PLP referencia quase 70 lixeiras na Maia

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Sábado, dia 23 Janeiro, 14h00. Um início de tarde solarengo e de muito movimento no parque de estacionamento do Jumbo da Maia. Mas entre as muitas viaturas ali aparcadas, algumas destacavam-se no cenário. Por serem várias viaturas todo-o-terreno juntas e por terem mesmo ao lado uma dos Bombeiros Voluntários de Moreira da Maia. Mas não só. Todas envergavam o cartaz do Projecto Limpar Portugal (PLP). E todas tinham nos condutores e ocupantes também voluntários. Não dos bombeiros, mas dispostos a limpar as lixeiras da Maia no próximo dia 20 de Março, o denominado Dia L. Nada mais, nada menos do que a data definida pelo movimento cívico PLP para pôr “mãos à obra e limpar a floresta portuguesa”.

Foi este mote que moveu 12 pessoas – incluindo duas crianças, acompanhadas pelo pai – a passarem a tarde de sábado na estrada e nas matas da Maia, neste primeira incursão às lixeiras do concelho. Exactamente no dia da segunda saída a nível nacional. Apesar de alguns terem chegado ao parque de estacionamento em viaturas ligeiras, formaram-se equipas para sair apenas em jipes, de forma a não haver impedimento para a entrada nas matas.

Enquanto se aguardava a chegada de mais voluntários, iam-se definindo estratégias e percursos. Para não se desperdiçarem esforços e meios passando diferentes equipas pelos mesmos locais. Ao mesmo tempo, quem ainda não o tinha feito, colocava os cartazes do projecto na viatura para se identificar. Depois de uma espécie de “foto de família”, luz verde para o arranque. Faltavam cerca de cinco minutos para as 15h00.

PRIMEIRA MÃO acompanhou uma das equipas. Pode até dizer-se que a equipa privilegiada deste grupo, por ter os bombeiros como guias. E que “foram uma ajuda fenomenal”, reconheceu no final do dia o coordenador concelhio, João Guimarães. Conhecedores do concelho e, sobretudo, das áreas de floresta, foram eles que definiram o percurso. O jipe do PLP apenas os seguia, parando nos locais das lixeiras paras as fotografar e referenciar. Esta era a missão de sábado, sendo necessário marcar a lixeira com as respectivas coordenadas de GPS, tipo de resíduos e número estimado de voluntários para a limpeza do Dia L.

E com este desígnio se iniciou a marcha pela Estrada Nacional (EN) 14, seguindo depois pela Via Diagonal até Folgosa, apesar de um do aparelhos de GPS identificar o local como pertencendo a Ermesinde. Mas os bombeiros garantiam que esta primeira paragem, na Rua Prof. António Marques, pertencia a a Terras do Lidador. A primeira lixeira estava numa entrada da mata ao lado de uma fábrica. Por ali eram já visíveis plásticos, material de obras, até louças velhas de casa de banho, restos de televisões, um sofá e um colchão. Mas “para dentro é pior” dizia um dos bombeiros. Ora, para esse interior da mapa, a incursão fez-se apenas na viatura dos bombeiros, dado o estado enlameado do caminho.

Rua de lixeiras

Voltando à estrada, a equipa rumou até S. Pedro Fins. A primeira tentativa revela tratar-se de um terreno privado, por isso a incursão continuou até à Rua Souto de Barreiros, na mesma freguesia. A artéria foi percorrida em velocidade de pára-arranca porque em quase toda a sua extensão há lixeiras. Seja à esquerda ou à direita, à face da rua, seja mais para o interior, voltando a fazer-se essa parte do percurso na viatura dos Bombeiros de Moreira da Maia. E eram tanto os pontos com lixo, que a equipa do PLP optou por referenciar toda a rua como apenas uma lixeira, mas com necessidade de vários grupos de voluntários para a limpeza. Para retirarem resíduos como sofás, roupas, plásticos, cartão, paletes de madeira, esponja, latas, tela de alcatrão e até círios dos que se usam nos cemitérios.

De regresso à Via Diagonal, e depois da passagem sob a Auto-estrada A3, junto à entrada para a farmacêutica Bial, mais uma incursão pela mata, à direita. E mais uns pequenos focos de resíduos. Bem maiores, e mais recheadas, foram as lixeiras referenciadas na mata junto à Rua das Cardosas, nas imediações dos depósitos de água e de uma pedreira. Neste caso, já com um caminho que permitia a entrada de praticamente todo o tipo de viaturas. Talvez por isso as diversas lixeiras aí encontradas e com tantos resíduos. Desde sofás, plásticos e restos de insufláveis a vidros, telhas, pneus e até pára-choques e outras partes de viaturas.

Se até aqui o tempo estava a facilitar a incursão às lixeiras, começou a escurecer. Não pelo aproximar do anoitecer, mas pelo aproximar da chuva. Começou a cair por volta das 17h00 à passagem por Nogueira da Maia rumo à zona de Monte Penedo, já em Milheirós. Mesmo debaixo de alguma chuva, os membros do grupo da Maia do PLP ainda referenciaram mais três lixeiras, entre a Rua de Paiol e a Rua da Agrela e ainda na Rua Fonte do Cuco.

E assim terminou a incursão deste grupo, neste dia 23 de Janeiro. Não só pela chuva, mas porque se aproximava a hora marcada para o regresso ao ponto de partida, onde se reuniram os diversos grupos para fazer um breve balanço da saída. E com alguns elementos a confessarem-se surpreendidos com o que tinham descoberto. Sobretudo os membros que andaram pela zona industrial. Mas que não surpreendeu o coordenador do grupo da Maia, habituado a circular de todo-o-terreno por este tipo de áreas. “Mesmo eu, surpreendo-me na mesma, com a falta de civismo”, confessou João Guimarães. Sobretudo por, em alguns casos, serem necessárias viaturas muito específicas “para conseguir chegar ao sítio mais recôndito para depositar o lixo”:

[audio:LIXEIRA_CARROS.mp3]

Só neste sábado, foram referenciadas quase 70 lixeiras no concelho, numa incursão que ainda andou longe de passar pelas 17 freguesias. E bem acima desse número se se pensar que algumas ruas estão repletas de focos de lixo, tendo sido referenciadas como apenas uma.

Veja aqui algumas das lixeiras encontradas:

Marta Costa