Núcleo Refood Maia organiza jantar de natal

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Refood da Maia
Re-Food da Maia
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O núcleo Refood da Maia vai levar a efeito um jantar de natal, no próximo dia 23, na Escola Secundária da Maia, que irá “reunir toda a família Refood”, referiu Ângelo Soares, fundador e coordenador do movimento de reaproveitamento de excedentes de estabelecimentos da restauração.

A distribuir alimentos aos mais carenciados desde fevereiro deste ano na Maia, o núcleo, a funcionar no Pátio de Almorode, vai juntar as famílias de voluntários e as famílias de beneficiários, bem como utentes de outras instituições, como a Cruz Vermelha com quem colabora, acrescentou Elisabete Maciel, outra coordenadora do projeto.

O jantar será preparado pelos próprios voluntários, sendo que nesta preparação tem-se notado que “está a haver um envolvimento grande de todos”, pelo que se prevê um total de 170 pessoas à mesa.

Reforço alimentar

Como nos dias 24 e 25 de dezembro, o núcleo Refood estará encerrado, procurou-se criar condições para que as famílias, além de conviverem, possam também levar para casa um reforço alimentar com um pequeno cabaz de produtos natalícios, que está a ser preparado.

Ângelo Soares adianta que não se pretende que este jantar pareça um normal jantar de beneficência, por isso ninguém estará identificado como voluntário, colocando toda a gente em pé de igualdade. É que, como explica este coordenador, “no centro de operações, só o gestor de dia está no espaço de atendimento e encara os beneficiários, pois os voluntários estão no espaço de distribuição e não entram em contacto com quem vai levantar as refeições. Assim ninguém se conhece. Também temos o cuidado de entregar a comida sem que as famílias beneficiárias se cruzem umas com as outras, procurando que haja um intervalo de cinco minutos entre cada entrega”.

Tudo isto, porque é sabido que nem todos os beneficiários estão disposto a uma exposição pública, explicando Elisabete Maciel que “há muitas famílias que se encontram em dificuldades inesperadas e que, antes, viviam bem, pelo que não se sentem à vontade”.

70 beneficiários

O núcleo Refood da Maia, um projeto de reaproveitamento de excedentes de estabelecimentos da restauração, inaugurou o Centro de Operações a 14 de fevereiro e, no dia seguinte, partiu para o trabalho “no terreno” com 120 voluntários motivados e devidamente formados.  O projeto arrancou com recolhas diárias das 18h às 24h, no dia 15 de fevereiro.

Chegados ao final de 2016, o aumento é notório: de 16 passou a apoiar 70 beneficiários; de seis passou a apoiar 20 famílias. Uma destas famílias, diz Ângelo Soares, é um grupo de 10 sem-abrigo da Maia, que é atendido pela Cruz Vermelha. O Refood canaliza ainda o pão excedentário para os albergues noturnos do Porto, embora não haja protocolo.

Com instituições como a Cruz Vermelha ou a Santa Casa da Misericórdia da Maia existe um protocolo de colaboração, que tem funcionado “de forma muito positiva”.

170 voluntários

Para que esta ajuda chegue a tanta gente, é preciso um grupo que já atinge 170 voluntários com idades, entre os 16 e os 70 e poucos anos. “O trabalho é 100% voluntário”, diz Elisabete Maciel, que frisa ainda, “ao contrário do que do que muita gente se queixa de que as pessoas são muito egoístas e que se fecham no seu canto, ainda há espaço para a solidariedade. Tem havido muita generosidade e ainda há espaço para crescer em termos de beneficiários e também de fontes de alimentos”.

Como fundadores e voluntários do movimento, e tendo em conta que o voluntariado tem a duração média de dois anos por pessoa, o “trabalho na Maia tem corrido muito bem e o balanço tem sido muito positivo. Depois há os benefícios extra das relações humanas que se criam e se vão reforçando entre os voluntários”, afirma Ângelo Soares, não deixando de ficar agradado com a “boa imagem” do núcleo Refood junto da comunidade, criada graças ao rigor e seriedade do trabalho do grupo, que só beneficia a execução desta missão contra o desperdício alimentar.

Angélica Santos

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