Pedro Abrunhosa e Frei Fernando Ventura sublinham fosso entre ricos e pobres

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O pelouro de Relações Internacionais da Câmara da Maia promoveu, no dia 24, uma conversa com Pedro Abrunhosa e Frei Fernando Ventura, com moderação do vereador maiato Paulo Ramalho.

Uma conversa via Zoom com os dois convidados sobre o caminho para um mundo mais justo, digno, inclusivo e sustentável. O tema foi Todos por um rumo a 2030, com foco nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Pedro Abrunhosa começou por falar do tema que compôs propositadamente para a rede intermunicipal de cooperação para o desenvolvimento.

O mote do tema é precisamente “Já não temos muito tempo para virar o bico ao prego”. Esta frase diz tudo, como sublinhou Pedro Abrunhosa, “já não temos muito tempo para mudar alguns comportamentos que se tornaram invasivos, alguns deles foram-se acumulando desde a revolução industrial, sobretudo na área do consumo, e que têm impacto direto no planeta. Assim, estamos a causar impacto nas outras espécies e esquecemo-nos do equilíbrio. Afinal, não somos os donos do planeta”.

O cantor portuense defende que o ser humano tem que conseguir um “equilíbrio no ambiente com outras espécies, que não têm a prevalência do confronto”. E o cantor aponta como exemplos: “os chimpanzés, em África, não podem defender-se e as espécies vegetais a mesma coisa, pelo que temos que ser nós a defender o ambiente dessas espécies”.

Mas as assimetrias ecológicas têm alimentado as assimetrias sociais, o fosso entre os mais ricos e os mais pobres, sublinhou também Pedro Abrunhosa.

O cantor lembrou que anteontem, António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, afirmou que “10 países já conseguiram vacinar os cidadãos em 75% contra a Covid19. Está certo. Mas o problema é que ele também referenciou que cerca de 130 países ainda não receberam qualquer dose de vacina. Esta ausência de equidade socio-ambiental vai produzir efeitos nefastos para toda a gente. Muito para além da questão sanitária, pois o vírus vai continuar a espalhar-se, reside a questão moral, pois nenhum cristão poderá aceitar esta dissonância entre países ricos e países pobres”.

Frei Fernando Ventura, natural da Senhora da Hora, é membro da EAPN – Rede Europeia de Luta Anti-pobreza, do Observatório para a Liberdade Religiosa ligado à Universidade Lusófona e da Comissão Consultiva Multi-Religiosa da mesma Universidade onde foi professor convidado e é ainda um dos membros fundadores da “Frente Cívica”.

Desde 2010 é o responsável pelo Banco de Leite de S. Tomé e Príncipe. Atualmente, dá a cara pela construção de uma nova casa de acolhimento de idosos, na ilha do Príncipe, “Casa Betânia”.

Fernando Ventura começou por concordar com Pedro Abrunhosa num mundo assimétrico “dos que bebem champanhe e de outros que têm que beber água choca”. Vivemos num mundo com “cheio de obstáculos” e não é preciso ir muito longe, “não é preciso sair de Portugal”, contou Frei Ventura, que relatou que tinha estado no dia anterior com uma família, uma senhora de vinte e poucos anos com 6 filhos, que lhe disse, “Padre, eu nunca tive uma cama. Isto em Portugal do século XXI”.

Estas situações existirão sempre que viva uma pessoa que “se relacione consigo e com os outros, com o mundo em seu redor, com a ideia de que é o dono absoluto do que quer que seja”.

Deu outro exemplo de injustiça social e que espelham este tipo de comportamentos que o revoltaram: “vi pessoalmente, nas penúltimas cheias em Moçambique, municípios a cobrar taxas de portagem para a entrada dos camiões de ajuda humanitária. Vi o governo de Moçambique a cobrar taxas alfandegárias pela comida e pelos bens que chegavam a Maputo para o auxílio às vítimas. Isto são atitudes facínoras e que dizem bem do porquê de tanto desconchavo e tanto desequilíbrio”.

“Alguma coisa se começou a fazer, tenho medo que seja demasiado teórico e ideológico. Espero que não se fiquem pelas ideologias e se passem aos gestos”, referiu Frei Fernando Ventura.

Recorde a conversa aqui

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