe de uma criança especial, vive com alguma angústia todas as mudanças a que o seu filho está sujeito. “Todos os saltos que ele deu, pré-escolar, 1º ciclo, e 2º ciclo, vivi a mesma coisa que os pais me contam. É uma angústia quando eles saem de um local, onde nós sabemos que eles estão protegidos, e passam para outro local maior”. Os pais das crianças ditas normais também sofrem, “mas nós sentimos o coração um bocadinho mais apertado, porque a maior parte dos nossos meninos não fala correctamente, não contam em casa aquilo que se passa nas escolas, e isso para os pais é um aperto muito grande, porque nunca sabem o que pode acontecer”, diz. Apesar dos medos e das angústias, Carmen Mendes diz que gosta muito do seu filho, como qualquer mãe.

Fernanda Alves