Obesidade em destaque no Hospital da Trofa

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Para prevenir algo que é difícil de remediar, mas não impossível. A obesidade é já a epidemia do Século XXI e para combater este problema, o Hospital Privado da Trofa (HPT) levou a cabo, no passado sábado, as primeiras Jornadas de Obesidade.
Mais novos e mais velhos. Do hemisfério Norte e do hemisfério Sul. De países ricos ou de países pobres. Ninguém escapa ao fantasma da obesidade. O cirurgião geral e responsável pelo serviço de cirurgia da unidade de obesidade do HPT, Carlos Gomes, recorda que “foi a Organização Mundial de Saúde a considerar a obesidade como a Epidemia Global do Século XXI. É preocupante. Os índices de obesidade em todos os países estão a crescer”. E foi com atenção a esse problema que “há cinco anos o HPT começou a dar formação na área da obesidade, utilizando técnicas cirúrgicas inovadoras, que não existiam em Portugal”, esclarece Carlos Gomes. Mas o tratamento do paciente obeso não se resume apenas à cirurgia. “Ao serem operados têm de ser observados por um nutricionista, por um endocrinologista, por um psicólogo, é dado todo um acompanhamento específico e multidisciplinar” ao paciente. Surgiu assim a Unidade de Obesidade do HPT, “um grupo de médicos que se especializaram em obesidade e que trabalham em conjunto uns com os outros”. A unidade começou a dar resultados e, segundo Carlos Gomes, “era preciso partilhar este sucesso com os clínicos desta área”. Daí terem surgido as primeiras Jornadas da Obesidade.
Pela Unidade de Obesidade do HPT já passaram “mais de 100 pacientes”, revela Carlos Gomes. São “casos de sucesso” que deram entrada com obesidade mórbida, condição que implica outras maleitas, como diabetes, hipertensão, entre outras. Para realçar a multidisciplinaridade da Unidade liderada por Carlos Gomes, o clínico sublinha a preocupação com o quadro psicológico dos pacientes tratados. “Esses doentes têm problemas psicológicos ou mesmo psiquiátricos, como o facto de serem discriminados de serem obesos e, por outro lado, também há doentes que ficam taquicárdicos se não consumirem um determinado alimento”. Para melhor ilustrar o problema, Carlos Gomes contou a história de uma doente que “colocou uma banda gástrica, foi emagrecendo mas de um momento para o outro deixou de emagrecer. Mesmo com a banda gástrica muito apertada, a paciente continuava a engordar, embora dissesse que fazia a alimentação correcta. Até que uma filha da paciente revelou que a paciente moía todos os dias um bolo-rei em dois litros de leite e vai bebendo ao longo do dia como refresco”. São problemas que “cabe ao psicólogo detectar e corrigir”.
E como o importante é prevenir, Carlos Gomes deixa alguns conselhos e recomenda a “todas as pessoas que não sejam obesas mas que já notam algum excesso de peso a fazer uma consulta, para fazer um estudo hormonal do paciente, assim como da massa gorda, da massa magra e da retenção de líquidos”. A partir desse diagnóstico determina-se a “gravidade” do problema.

Obesidade Infantil
Um dos painéis das primeiras Jornadas de Obesidade do HPT foi dedicado à obesidade infantil. É um facto “de senso comum”: as crianças estão cada vez mais obesas. É também a visão da pediatra Márcia Azevedo, do HPT. Trata-se de um problema recente, já que há alguns anos não era assim, como explica a clínica. “Antigamente a preocupação prendia-se com o melhoramento da alimentação da criança para que não houvesse défice de vitaminas e alterações da estrutura óssea da criança”. Hoje, o problema é outro. “Agora há uma preocupação com a alimentação saudável das crianças e com o fomento da prática de exercício físico”, justifica.
Sinais dos tempos. Os “inimigos” da boa alimentação estão identificados: “o Fast Food. Agora os pais não têm tempo para prepararem comida fresca, grelhada ou cozida e recorre-se muito aos congelados, comidas muito condimentadas e muito calóricas”. Este conjunto de factores provoca alterações no crescimento dos mais pequenos. Para provar isso está o aumento de casos de diabetes em idade infantil. “Anteriormente, os casos de diabetes nas crianças eram de origem genérica, mas neste momento temos crianças diabéticas iguais aos adultos. Por serem gordos, por terem dificuldade em produzir insulina suficiente para a comida que comem. Isto gera todo um quadro clínico de problemas, como são os respiratórios por insuficiência da caixa torácica, problemas do foro de hipertensão, crianças a fazerem enfartes. Isto dá origem a uma taxa de patologia elevadíssima no crescimento, na fase de adulto-jovem, entre os 20 e os 30 anos, quando antigamente os indivíduos nesta faixa etária costumavam ser saudáveis”, conta.
E em tenra idade, a sinceridade floresce. “As crianças são muito críticas, muito sinceras, apontam muito rapidamente todos os defeitos aos outros”, considera Márcia Azevedo. Essa sinceridade “excessiva” leva a que as crianças mais obesas “sejam excluídas porque não podem fazer as mesmas brincadeiras, são alvo de chacota entre os pares e não têm capacidade mental de lidar com as adversidades”. Obesidade que, desta forma, dá origem a “um aumento de casos de depressão em idade pediátrica”, adianta a pediatra.
Para contrariar esta tendência, Márcia Azevedo considera ser “necessário mudar os hábitos alimentares das crianças e promover o exercício físico. É também preciso reduzir o número de horas de televisão, de computador e combater o sedentarismo”. E é aqui que a família ganha um papel preponderante. Márcia Azevedo considera importante “envolver toda a família no combate ao problema da obesidade, com passeios em família, andar de bicicleta em família, ir à piscina em família… pôr a criança mais saudável. A alimentação e o desporto são fundamentais e isso implica que toda a família esteja envolvida”.