PASSE: o caminho para a alimentação saudável

0
180

 

PASSE. Não se trata de um título de transporte, mas é certamente uma viagem rumo a um objectivo bem definido: a alimentação saudável. PASSE é, afinal, a sigla para o programa de Promoção de Alimentação Saudável em Saúde Escolar.

A iniciativa é do Departamento de Saúde Pública da Administração Regional de Saúde do Norte, I.P. (ARS-N), mas com a parceria da Direcção Regional de Educação do Norte (DREN). E a Maia é um exemplo das duas vertentes de mãos dadas.

Num concelho que não escapa à tendência nacional de aumento do peso entre as crianças, e já de aumento do número de casos de obesidade, a equipa de Saúde Escolar do Centro de Saúde da Maia quis implementar aqui o projecto, por considerar que “prevenir a obesidade é urgente”, justifica a enfermeira Albertina Santos, há 15 anos nesta equipa e com a especialização em Saúde Comunitária.

Os cinco elementos da equipa – três enfermeiras e duas médicas – receberam formação sobre o programa, partindo depois para o terreno. Isto em Fevereiro, já no decorrer do ano lectivo, prolongando-se até ao passado dia 05.

Neste ano-piloto, e embora dirigido a toda a comunidade escolar, o PASSE “motor”, como foi designado, teve como público-alvo alunos de duas turmas do 3º ano do ensino básico da Escola EB 1 da Maia, do Agrupamento Vertical Gonçalo Mendes da Maia, com a colaboração das professoras Olga e Maria do Céu. Foi escolhido este nível de ensino por ser uma faixa etária em que os alunos já têm desenvolvidas as competências da escrita e da leitura e porque, nesta altura, “já têm uma tomada de decisão”. Ou seja, já fazem escolhas.

Equipa multidisciplinar

Dividido em 15 sessões, de 60 a 90 minutos, o PASSE trabalha diversas determinantes, como as competências psicológicas, os conhecimentos de alimentação, as tomadas de decisão e a disseminação do conhecimento. Durante as 15 sessões há quatro módulos de abordagem, com jogos direccionados para o exercício físico, a saúde oral ou a aparência psicológica. Por isso, a equipa PASSE Regional inclui técnicos como psicólogos, médicos de saúde pública e nutricionistas.

Mas as missões entregues aos alunos implicavam também a participação dos pais, desde o primeiro momento em que é colocado um questionário para fazer o diagnóstico dos conhecimentos alimentares. Deseja Albertina Santos que essa participação seja ainda maior no futuro, para complementar o trabalho desenvolvido na escola.

A enfermeira da equipa PASSE local da Maia está satisfeita com os resultados já conseguidos. Por exemplo, na escolha dos lanches que “começaram a ser o mais saudáveis possível”:

[audio:ALBERTINA.mp3]

Um obstáculo a essas mudanças de comportamentos continua a ser a venda automática que persiste nos estabelecimentos de ensino. Com oferta que vai dos bolos às bolachas, passando pelos chocolates e refrigerantes. Em suma, alimentos menos adequados ao que se designa de alimentação saudável. Embora admitindo que, para a escola, “se calhar é mais lucrativo”, a enfermeira assume a eliminação destas máquinas como “uma luta da saúde” e esperançada que seja cumprido a norma legal que já determina a sua exclusão das escolas.

Enquanto os alunos se defrontam com esta oferta tentadora, o PASSE tenta que “percebam que as ofertas que existem, se calhar, não são as mais correctas”.

Marta Costa