Por uma internet mais segura

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O problema está aí. Existe e é bem real. Consciente de que a utilização da internet pode representar alguns riscos a quem a utiliza, a Câmara Municipal da Maia levou a cabo, durante toda esta semana, uma acção de formação conduzida pelos professores de actividades extra-curriculares que transmitiram aos encarregados de educação os cuidados necessários para a uma utilização mais segura da internet.

O assessor para a educação da Câmara Municipal da Maia, António Carneiro, garante que a segurança na internet é uma das principais preocupações da autarquia no plano educativo. "Vimos que grande parte dos adolescentes portugueses pensa que a internet é segura e efectivamente não é". Como consequência deste uso mais irresponsável, "cabe à autarquia educar pais e filhos para os perigos que a internet pode representar". António Carneiro considera que o uso irresponsável da internet "é um problema que pode sair caro" e por isso, garante, "a autarquia não vai desistir e continuará a dar formação a este nível".

Na mesma semana das acções de formação, o Dia Europeu da Internet Segura assinalou-se na passada terça-feira. Na EB1 de Gueifães estiveram presentes várias dezenas de pais, alguns acompanhados pelos filhos, que receberam conselhos para uma melhor utilização da internet. Porque a criminalidade também se digitalizou, a acção de formação alertou os encarregados de educação para os perigos que podem resultar da utilização indevida de blogues, telemóveis, ensinou como evitar a contaminação do computador por vírus, os cuidados a ter nas tão famosas redes sociais, nos chats e nos "instant messengers" e abordou também o problema do "Cyberbullying", ou seja, o assédio constante a um utilizador da internet por outro. Também foram ministrados cuidados a ter com a preservação da identidade e de palavras-passe, com o objectivo de evitar o "phishing", que é um método utilizado por malfeitores digitais para roubar dados vários, como é o caso da palavra-passe de um endereço de email até casos mais graves, como o acesso a contas bancárias e roubo de cartões de crédito.

Conselhos para uma internet mais segura

O problema está, em primeiro lugar, no comportamento que adoptamos quando ligamos o computador. A tendência que se generalizou foi a de "deixar andar". A maior parte dos utilizadores pensa que a internet está livre de riscos, quando não é bem assim. São inúmeros os comportamentos de risco on-line que podem ser evitados com pequenas alterações de comportamento. E, acima de tudo, deixar o excesso de confiança de lado. Na internet, nem tudo o que parece é.

O primeiro passo é usar o senso comum. Como tal, o utilizador deve desconfiar de todas as "promessas" feitas tanto em redes sociais como em vários sites que prometem mundos e fundos a custo zero. Grande parte das vezes, ou mesmo todas, nunca se trata de um site fidedigno e o objectivo dos malfeitores é atrair "navegantes" mais incautos para fraudes que podem sair caras.

Uma das principais vulnerabilidades na internet é a escolha de palavras-chave muito fracas. Se está a ler este texto e tem a data do seu aniversário, o seu clube de futebol ou o nome do seu filho como palavra-chave, é aconselhável que a mude o quanto antes. Escolha uma palavra-chave forte, com vários caracteres especiais (como, por exemplo, os que se seguem: #$%). É meio caminho andado para uma melhor segurança na rede.

Quanto às redes sociais, tente não se expor demasiado. Uma simples procura no Google pode revelar muito sobre a sua vida. Tenha cuidado com as fotos que expõe e controle a actividade desenvolvida pelos seus filhos nestas sites. É também aqui que surgem muitos casos de cyberbullying, por isso, todo o cuidado é pouco.

Os aparelhos wireless (pontos de acesso sem fios) multiplicam-se nos dias de hoje. Isso significa que todo o tráfego que realizamos na internet anda "pelo ar", à mercê de pessoas mal intencionadas. Pode afastar os malfeitores escolhendo a protecção WPA2 no seu ponto de acesso, com encriptação AES. Não deixe estar tudo como está. Dê uso ao manual que veio com o equipamento sem fios e, se necessitar, recorra ao serviço de apoio a clientes do seu fornecedor de internet.

Se receber emails a solicitar as suas palavras-chave para efectuar alterações em serviços, nunca, em caso algum, as forneça. Regra geral, fornecedores de email, sites de "homebanking" e outros serviços nunca pedem a password por email. Se, por acaso, se deparar com esta situação, ignore e apague o email recebido. O mesmo para as ligações suspeitas, muitas vezes de cariz sexual, que nos remetem para sítios na internet suspeitos. Normalmente em forma de hiperligação, têm a terminação "exe", "com" ou "bat". Esses sites alojam ficheiros que podem danificar o computador. A evitar a todo o custo.
Por último, tenha sempre o seu antivírus actualizado, assim como o seu sistema operativo. Caso seja utilizador Windows, active as actualizações automáticas. O sistema encarregar-se-á de fazer a descarga e a instalação das correcções automaticamente. Se for utilizador Mac OS, a busca por actualizações, por defeito, é feita de forma semanal. Pode fazer buscas manuais carregando na maçã do canto superior esquerdo e escolhendo "Actualização de Software". Só por estas vias é que são feitas as actualizações de forma automática. À semelhança de outros ataques, desconfie sempre de hiperligações que, supostamente, oferecem "melhorias de software".