O desafio da maternidade durante a pandemia

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foto cedida por Janine Ferreira
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A pensar no Dia da Mãe, que se celebra este domingo, dia 2 de maio, o jornal Primeira Mão decidiu conversar com mulheres que tivessem experienciado uma gravidez ou o nascimento de um filho em contexto de emergência sanitária devido à pandemia Covid19.

Foi o caso da conversa com Janine Ferreira, com a qual damos força e esperança a todas as mulheres que se encontrem na mesma situação.

A gravidez é uma fase em que as mulheres se concentram nelas próprias e no bebé que vem a caminho. Mas para estas gestantes, a situação foi atípica e tiveram de focalizar atenções num vírus invisível. Assim, o medo e a ansiedade estiveram bastante presentes para a maioria das grávidas em pandemia.

Ansiedade foi intensa para Janine Ferreira durante a gravidez

Janine Ferreira é da Maia e descobriu que estava grávida antes da pandemia começar. Hoje, a sua segunda filha, Matilde, está quase a completar um ano de vida. “A pandemia chegou três meses antes de ter a minha filha e no início tinha muitas consultas, mas mais para o final as consultas foram reduzidas. Só consegui fazer o mínimo dos mínimos”. Janine relembra uma situação em que se viu obrigada a “marcar um exame de sangue antes da menina nascer e tive de me deslocar a um laboratório muito distante de minha casa”.

A entrevistada explicou ao Primeira Mão as principais diferenças entre as duas gravidezes. “A minha primeira filha nasceu em Inglaterra e tive o pai e a minha cunhada a acompanhar-me. Eles podiam entrar e sair do hospital várias vezes para me visitar ou para trazer qualquer coisa que necessitasse. Com a minha segunda filha foi diferente, porque só o pai podia entrar e só uma vez por dia, ao final do dia”.

Entre as visitas fugazes do marido e o medo de não o ter a seu lado no parto, Janine Ferreira admite que o período de gravidez não foi pacífico. “Tive ataques de pânico que me faziam chorar desalmadamente. Tinha medo de tocar nas pessoas porque elas podiam estar infetadas”. Medo esse, que impedia “a minha filha mais velha de visitar familiares. Os meus pais moram na mesma moradia, no andar de baixo, e havia um certo receio de estar à beira deles”.

Aquando do parto, se Janine apresentasse um resultado positivo no teste à Covid-19 “não poderia estar em contacto com ninguém, nem mesmo com a minha filha. Teria de vir para casa e a minha filha teria de ficar no hospital a cuidado de outras pessoas”. Uma preocupação que desapareceu na hora do parto, pois Janine acusou negativo. “Mal saiu o resultado liguei ao meu marido para ele entrar e assistir ao parto, claro devidamente equipado. Foi um parto muito curto, correu tudo bem e a equipa era fantástica”.

Após o parto visitas também eram só para o pai e muito restritas

Já depois do parto, ainda no hospital S. João, Janine Ferreira refere que apenas o pai da criança podia entrar para visitas. “Ele quis levar-me um ramo de flores e uns chocolates”, mas segundo Vítor, o seu marido, “foi complicado entrar com as coisas no hospital, devido às restrições”.

Mãe de duas meninas, uma de cinco e outra quase a completar um ano, esta maiata vê-se agora confrontada com outros problemas. “Sinto diferenças na regularidade com que somos informados das consultas. Por exemplo, na última que fomos, a médica disse que não podia marcar a próxima consulta porque ainda não tinha calendário para o efeito. Ou seja, estou à espera de saber a data da consulta de um ano, para ela tomar a vacina”.

Mas não foi só a filha mais nova que ficou com as consultas em atraso. “Eu senti mais com a mais velha, porque ela só foi vacinada agora e já deveria ter sido o ano passado. Nem sequer teve a consulta dos 4 anos. Teve agora a dos cinco e foi muito rápido”, afirma Janine, explicando que a filha mais velha só foi vacinada, “porque a levei comigo à consulta da mais nova”.

Atualmente, esta mãe continua preocupada com o vírus, no entanto “quando trouxe a Matilde para casa, já fiquei mais descasada por ter a minha filha nos braços”. Agora, o medo é outro, porque “estou mais preocupada com os meus pais do que com as meninas. Sei que há quem pense diferente, mas eu sinto assim”.

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