“Os Atrasados” desiludidos com Moreira

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O Grupo Motard “Os Atrasados” pode estar de saída de Moreira da Maia. Mesmo contra a vontade do presidente, porque foi na vila que nasceu. Mas a falta de apoio e de compreensão por parte da população da freguesia está a pesar na decisão da eventual mudança. Há duas freguesias em vista, mas Alberto Brilhante prefere não adiantar quais.

Os motards do grupo dizem-se “desiludidos” com a Maia, apesar do trabalho que têm vindo a desenvolver, como o “apoio ao domicílio, apoio a lares de terceira idade e a crianças”. Sem esquecer a colaboração em eventos como a Volta ao Concelho da Maia em bicicleta ou “Maia – 1000 a pedalar”.

Alberto Brilhante recorda que a gota de água foi a comemoração do aniversário, no primeiro fim-de-semana de 2009. Depois da dificuldade para obter da Câmara Municipal da Maia a licença necessária para a realização da festa no Pavilhão Municipal de Moreira da Maia (junto à Escola EB 2,3 Dr. Vieira de Carvalho), ainda foram “corridos à pedrada”, lamenta Alberto Brilhante. Até “pagaram a miúdos para nos correrem à pedrada, na festa, a ver se nós perdíamos a cabeça e batíamos aos miúdos”, acrescenta o responsável pelo grupo, depois da informação ter sido confirmada por duas das crianças envolvidas no episódio.

Além das agressões de que foram alvo, o presidente do grupo chama a atenção para o facto de terem sido confrontados com a GNR por volta das 23h30 “a mandar parar a festa”, quando tinham licença até à meia-noite. Essa ordem aconteceu exactamente na altura em que estavam a chegar 22 motards de Ourense convidados para o aniversário. “Que imagem vão levar os nossos amigos espanhóis do nosso concelho?”, questiona, acrescentando que “nem sequer entraram, foram-se logo embora”.

A licença, apesar de ter sido atribuída, é outro dos motivos do descontentamento, já que foi apenas concedida até à meia-noite, quando em anos anteriores “Os Atrasados” tinham autorização para fazer a festa até às 02h00. O presidente do grupo encontra a justificação num abaixo-assinado lançado por um comerciante das imediações da estação de Pedras Rubras, que “pensa que é o dono de Moreira”, e que visava impedir a realização da festa de aniversário. Considera Alberto Brilhante que, na sequência desta acção, “o Sr. presidente da câmara teve medo de perder as eleições”. E “se não fosse o Sr. Albino Maia, não tínhamos oportunidade de fazer a festa”, reconhece o motard, referindo-se ao presidente da Junta de Freguesia da Vila de Moreira:

[audio:FESTA_BRILHANTE.mp3]

Este autarca sublinha que já no ano anterior se tinha sentido “o desagrado de alguns residentes”. Mas admite também Albino Maia que o abaixo-assinado, ao ser lançado nas vésperas das eleições autárquicas, “existiu com alguma intenção”, tendo “alguma influência no resto da população”. E embora o pavilhão não esteja instalado mesmo ao lado de habitações, o presidente da junta afirma que “a população sente-se prejudicada pelo barulho”. Sobretudo quando alguns motards “não respeitam aquilo que deveria ser respeitável”, acabando por “prejudicar todo o evento com atitudes menos correctas”.

Confrontado com a acusação de Alberto Brilhante, o presidente da Câmara da Maia argumenta que, “por vezes, há muito barulho” associado às iniciativas promovidas pelo grupo motard e que isso tem feito chegar à autarquia “imensas queixas de pessoas que lá habitam”. Sejam relacionadas com o barulho das motas ou com o ruído da própria festa, que não terminava às 2h00, de acordo com a licença habitualmente atribuída, salienta Bragança Fernandes:

[audio:ATRASADOS_BF.mp3]

Mais do que qualquer cedência – acusação feita pelo presidente d’ “Os Atrasados” – o autarca diz que a decisão não é mais do que “respeito cívico” por quem reside nas imediações. Assim, de forma a não incomodar ninguém, e mantendo o apoio ao grupo por quem diz ter respeito, o presidente da câmara admite vir a ceder as instalações do Aeródromo de Vilar de Luz, em Folgosa.

Saída de Moreira

Admite Alberto Brilhante que os problemas já fizeram alguns elementos afastarem-se, ao ponto de já não saber afirmar com exactidão quantos são, actualmente, os sócios do grupo motard. “Uns estão a fugir, outros dizem que só aparecem no clube quando nós tivermos uma sede, outros querem sair da Maia”, conta o presidente. E apesar de já ter havido convites para se instalarem fora do concelho, não é isso que pretende o responsável, admitindo apenas mudar de freguesia, porque “de Moreira da Maia vamos ter que desistir, porque a população não nos quer ali”. E 2010 deverá ser o último ano na freguesia.

O presidente da junta diz que “nada pode fazer” para contrariar essa intenção, considerando que “não existe alternativa em lado nenhum” para que os eventos organizados pelo Grupo Motard “Os Atrasados” não incomodem a população:

[audio:MOTARDS_ALBINO.mp3]

Até porque se trata do cumprimento de regras comuns a todo o concelho, no que respeita ao ruído. Logo, conclui, “não estou a ver como é que uma mota em Moreira faz barulho e fora de Moreira não faz”. De qualquer forma, o que entendeu Albino Maia da intenção do grupo é que procuram um espaço onde possam ter uma sede, enquanto associação, já que não há um disponível na freguesia de Moreira.

Marta Costa